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NA PORRADA

FILMES/VE Viagens no Tempo

autorGilberto Schoereder
publicado porGilberto Schoereder
data5/10/2017
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O episódio Soldado, da série Quinta Dimensão.

Como é comum acontecer no cinema americano, após o sucesso de O Exterminador do Futuro surgiu uma enxurrada de filmes combinando o tema das viagens no tempo, com perspectivas de alterações na história da humanidade, e sujeitos fortões que resolvem a questão na ignorância. São produções geralmente inferiores ao filme com Schwarzenegger, às vezes absurdamente ridículas, mas que encontraram seu público.
Pelo menos dois livros parecem antecipar o tema, em particular o conto Soldier From Tomorrow (1957), de Harlan Ellison, publicado originalmente na revista Fantastic Universe. Ele apresenta o soldado Qarlo Clobregnny, vivendo mil anos no futuro, que é preparado pelo Estado para tornar-se um matador implacável dos inimigos. No entanto, ele viaja no tempo, para o presente, onde passa por um processo de adaptação à época e aos costumes, sendo transformado numa pessoa mais afável, a cargo de um agente do governo e um filólogo.
A história foi adaptada por Ellison para o episódio Soldier, do seriado Quinta Dimensão (1964). Após a exibição de O Exterminador do Futuro, Harlan Ellison entrou com um processo por plágio contra as produtoras, e ganhou, sob a alegação de que partes da história foram copiadas do seu conto.


O episódio Soldado, da série Quinta Dimensão (Villa Di Stefano/ Daystar Productions/ United Artists Television).

Outro livro que apresenta uma guerra no tempo é A Última Fortaleza Terrestre (Earth’s Last Fortress, 1960), de A.E. Van Vogt, baseado no conto Recruiting Station (1942).

(Ace Books).

Trata-se de uma guerra entre os Gloriosos e os Planetarianos, senhores do tempo que vão ao século 20 para recrutar pessoas, queiram elas ou não, uma vez que os terrestres dessa época são absolutamente incapazes de agir contra a vontade dos homens do futuro. Os Gloriosos são uma espécie de aristocratas com imensos desejos de poder.
A história, ainda que não esteja entre as melhores de Van Vogt, apresenta alguns de seus artifícios mais comuns e ação alucinante, com seres com poderes mentais absurdos e uma sensação de paranoia constante. Tudo é controlado por seres muito poderosos, mas os Gloriosos e os Planetarianos nada são quando comparados aos verdadeiros manipuladores dos eventos. Van Vogt apresenta os acontecimentos sempre como sendo apenas uma fachada, com a verdade sempre encoberta por manobras temporais, mentiras psicologicamente escolhidas para serem aceitas como verdades.

Mas é claro que, mais recentemente, O Exterminador do Futuro leva a fama, justamente, por ter iniciado uma nova leva de produções com viagens no tempo. E porrada. A série de filmes é comentada no especial Os Robôs.

Veja a seguir alguns dos filmes que trataram o tema, para o melhor e para o pior.


O EXTERMINADOR DO SÉCULO 23 (Trancers, 1985)
Direção e produção de Charles Band, o primeiro de uma série de filmes de um dos mais conhecidos especialistas em produções pequenas e médias do cinema dos anos 1980/90 (Também conhecido pelos títulos: Trancers: O Tira do Futuro; Trancers: O Policial do Futuro; Future Cop). Também é um dos melhores dos filmes fraquinhos de Charles Band, ainda que copiando descaradamente elementos de Blade Runner e O Exterminador do Futuro.


Helen Hunt e Tim Thomerson (Empire Pictures/ Lexyn Productions).

O policial do ano 2247, Jack Deth (Tim Thomerson), retorna ao passado para evitar que um criminoso assassine os ancestrais dos governantes da futura cidade de Los Angeles, com isso fazendo com que eles desapareçam. A viagem no tempo é feita por um processo que envolve o uso de uma droga e a transferência da consciência da pessoa para um de seus ancestrais. Deth é ajudado em sua caça ao criminoso por uma jovem, interpretada pela ainda não famosa Helen Hunt, por quem se apaixona.
O bom humor e o clima de paródia ajudam muito o filme, mas não se espere demais.
As sequências foram: O Tira do Futuro (Trancers II: The Return of Jack Deth, 1991); Trancers – A Luta Pela Sobrevivência (Trancers III – Deth Lives, 1992); Fome de Sangue (Trancers 4: Jack of Swords, 1993. Também com o título: O Tira do Futuro 4: Mutantes na Idade Média); O Tira do Futuro 5 – A Volta Para Casa (Trancers 5: Sudden Deth, 1994); Trancers 6 (2002. Também com o título Trancers 6: Life After Deth).


