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ALTERANDO O PASSADO

FILMES/VE Viagens no Tempo

autorGilberto Schoereder
publicado porGilberto Schoereder
data5/10/2017
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De Volta Para o Futuro.

Se existem viagens no tempo, certamente existem pessoas tentando alterar o passado de alguma forma. E também existem pessoas tentando manter o passado do jeito que ele é... foi... deveria ser. Enfim...
A ideia é que alterando certos eventos no passado, obviamente será alterado o presente. Algumas histórias trazem o conceito de que o passado não pode ser alterado, pois qualquer ação que um eventual viajante do tempo exerça no passado, já faz parte dele, e nada será mudado. Evitam-se, assim, os paradoxos e complicações das viagens no tempo.
Outras histórias trazem o conceito de que o passado pode ser alterado, alterando igualmente o presente e o futuro. Às vezes, o resultado de uma alteração é visto como uma linha temporal diferente, um universo paralelo ao nosso. Outras vezes, não.
Quaisquer alterações no passado também têm relação com os paradoxos temporais e com o que se convencionou chamar de “arcos fechados no tempo”, uma “repetição causal” em que um acontecimento é causado por ele mesmo, de modo que não se pode determinar qual é a causa e qual é o efeito.
Seja como for, existem inúmeras histórias que têm como motivo principal a tentativa de modificar uma ou várias situações no passado, para obter algum tipo de vantagem no presente. E, é claro, sempre existem aqueles que tentam evitar qualquer modificação. Houve uma época no cinema de ficção científica em que essas tentativas de um lado e de outro se tornaram comuns, especialmente após o sucesso de O Exterminador do Futuro. Foi um festival de filmes, geralmente com os atores fortões, em que pessoas iam para o passado ou vinham do futuro para o nosso presente tentando dar um jeitinho em alguma situação incômoda.
Em The Science Fiction Encyclopedia, o editor e crítico inglês Malcolm J. Edwards, diz que a maioria das histórias de ficção científica que lidam com as viagens no tempo ignoram ou se esquiva das questões referentes aos possíveis paradoxos utilizando artifícios como o da “polícia temporal”, ou simplesmente afirmando que os paradoxos não podem ocorrer porque “eles não ocorreram”.

Um dos exemplos mais conhecidos do que Edwards chamou de “polícia do tempo” é a série de histórias de Poul Anderson com a Patrulha do Tempo, a maioria publicada nos livros Os Guardiões do Tempo e Patrulheiro do Tempo.
O primeiro livro traz histórias escritas entre 1955 e 1975, com o personagem central Manse Everard, do século 20, sendo contatado para fazer parte da Patrulha do Tempo, um grupo de viajantes do tempo que se deslocam para as mais diversas épocas da humanidade tentando evitar alterações no rumo da história, uma vez que também existem aqueles viajantes do tempo que desejam mudar a história para obter algum tipo de vantagem.
O segundo livro traz mais duas histórias, também com Manse Everard servindo à Patrulha do Tempo e com o viajante Carl Farness, e mais uma vez com excelentes reconstituições de época e narrativa muito boa.
Outras histórias foram escritas por Poul Anderson entre 1988 e 1995, assim como novas histórias foram adicionadas por outros escritores, abrangendo o mesmo universo da Patrulha do Tempo: A Slip in Time, de S.M Stirling; Christmas in Gondwanaland, de Robert Silverberg; e The Far End, de Larry Niven.


