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LONGAS VIAGENS

ESPECIAIS/VE COLONIZAÇÃO ESPACIAL

autorGilberto Schoereder
publicado porGilberto Schoereder
data17/05/2019
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As histórias de ficção científica que lidam com viagens espaciais envolvendo grandes distâncias e que, ao mesmo tempo, não utilizam o recurso dos deslocamentos a velocidades maiores do que a da luz, encontraram algumas soluções interessantes.
Foi assim que surgiram as histórias das chamadas naves geracionais, das naves que transportam passageiros em estado de animação suspensa, ou mesmo das naves que transportam células, humanas ou não, a serem implantadas no mundo a ser atingido.

Arte mostrando o interior de um Cilindro de O'Neill (Donald Davis/ NASA).

Parece haver consenso na afirmação de que o primeiro a desenvolver o conceito de uma nave geracional foi Konstantin Tsiolkovsky, no ensaio The Future of Earth and Mankind (1928). Já o cientista John Desmond Bernal, na obra The World, the Flesh and the Devil (1929), propôs um tipo de habitação espacial que, mais tarde, ficou conhecida como esfera de Bernal, imaginando a possibilidade de um grupo de humanos viver nesse ambiente por longos períodos, com a gravidade sendo criada pela rotação da construção. Um princípio semelhante é o do cilindro de O’Neill, proposto pelo físico Gerard K. O’Neill no livro The High Frontier: Human Colonies in Space (1976).

The Voyage that Lasted 600 Years, em Amazing Stories (Capa: Leo Morey).

Essas diferentes formas de se atingir sistemas estelares distantes foram amplamente utilizadas pela ficção científica e, segundo Peter Nicholls (em The Science Fiction Encyclopedia), provavelmente a história mais antiga na FC é The Voyage that Lasted 600 Years (1940), de Don Wilcox, publicada em Amazing Stories, definindo um tema que se tornou dominante no gênero. Uma nave está percorrendo o espaço e as gerações a bordo se sucedem. Apenas o capitão está em hibernação e acorda a cada 100 anos para conferir o progresso da missão, e a cada vez percebe imensas mudanças sociais, com a formação de tribos, com o aumento da brutalidade, uma praga que se instala a bordo. Até mesmo sua aparição a cada século se torna objeto de um medo supersticioso entre as tribos.

                                                                                                                                         (Capa: Hubert Rogers).

Outra história que apresentou uma variação do tema e que se tornou dominante foi Universe (1941), de Robert A. Heinlein, e a sequência, Common Sense (1941), publicadas em Astounding Science Fiction. Posteriormente, os contos foram publicados como o livro Orphans of the Sky (1963), e o tema é o da nave geracional cujos ocupantes, com o passar do tempo, perdem o conhecimento de que estão vivendo em uma nave. Aqui, organizaram-se em uma sociedade rigidamente estratificada e supersticiosa. Os viajantes acreditam que a “Nave” representa todo o universo, de modo que algumas expressões e conceitos que persistem desde o início do trajeto, como referências à “viagem”, são consideradas metáforas religiosas. Muitas funções que mantêm a nave funcionando continuam sendo executadas, porém como parte de rituais, sem que as pessoas tenham conhecimento real e técnico do que estão fazendo.
Também existem mutantes que são caçados pelos demais, mas é um deles, um mutante com duas cabeças e duas personalidades distintas, que descobre o verdadeiro objetivo da nave, o de colonizar um planeta distante, e convence um não mutante a respeito da verdade.

Em 1946, Arthur C. Clarke também escreveu uma história que diz respeito à determinação dos seres humanos em colonizar outros planetas, mas no caso devido a uma necessidade absoluta, uma vez que o Sol está para se tornar uma Nova e acabar com a vida no sistema. Trata-se do conto Grupo de Salvamento (Rescue Party), que também diz respeito ao contato com extraterrestres (para saber mais sobre o conto ver a matéria Sem Más Intenções).
 

(Capa: Charles Schneeman).                                                                       (Capa: Paul E. Wenzel).

A.E. Van Vogt também elaborou histórias sobre o tema a partir de 1944, com o conto Longínquo Centauro (Far Centaurus), publicado originalmente em Astounding Science Fiction e, depois, na coletânea Rumo ao Universo. Narra uma viagem realizada por uma nave no século 23, em direção a Alfa Centauro, após um cientista desenvolver uma droga que pode fazer o corpo humano entrar em estado de hibernação que dura décadas. Alguns astronautas fazem a viagem, acordando de tempos em tempos e novamente tomando a droga, além de enfrentarem problemas a bordo. No entanto, quando chegam ao seu destino, descobrem que os humanos já estão por lá, uma vez que descobriram outra forma de viajar por longas distâncias no espaço, podendo atingir Alfa Centauro em três horas.
O autor voltaria ao tema em 1947, com o conto Centaurus II, publicado em Astounding Science Fiction; com Rogue Ship (1950), publicado em Super Science Stories; e com The Expendables (1963), publicado na revista If. Como era comum com o autor, os contos formaram o livro A Astronave Pirata (Rogue Ship, 1965), que não se encontra entre os melhores do escritor.

