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CASA DE DINAMITE

FILMES/Matérias

autorGilberto Schoereder
publicado porGilberto Schoereder
data04/11/2025
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Filme de Kathryn Bigelow retoma tema da Guerra Fria.

O filme dirigido por Kathryn Bigelow, Casa de Dinamite (A House of Dynamite, 2025), estreou na Netflix com grande audiência, mas também com muitas críticas negativas do público que, pelo que se pode ler nas redes sociais, esperava um final mais compreensível, com “respostas”, o que não era absolutamente a intenção da diretora e do roteirista Noah Oppenheim.
Talvez não por acaso, a produção surge em um momento em que as bravatas nucleares de Putin, Trump e Kim Jong Un – especialmente eles – ameaçam mais uma vez a estabilidade do planeta, de certa forma lembrando a corrida armamentista da Guerra Fria, nos anos 1950.
Também se insere em uma tradição cinematográfica da ficção científica voltada ao tema das ameaças nucleares, que teve momentos bem melhores do que este, em particular com filmes como Limite de Segurança (Fail Safe, 1964) e Dr. Fantástico (Dr. Strangelove, 1964).

Rebecca Ferguson, como a Capitã Olivia Walker, trabalhando na Sala de Crise da Casa Branca (First Light Productions/ Netflix/ Prologue Entertainment).

A história segue o que acontece durante poucos minutos após ter sido detectado um míssil que se dirige para os Estados Unidos, vindo de algum lugar indeterminado no Oceano Pacífico. Um problema em um radar impede que seja localizado o ponto de lançamento, de modo que os militares não conseguem saber se veio da Rússia, da China ou da Coreia do Norte. E eles precisam tomar uma decisão sobre o que fazer: retaliar imediatamente, ou não. Mas, retaliar quem?
A mesma situação é repetida três vezes sob pontos de vista diferentes, culminando na necessidade do presidente dos Estados Unidos (Idris Elba) tomar a decisão de ordenar ou não o ataque retaliatório. A escolha do formato é interessante e mantém o suspense, mostrando as diferentes reações dos personagens a uma situação que, nesse ponto de nossa história, todos julgavam ter sido ultrapassada. Mas, aparentemente, a loucura dos humanos não tem limites.
Também é um chamado a uma discussão sobre o poder que poucas, pouquíssimas, pessoas têm de decidir sobre nossas vidas. E não apenas sobre o que devemos ou não consumir – os humanos parecem ter se adaptado a isso – mas sobre nossa existência física. E se os humanos são loucos, os que detêm o poder são ainda mais, e isso é certamente um grande problema para nós, os menos loucos.
Não me parece que o filme vai se tornar um clássico do gênero como os que foram citados acima, mas é bem interessante. Claro, desde que quem for assistir não esteja esperando uma história com começo, meio e fim, ou algo seguro e que não vá incomodar.