O GUARDIÃO DO TEMPO (The Time Guardian, 1987)
Direção de Brian Hannant.
(Hemdale Film Corporation/ FGH/ International Film Management/ Chateau Productions Investments Limited).

Produção australiana que traz Dean Stockwell e Carrie Fisher no elenco, e pouco mais do que isso. No ano 4 mil e pedrada os últimos sobreviventes da raça humana lutam contra uma raça de ciborgues, também sobreviventes de uma guerra de nêutrons. A única forma que os humanos têm para se defender é por meio de sua última cidade, que tem a capacidade de viajar no tempo. Ela vai parar em 1988, num deserto da Austrália, onde travam a última batalha utilizando-se, de forma não explicada, da “força do tempo”. De quebra, um guerreiro ainda conhece uma bela terrestre do passado que resolve ficar com ele. Uma história que poderia ser bem aproveitada, mas que se perde completamente num roteiro confuso e comum. Pelo jeito, gastou-se muito dinheiro nos efeitos e cenários para nada. O título nacional confunde-se com o de Timecop (ver abaixo).


PERIGO NO FUTURO (Out of Time, 1988)
Direção de Robert Butler.
Produção feita para a TV como piloto de seriado que não foi adiante (Também com o título Ontem e Hoje). Um policial do ano 2088 segue um assassino numa viagem no tempo, 100 anos para o passado, e acaba ajudando seu próprio tataravô a se tornar um criminologista famoso. Uma história repleta de clichês, com péssimas interpretações e muitos furos no enredo, como a maneira inexplicável pela qual o detetive do futuro “acha” que o criminoso vai usar uma máquina do tempo. Bem chato. Uma curiosidade é a presença de Bill Maher no elenco, antes de ele se tornar conhecido como o apresentador do programa de entrevistas e debates Politically Incorrect, em 1993.


TIME RUNNER – A INVASÃO COMEÇA (Time Runner, 1993)
Direção de Michael Mazo.
(Excalibur Pictures/ North American Pictures).

Mark Hammill, o jovem herói da saga Guerra nas Estrelas, não conseguiu muito êxito no cinema depois de derrotar o Mal. Aqui, é o herói em mais um filme desconhecido, que chegou ao Brasil primeiro em vídeo com o título Time Runner, e depois na TV, com o título In Exile. Ele faz o papel de um capitão do espaço no ano futuro de 2022 ou por aí e, mais do que isso, um viajante do tempo que recua na história para tentar salvar a Terra de uma invasão alienígena. O líder da invasão é Brion James, um dos replicantes de Blade Runner, disfarçado de senador americano concorrendo à presidência do mundo. Para ajudar nosso herói, Rae Dawn Chong. Nada de novo, com um enredo confuso e muita pancadaria e tiros. A direção de Mazo não serve como credencial uma vez que ele foi o (ir)responsável pelos inacreditavelmente péssimos Guerreiro das Cinzas e Império das Cinzas.


APEX (A.P.E.X., 1994)
Direção de Phillip J. Roth.
(Green Communications).

No ano 2073, as viagens no tempo se tornaram possíveis e foram criados os APEX (Advanced Prototype Exploration, ou Protótipo Avançado de Exploração), robôs enviados no tempo para verificar as condições locais. Um tipo de robô é enviado especialmente para eliminar, literalmente, possíveis interferências no curso do tempo. No entanto, um acidente faz com que o portal do tempo permaneça ligado e robôs sejam constantemente enviados ao passado com a missão de limpar a interferência, o que inicia uma guerra entre robôs e humanos. Um filme tenebroso, de um diretor que se especializou em fazer filmes horrendos.




TIME TRAX – UM DETETIVE DO FUTURO (Time Trax, 1993/1994)
(Gary Nardino Productions/ Lorimar Television/ Warner Bros. Television).

Série com produção americana e australiana, criada por Harve Bennett, Jeffrey M. Hayes e Grant Rosenberg. A história começa no ano 2193, quando criminosos começam a desaparecer misteriosamente. O detetive Lambert (Dale Midkiff) investiga e descobre que existe uma máquina do tempo chamada Trax, construída por um gênio do mal, que está enviando os criminosos para o passado. Ele vai atrás deles, ajudado por um computador que se apresenta como a imagem holográfica de uma mulher (Elizabeth Alexander). Midkiff é absolutamente inexpressivo e o roteiro babaquinha, repleto de clichês. No Brasil, o piloto foi lançado em vídeo pela Warner, e a série apresentada na TV por assinatura. Harve Bennett já era um veterano das produções de TV, com O Homem Invisível (1975), Gemini Man (1976), O Homem de Seis Milhões de Dólares (1974/77), A Mulher Biônica (1976/77), além de ter produzido quatro filmes da série Jornada nas Estrelas. Grant Rosenberg começava sua carreira como produtor e ainda iria produzir Lois & Clark - As Novas Aventuras do Superman (1993/97), Poltergeist: O Legado (1996/99). Quinta Dimensão (1995/2002), Jeremiah (2002/2004), Eureka (2006/2012), entre outras séries. Jeffrey M. Hayes esteve envolvido na produção da série O Mundo Perdido (1999-2002), das minisséries 20.000 Léguas Submarinas (1997) e Pesadelos & Paisagens Noturnas (2006, baseado nos contos de Stephen King).