(Capa: Gerard Quinn).

Peter Nicholls (em The Science Fiction Encyclopedia) diz que o escritor Brian W. Aldiss adorava o tema das naves geracionais, mas entendeu que ele não foi bem desenvolvido no livro de Heinlein. Assim, resolveu desenvolver sua própria ideia em seu primeiro livro, Nave-Mundo (Non-Stop, 1958; depois, também publicado com o título Starship), o que fez de forma mais complexa e sutil. A primeira versão da história, mais curta, surgiu em 1956, na revista Science Fantasy.
O livro é excelente e, ainda hoje, um dos melhores no gênero. Começa apresentando o personagem Roy Complain, da tribo Greene da Nave, um caçador insatisfeito com sua vida e com os rumos que sua tribo segue. A tribo é uma das várias que existem em Nave, ou o mundo, vivendo como seminômades nos alojamentos, utilizando os pônicos (hidropônicos) como alimento e local de caça. As plantas ocupam os corredores e crescem rapidamente.

                                                                                                                                                                     (Capa: Fred Gambino/ Gollancz-Orion).

Em Nave existe um conjunto de lendas sobre terráqueos e sobre “coisas estranhas” que estão em outras partes do seu mundo. A tribo é dirigida por um tenente Green, descendente do Greene fundador. Ele é o chefe absoluto e as normas e leis a serem seguidas são rígidas. A verdadeira história da Nave encontra-se escondida por trás das lendas sobre Gigantes, acontecimentos e lugares distantes e incompreensíveis para um povo que se tornou um tanto simples e ignorante, basicamente preocupado com a sobrevivência e com pouca tendência a atitudes sentimentais.
Complain é convencido pelo padre Marapper a juntar-se ao seu pequeno grupo e fugir da tribo, numa viagem pelos “Caminhos Mortos”, através da nave. Ele tem um antigo livro dos “gigantes” e seu plano é dominar toda a nave. O livro traz o plano da nave, indicando o local de comando, e ele pretende descobri-lo e levar a Nave para algum mundo natural e não artificial, como ela.

(Capa: Mark Salwowski/ Grafton).

A jornada é sensacional, com outras pessoas diferentes sendo encontradas, e muitas revelações a respeito da verdadeira natureza do mundo em que se encontram.
Em Science Fiction: The 100 Best Novels, David Pringle diz que esse não foi o primeiro livro sobre naves geracionais, mas provavelmente ainda é a melhor abordagem já elaborada para o tema. Segundo ele, o livro difere da maioria das histórias de fc de sua época por ter um tom anti-heroico. “O personagem central, Roy Complain, parece insignificante, malvado, vingativo, e um tanto estúpido, embora ele cresça em estatura moral conforme a narrativa se desenvolve. Por outro lado, todos os personagens são insignificantes e malvados, confinados em suas circunstâncias peculiares. Como os livros posteriores de Aldiss, este é, essencialmente, um livro sobre ‘pequenas pessoas’; neste caso, nós descobrimos que elas são pequenas metaforicamente e literalmente, desde que poucos personagens tem mais de um metro e meio de altura”.
E David Pringle ainda diz que Nave-Mundo oferece uma série de prazeres convencionais da fc, mas faz mais do que isso. “Ao contrário do livro de Heinlein, ele se recusa a solucionar a si mesmo em um final feliz e com a realização dos desejos. Os personagens descobrem que são vítimas de uma piada cósmica: as ironias são muitas, e a luta continua”.

                                                                                                                                                                                       (Capa: Frank R. Paul).