Isaac Asimov também lidou com a questão em seu romance O Fim da Eternidade (1955). No caso, não se trata exatamente de uma “polícia do tempo”. Ainda assim, viajantes do tempo do futuro constroem a Eternidade, uma estrutura situada fora do tempo, a partir da qual são realizadas viagens no tempo cobrindo um período de 150 mil anos, com as pessoas que trabalham ali sendo escolhidas em diferentes séculos e treinados para suas funções desde a infância.
Os técnicos, também conhecidos como “eternos” têm, entre suas funções, introduzir pequenas alterações na realidade, transformando-a para melhor, evitando guerras e outros problemas que possam causar sofrimento às populações de cada período. Especialistas estudam cuidadosamente cada evento a ser corrigido, escolhendo exatamente quais alterações, e quando, deverão ser feitas, de forma a causar a menor perturbação possível na realidade. Depois de realizada a transformação, toda a realidade é alterada, e as pessoas daquele segmento de tempo sequer têm ideia disso, continuando a viver suas vidas sem perceber qualquer diferença.
A história segue as atividades de um dos principais técnicos, Andrew Harlan, que foge às regras da Eternidade ao se apaixonar por uma mulher e, sabendo que as alterações em seu tempo irão removê-la da história, resolve transportá-la para outro período, escondendo-a dos superiores.

Capa da primeira edição (Doubleday).

A trama é complexa, envolvendo possíveis paradoxos temporais. Por exemplo, numa das operações delicadas que os eternos têm de resolver, eles precisam encontrar um jovem num dos segmentos do tempo, ensinar-lhe as noções matemáticas que tornam possíveis as viagens no tempo, e enviá-lo para o século 24, quando ele se tornará a pessoa responsável pelo surgimento das equações que tornarão possíveis as viagens no tempo, fechando um círculo no tempo em que não é possível determinar o que é a causa e o que é o efeito.

Uma patrulha do tempo também aparece no livro O Correio do Tempo (1969), de Robert Silverberg. Apresenta o personagem Jud Elliott, cujo trabalho é levar turistas para viagens no tempo, mais especificamente para o passado de Bizâncio/ Constantinopla. Além de ter de cuidar com as bobagens que os turistas possam fazer no passado, também tem de lidar com seus colegas, que também tentam provocar alterações no passado. E, para isso, às vezes ele precisa fugir às regras, para não chamar a atenção da patrulha do tempo.
No entanto, ele mesmo se vê em apuros quando se apaixona por uma mulher que era sua ancestral, criando paradoxos temporais e sendo perseguido pela patrulha do tempo.

A linha do tempo também foi protegida por agentes interdimensionais, no seriado inglês Sapphire & Steel, que foi ao ar entre 1979 e 1982. Até onde pude averiguar, jamais foi apresentado no Brasil.


Joanna Lumley e David McCallum, em Sapphire & Steel (ATV).

Trazia David McCallum e Joanna Lumley como os agentes Steel e Sapphire, seres elementais que se materializavam em forma humana para resolver uma série de eventos que ameaçavam a ordem natural das coisas, ameaças ao fluxo do tempo, ou mesmo ameaças do próprio Tempo. Segundo o enredo, existem pontos fracos por onde o Tempo pode irromper no tempo presente, assim como criaturas que vivem no início e no final do tempo que o percorrem, procurando os pontos fracos por onde podem atravessar para o presente.
A própria Sapphire explica que o tempo é um corredor e que, de vez em quando, o próprio Tempo tenta entrar no Presente para pegar coisas ou pessoas.

(James D. Parriott Productions/ Scholastic Productions/ Universal Television).

Um grupo de viajantes surgiu no seriado Voyagers – Os Viajantes do Tempo, criado por James D. Parriot e exibido entre 1982 e 1983. O jovem Jeffrey Jones (Meeno Peluce) junta-se a Phineas Bogg (Jon-Erik Hexum), que pertence a um grupo de viajantes do tempo chamado Voyagers, para percorrer vários períodos do tempo para corrigir eventuais problemas no curso da história. Para se deslocar, eles utilizam um pequeno aparelho chamado Omni; quando chegam a uma época em que os acontecimentos não seguem de acordo com o que já foi descrito nos livros, o Omni acende uma luz vermelha, e eles têm de consertar o que estiver errado. O piloto do seriado também foi apresentado como longa para TV, com o título Viajantes do Tempo (Voyagers From the Unknown, 1982). Não chegou a ser muito famoso, durando apenas 20 episódios. Mais recentemente, a série foi lançada em DVD no Brasil.

Outra história que, infelizmente, não chegou ao Brasil, é A Tale of Time City (1987), livro da fantástica escritora Diana Wynne Jones, mais conhecida pela série Os Mundos de Crestomanci.

