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NOVOS FINAIS DE MUNDO
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autorGilberto Schoereder
publicado porGilberto Schoereder
data20/5/2015 14:51:39
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resumoConheça algumas das obras mais recentes abordando o final dos tempos e a reorganização da sociedade no planeta.


Entre as obras mais recentes do gênero, pelo menos três merecem atenção especial, a começar por Oryx e Crake (Oryx and Crake, 2003. Ed. Rocco), da excepcional escritora canadense Margaret Atwood, já conhecida do público de ficção científica pelo igualmente notável livro A História da Aia (1985).
Atwood está entre as principais escritoras do mundo na atualidade. Em seu retorno à ficção científica, situou sua história num futuro não muito distante, com a civilização tendo sido arrasada de forma muito rápida. A narração é feita pelo personagem conhecido como Homem das Neves, um dos únicos remanescentes da raça humana; ele intercala os eventos do presente com os do passado recente, que levaram ao fim da sociedade.
O Crake do título era um “gênio” cuja intenção era criar uma nova raça por meio da engenharia genética; as aspas ficam por conta do fato de que, para “limpar” o planeta para a raça que ele desenvolveu, ele soltou no mundo um vírus impossível de ser combatido. Oryx era a mulher que tanto o gênio quanto o Homem das Neves amavam.
Atwood estava escrevendo o livro em 2001, quando ocorreu o ataque terrorista aos Estados Unidos, o que a fez paralisar os trabalhos por um tempo. Ela disse que “É profundamente perturbador quando você está escrevendo sobre uma catástrofe fictícia e então uma real ocorre”. Para ela, as questões apresentadas no livro são uma extrapolação, uma indagação do que pode acontecer se nós continuarmos no caminho em que estamos agora. E não se trata apenas de uma preocupação com os avanços da engenharia genética, mas também dos problemas ecológicos que ameaçam o planeta, e que ganham ainda mais destaque no livro seguinte da autora.
A história teve sequência com O Ano do Dilúvio (The Year of the Flood, 2009. Ed. Rocco, 2011), que fornece mais informações sobre as razões que levaram ao fim da sociedade, e também mostra de que forma os remanescentes se organizaram. Um terceiro e último volume, MaddAddam (2013), ainda não foi publicado no Brasil.












Talvez o mais aterrorizante e pungente livro recente sobre um final do mundo seja A Estrada (The Road, 2006. Alfaguara, 2007), de Cormac McCarthy, tanto pela narrativa excepcional quanto pela forma como a história não deixa margem a dúvidas: o final do mundo irá transformar as pessoas em monstros, dispostos a tudo, qualquer coisa, para sobreviver.
O livro, vencedor do Prêmio Pulitzer para Ficção, segue a trajetória de um pai e seu filho por um mundo devastado por algum tipo de cataclismo não identificado. Para azar dos sobreviventes, eles são em grande número, o que provoca ações desesperadas para obter alimento, água e algum tipo de segurança, por menor que seja.
McCarthy estabelece os opostos, uma vez que o pai tenta manter o que lhes resta de humanidade, num ambiente em que, por exemplo, o canibalismo tornou-se corriqueiro. Na sociedade sem lei, sem moral, sem quaisquer princípios de ética, ele continua tentando ensinar a seu filho os limites do ser humano, de suas atitudes, a manter-se são e especulando com um futuro melhor, por mais impossível que isso pareça.
Poucas vezes na literatura do gênero, se é que ocorreu alguma vez, um final de mundo pareceu tão duro, tão inóspito, tão sem sentido e sem perspectivas. A destruição atinge a alma dos seres humanos, que vão sendo transformados em algo inédito no planeta, a não ser que se recorra às imagens dos pesadelos, ou àquilo que, no íntimo, muitos acreditam que os humanos são capazes de fazer e de ser. É como se o mal finalmente tomasse conta do planeta, e as histórias mais terríveis que ouvimos de vez em quando se tornassem o normal. Nesse sentido, o pai surge como o contraponto, a única forma de combater esse mal universal e tentar retornar a um caminho que, pelo menos, não nos transforme irremediavelmente em monstros.

Outra obra que vale a pena conhecer é Quem Teme a Morte (Who Fears Death?, 2010. Geração Editorial), de Nnedi Okorafor, que tem a África como cenário, algo raro na literatura de ficção científica.