Peter Nicholls cita o conto Spacebred Generations (1953), de Clifford D. Simak, como uma das primeiras histórias a seguir o tema, sendo publicado originalmente em Science Fiction Plus (e, depois, com o título Target Generation), com a história de uma nave geracional que viaja por mil anos e para repentinamente. Um homem, considerado um “pecador” que pode ler livros, arrisca sua vida para completar a missão.
No site "The Generation Starships Project", Zachary Kendal diz que o conto de Simak é apresentado, de várias formas, como uma solução possível para os problemas envolvendo uma viagem multigeracional. Segundo ele explica, Simak imaginou que os construtores da nave geracional intencionalmente criaram uma cultura local de ignorância para a população pacífica, além de instalarem um sistema religioso que permita que se sintam confortados. “Segundo Simak”, diz Kendal, “apenas o esquecimento sobre a Terra e a história humana pode permitir que a população sobreviva à jornada sem sofrer traumas psicológicos terríveis”.
No mesmo site, Simon Caroti entende que a estrutura da história de Simak é bem parecida com a dos contos de Robert A. Heinlein citados anteriormente, com um protagonista que questiona pontos importantes em uma sociedade que se esqueceu de tudo, menos de sua religião estática e da vida doméstica.

O escritor britânico Edmund Cooper escreveu muitas histórias que têm como pano de fundo a destruição total ou parcial do planeta, e mais uma vez esse foi o ambiente de A Astronave da Esperança (Seed of Light, 1959). Com a Terra tornada inabitável, os humanos partem para o espaço em uma nave, tentando sobreviver em outro mundo. Não é um dos melhores momentos do autor.
 

(Capa: Alan Gutierrez/ Ace Books).

Mas foi em 1969 que surgiu outra grande obra tratando do tema naves geracionais: Universo Cativo (Captive Universe), de Harry Harrison. É o livro em que, como explica Peter Nicholls, uma tripulação de colonizadores foi transformada, em um ato insano de engenharia cultural, em monges medievais e em camponeses astecas. E a história inicia-se em uma aldeia asteca, em um vale que, segundo a tradição, foi isolado do mundo devido a um terremoto enviado por deus. Quem tenta abandonar o vale, como o pai do jovem Chimal – é morto pela deusa serpente de duas cabeças, Coatlicue.
Chimal é o personagem que contesta, o inconformado com a situação estática da sociedade e com desejo de conhecimento, de saber o que existe além. Ele também sabe que esses acontecimentos são reais, ou seja, as pessoas realmente são mortas, e ele próprio passa por uma experiência ao se dirigir a um local proibido e receber um raio dourado na cabeça. Ele consegue se esconder e escapar à perseguição da deusa, descobrindo uma passagem secreta e encontrando seres humanos desconhecidos que possuem uma tecnologia avançada e que tentam matá-lo com uma arma. Como o povo do vale, esses humanos, que se intitulam Vigilantes, também vivem em uma sociedade fechada com regras que seguem à risca, venerando um deus que chamam de Grande Inventor. Ao se deslocar pelo mundo subterrâneo, Chimal fica sabendo que os Vigilantes vigiam o vale dos astecas, que o sol e o céu são artificiais. O Grande Inventor, segundo dizem, construiu aquele mundo artificial e lançou-o ao espaço. Chimal acaba sendo recebido como alguém especial, “o primeiro a chegar”, e assim é levado a um lugar onde receberá informações sobre a viagem.

                                                                                                                                                                        (Capa: Paul Lehr/ G. P. Putnam's Sons).

Quando recebe as informações, Chimal percebe o que está errado. O mundo-nave é, na verdade, um asteroide utilizado como nave espacial e que deveria chegar a Próxima Centauri após uma jornada de 500 anos. Mas já se passaram 510 anos e a nave segue em outro direção, com o curso sendo alterado quando o sistema de controle da nave percebeu que nenhum dos planetas do sistema era habitável, ainda que tenha sido uma decisão baseada na fé, uma vez que os planetas só foram observados de longe pelos telescópios.
Ao final, Chimal consegue modificar o sistema social da nave, derrubando a barreira que separa os povos e fazendo a nave retornar. Mas ele sabe que apenas na próxima geração as crianças poderão se libertar completamente dos preconceitos que regem as duas sociedades.

 


VEJA A SEGUIR MAIS HISTÓRIAS DO GÊNERO

 


GERAÇÃO GALÁCTICA (The Space Born, 1956)

E.C. Tubb.

(Capa: Lima de Freitas).

Livro publicado pela Coleção Argonauta, de Portugal. Originalmente, publicado em três partes na revista New Worlds Science Fiction, em 1955, com o título Star Ship. Conta a história da décima sexta geração a bordo de uma imensa nave geracional, em uma viagem de 300 anos em direção à estrela Pólux, já tendo esquecido seu objetivo inicial.

 

 

 

 


PERDIDOS NO ESPAÇO (Lost in Space, 1965-1968)

Criação de Irwin Allen.

Os tripulantes em seus módulos de animação suspensa (20th Century Fox Television/ CBS/ Irwin Allen Productions/ Jodi Productions Inc./ Space Productions/ Van Bernard Productions).