O GUARDIÃO DO TEMPO (Timecop, 1994)
Direção de Peter Hyams.
(Largo Entertainment/ JVC Entertainment/ Dark Horse Entertainment/ Renaissance Pictures).
Jean-Claude Van Damme já era um astro dos filmes de ação e porrada quando foi escolhido para ser o policial do tempo, na história que imagina que as viagens no tempo foram desenvolvidas em 1994, porém utilizadas de forma criminosa. Assim, é criado um departamento especial para impedir crimes e paradoxos temporais. O filme não é de todo ruim, e tem produção de Sam Raimi e direção do competente Hyams, além da participação do designer futurista Syd Mea, conhecido por seu trabalho em Blade Runner, Tron e Aliens.
O filme teve uma sequência com Timecop 2 – O Guardião do Tempo (Timecop 2: The Berlin Decision, 2003) e uma série de TV, Timecop (1997/98), que não durou nem uma temporada.



GUARDIÕES DO TEMPO (Tangents)
Direção de David Giancola.
(Edgewood Entertainment).

Também conhecido pelo título Time Chasers. Um cientista inventa a máquina do tempo, mas uma empresa começa a usar as viagens para alterar eventos, criando novas realidades e um mundo devastado e repleto de guerreiros. Um filme horroroso.


NEMESIS 2: A ÚLTIMA ESPERANÇA (Nemesis 2: Nebula, 1995)
Direção de Albert Pyun.
(Filmwerks/ Imperial Entertainment).

Nebula é o nome de um guerreiro androide que viaja do futuro para o nosso tempo em busca de uma jovem musculosa que foi levada do futuro por sua mãe. Ela é criada por uma tribo da África e, além de ter de enfrentar o guerreiro – que foi “chupado” descaradamente do guerreiro do filme Predador – envolve-se numa revolução local. Porque “a última esperança” do título nacional? Não sei! Por que colocam esses subtítulos nos filmes? Não sei! Por que fazem sequências de filmes medíocres? Não sei! Aliás, a história não tem nada a ver com o original. E ainda existe um terceiro, acreditem.


DRAGON FURY (Dragon Fury, 1995)
Direção de David Heavener.
(Troma Entertainment).
Esse é tão ruim que chega a doer, como sempre foi com os filmes da Troma Entertainment. Nem se deram ao trabalho de traduzir o titulo para o vídeo nacional. Num futuro em que a civilização foi arrasada após um terremoto, surge uma praga que mata os poucos sobreviventes, mas um herói fortão descola uma máquina no tempo para viajar ao passado e tentar encontrar uma cura. Mas, cá entre nós, se está tudo destruído, como surgiu uma máquina do tempo?



ASSASSINO DO TEMPO (Past Perfect, 1996)
Direção de Jonathan Heap.
(James Shavick Entertainment/ Past Perfect Productions Ltd.).

Nem parece o mesmo diretor do excelente curta Meio-Dia e Um, que também lida com questões temporais. Essa é uma história banal num filme péssimo sobre homens do futuro que são enviados ao passado para exterminar jovens membros de gangues violentas que, no futuro, irão se tornar assassinos violentíssimos.





O GRANDE DRAGÃO DO FUTURO (Future War, 1997)
Direção de Anthony Doublin.
(Cine Excel Entertainment/ Silver Screen International).

O título nacional tenta faturar algum crédito imitando o título de O Grande Dragão Branco (1988), sucesso com Jean-Claude Van Damme. Claro que não consegue. Nada nem ninguém conseguiria salvar essa produção podre sobre um escravo do futuro que foge para a Terra do presente, perseguido por exterminadores ciborgues ajudados por dinossauros. Inacreditável.



PROJETO KRONOS (Time Tracers, 1997)
Direção de Bret McCormick.
(Chase Regency).
Também conhecido como Time Chasers. Outra grande porcaria sobre milionário que desenvolve um projeto para realizar viagens no tempo, mas causa alterações temporais que podem exterminar nada menos do que o próprio universo.