Um dos seriados de TV mais populares dos anos 1960, e ainda hoje com um grande número de admiradores. Também rendeu um filme em 1998, e outra série em 2018, apresentada pela Netflix.
A história começa com a viagem da nave Jupiter 2 em direção a Alpha Centauri, tripulada pela família Robinson. Eles deverão ser os primeiros colonos me um planeta semelhante à Terra orbitando a estrela, e como a viagem durará mais de cinco anos, eles são colocados em módulos e ficarão em estado de animação suspensa até chegarem ao seu destino.
Como quase todo mundo já deve saber, o dr. Smith sabota o projeto, fica preso na nave, causa sua mudança de curso e precisa acordar todo mundo para não morrerem todos.


SPACEFLIGHT IC-1: AN ADVENTURE IN SPACE (1965)

Direção de Bernard Knowles.

(Lippert Films).

Produção inglesa bem fraquinha. Uma espaçonave parte da Terra com a intenção de encontrar um planeta que possa ser colonizado, resolvendo o problema de superpopulação em nosso planeta. Algumas pessoas são colocadas em estado de animação suspensa, e a tripulação é escolhida a partir de uma seleção que leva em conta a saúde e conhecimento técnico, e só podem procriar seguindo uma programação planejada cuidadosamente. Um capitão autoritário provoca uma crise na nave, mas no fim tudo acaba bem.
Apenas como curiosidade, Bernard Knowles foi o diretor não-creditado do filme dos Beatles, Magical Mystery Tour.
 


STARLOST – ESTRELA PERDIDA (The Starlost, 1973-1974)

Criação de Harlan Ellison (com o pseudônimo Cordwainer Bird).

(20th Century Fox Television/ CTV Television Network/ Glen Warren Productions).

Produção canadense criada e escrita pelo autor de fc Harlan Ellison, seguindo o conceito de uma nave geracional, no caso construída para escapar à provável destruição da Terra. A nave gigantesca, com mais de 300 quilômetros de comprimento e 80 de largura, abriga diversas culturas terrestres em busca de um mundo habitável. No entanto, em 2385, quando a nave já viajava por cerca de 100 anos, um acidente coloca os sistemas da nave em emergência, selando as diferentes biosferas e mantendo-as isoladas umas das outras. A história segue até 2790, quando um residente de uma comunidade descobre que a sociedade em que vive não é todo o mundo.
A série teve problemas e durou apenas uma temporada, com Ellison renegando o projeto após seu conceito original ter sido bastante modificado. O roteiro original, que não chegou a ser filmado, ganhou o prêmio de melhor roteiro para episódio dramático do Writers’ Guild of America e, posteriormente, foi publicado com o título Phoenix Without Ashes, na coletânea Faster Than Light, editada por Jack Dann e George Zebrowski.


THE BOOK OF THE LONG SUN (1993-1996)

Gene Wolfe.

(Capa: Richard Bober/ Tor Books).

Uma série de quatro livros, às vezes apresentados como dois volumes, ou um livro dividido em quatro partes, conforme a edição: Nightside the Long Sun (1993); Lake of the Long Sun (1994); Caldé of the Long Sun (1994); Exodus from the Long Sun (1996). A edição em dois volumes foi publicada em 2000: Litany of the Long Sun (livros 1 e 2); Epiphany of the Long Sun (livros 3 e 4). O ambiente está de alguma forma relacionado com sua espetacular série anterior, O Livro do Novo Sol (1980-1987).
Os livros tiveram outra série como sequência, The Book of the Short Sun (1999-2001), formado pelos volumes: On Blue’s Waters (1999); In Green’s Jungles (2000); Return to the Whorl (2001).
Basicamente, a primeira série situa-se em uma nave geracional chamada Whorl, e a segunda centra-se nos habitantes da nave após a longa viagem pelo espaço. Tem em comum com algumas histórias precedentes do gênero o fato dos habitantes da nave terem esquecido que estão em uma nave. O sistema estelar ao qual a nave chega possui dois planetas habitáveis, conhecidos apenas como Blue e Green (azul e verde, de acordo com a aparência que apresentam do espaço).
A nave segue a forma do chamado “cilindro de O’Neill”, a habitação espacial imaginada pelo físico Gerard K. O’Neill e bastante utilizada na ficção científica. A nave Whorl leva milhões de habitantes, tendo partido 330 anos antes, e é governada por uma Inteligência Artificial que desenvolve uma religião local composto por um panteão de deuses adorados pelos habitantes, espalhados por diferentes cidades.
Gene Wolfe é considerado entre os melhores escritores do gênero, e essa obra entre o que ele fez de melhor. Infelizmente, ao contrário da série O Livro do Novo Sol, essa não teve lançamento em português.


BUILDING HARLEQUIN’S MOON (2005)

Larry Niven e Brenda Cooper.

(Capa: Stephan Martiniere/ Tor Books).

História situada centenas de anos no futuro, quando tecnologias avançadas já são utilizadas em todo o sistema solar. Um grupo de pessoas resolve viver em outro planeta, distante das tecnologias que envolvem inteligência artificial e nanotecnologia, e construir uma civilização diferente. Para tanto, embarcam em três naves-arca com destino a um planeta chamado Ymir, viajando em animação suspensa.
Uma das naves tem um problema e fica pelo caminho, mas consegue criar uma lua próxima à estrela Harlequin, iniciando um processo de terraformação que dura cerca de 60 mil anos, período durante o qual a maior parte da tripulação permanece em hibernação.


PANDORUM (Pandorum, 2009)

Direção de Christian Alvart.

(Constantin Film/ Impact Pictures/ Studio Babelsberg/ Summit Entertainment).

Um filme bem interessante na linha das naves geracionais, no caso, a nave Elysium, construída para tentar colonizar outro planeta num momento em que a Terra está com excesso de população e os alimentos começam a ficar escassos. Escolhem como destino o planeta Tanis, recém-descoberto, e 60 mil pessoas são escolhidas para fazer parte da jornada de 123 anos. São colocadas em estado de animação suspensa, com equipes de tripulantes acordando de tempos em tempos para cuidar da manutenção da nave.
Mas algo dá errado e, quando o cabo Bower (Ben Foster) acorda, percebe que está sozinho e, por algum motivo, o resto da equipe não acordou.
A animação suspensa tem um efeito colateral, que é a perda de partes da memória. Bower consegue acordar o tenente Payton (Dennis Quaid), e inicia uma longa viagem pela imensa nave para tentar descobrir o que está acontecendo. Encontra seres horrendos, fortes e rápidos, que se espalham pela nave e que estão se alimentando dos passageiros mantidos em hibernação.
O filme tem alguns problemas, com algumas cenas mal resolvidas, mas as criaturas foram bem desenvolvidas, os atores são bons e a história muito legal, com a tradicional “revelação final”: descobrem que a nave já tinha chegado a Tanis 800 anos atrás, descendo em um oceano.


PASSAGEIROS (Passengers, 2016)

Direção de Morten Tyldum.

(Village Roadshow Pictures/ Original Film/ Company Films/ Start Motion Pictures/ Columbia Pictures/ Wanda Pictures).

Filme muito bom com Jennifer Lawrence e Chris Pratt. A história é situada em um futuro em que viagens espaciais entre sistemas estelares distantes tornaram-se comuns. A nave Avalon está realizando uma viagem de 120 anos para uma colônia terrestre levando cinco mil passageiros e centenas de tripulantes, todos em estado de animação suspensa.
Em algum ponto da viagem a nave sofre uma avaria e uma das consequências é despertar o passageiro Jim Preston (Chris Pratt) antes do tempo. Ele se vê sozinho na imensa espaçonave, sem conseguir acessar o local onde estão hibernando os membros da tripulação e, sem ter conhecimento técnico para fazer seu casulo de hibernação voltar a funcionar, tenta manter-se são. A nave providencia tudo o que ele precisa, inclusive água e alimentação, mas ainda faltam 90 anos para chegar ao destino. Sabendo que irá viver e morrer sozinho, ele chega a pensar em suicídio, mas acaba encontrando algum consolo na presença do androide barman Arthur (Michael Sheen) e, posteriormente, apaixona-se pela passageira Aurora Lane (Lawrence) após vê-la hibernando em seu casulo e ver seus arquivos de vídeo.

Chris Pratt e Jennifer Lawrence, com problemas e sozinhos.

Jim passa um longo tempo lutando contra sua consciência, querendo despertar Aurora para ter companhia, mas após um ano solitário, ele não resiste, e a acorda. A partir daí, os dois começam a se conhecer melhor, até estabelecer um relacionamento, quebrado quando ela fica sabendo que ele a acordou de propósito.
A parte mais difícil fica para quando os problemas na nave aumentam, acordando também um membro da tripulação, Gus Mancuso (Laurence Fishburne), quando percebem que o estrago foi imenso e a nave está em perigo.
O filme foi muito bem nas bilheterias, ainda que nem sempre tão bem recebido pela crítica, mas é muito legal, em particular na questão moral que apresenta ao personagem, imaginando uma vida inteira em solidão ou cometer um ato que condenará outra à mesma situação.