Capa da primeira edição britânica (Methuen).

 A Time City do título, ou Cidade do Tempo, é um local que tem como função inspecionar o curso da história, cuidando para que nenhuma alteração indevida seja introduzida no tempo. Assim, aqui também existe uma “polícia do tempo” e observadores cuja função é ajustar os eventos e manter as coisas em seus devidos lugares.

Uma das personagens centrais é a jovem Vivian Smith que, em 1939, durante a Segunda Guerra Mundial, está sendo evacuada de Londres, mas é sequestrada por dois garotos, Jonathan e Sam, e levada à Time City, a cidade que fica fora do tempo, à beira da história. Os dois rapazes achavam que ela era uma figura lendária da cidade, mas estavam enganados, e Vivian teve de ser mantida escondida, para que a polícia do tempo não descobrisse o que eles fizeram. Os três acabam se envolvendo numa aventura pelo tempo, em busca de quatro objetos que mantêm a cidade operando.

(BBC/ Carnival Film & Television).

O conceito de voltar no tempo para obter alguma vantagem também foi utilizado no seriado inglês de curta duração, Crime Traveller (1997), criado por Anthony Horowitz. Não existe uma polícia temporal, mas um detetive que consegue resolver os crimes fazendo viagens no tempo para o passado. A máquina em questão foi construída pelo pai da oficial de ciência do departamento de polícia no qual o detetive trabalha, e os dois aproveitam para retornar no tempo algumas horas e ver os crimes em sua origem.
Outra produção inglesa, o seriado Paradox (2009), também traz detetives tentando solucionar crimes, mas esses recebem imagens catastróficas do futuro e tentam impedir os eventos. A série teve uma péssima recepção da crítica e do público e foi cancelada no mesmo ano.

Outro grupo de pessoas tentando “arrumar” a história a seu favor foi apresentado no seriado Seven Days (1998-2001), criado por Christopher Crowe e Zachary Crowe. No Brasil, a série chegou a ter alguns episódios exibidos no extinto canal TeleUno em 1999, que, após a venda para a Sony, se transformou no AXN.

(Paramount Network Television Productions).


A história gira em torno da Operação Resgate, um projeto secreto organizado pelo governo e cientistas, a partir de tecnologia obtida da nave espacial extraterrestre que caiu em Roswell, em 1947. O grupo consegue construir uma máquina do tempo que consegue fazer com que uma pessoa recue no tempo até sete dias. O objetivo é modificar eventos catastróficos, como o que ocorre já no primeiro episódio; o presidente e o vice-presidente dos EUA, assim como o Secretário de Estado, são assassinados num atentado terrorista.
A máquina ainda não está totalmente operacional, mas eles resolvem fazê-la funcionar assim mesmo, e o escolhido para as viagens é um ex-agente da CIA bastante problemático, Frank Parker, interpretado por Jonathan LaPaglia. E as viagens que faz ao passado também provocam pequenas alterações na própria vida do agente, quando ele retorna ao presente.

Um dos grupos mais recentes de viajantes do tempo foi o da série espanhola O Ministério do Tempo (El Ministerio del Tiempo, 2015-2017), que foi comprada pela Netflix para exibição mundial.

(Cliffhanger/ Netflix/ Onza Partners/ Televisión Española).


A série foi criada por Javier Olivares e Pablo Olivares, e imagina a existência do Ministério do Tempo, uma organização governamental secreta que tem como objetivo detectar e corrigir problemas causados pelas viagens no tempo. Os patrulheiros responsáveis pelo controle do tempo devem observar atentamente as “portas do tempo” para que pessoas vindas de outras épocas não modifiquem o rumo dos acontecimentos para seu próprio benefício.

Existem histórias em que os viajantes do tempo não se deslocam necessariamente para alterar o passado ou o futuro, mas para observar momentos específicos da história.
Uma das primeiras a tratar o tema foi Vintage Season (1946), publicada sob o pseudônimo de Lawrence O’Donnell, na verdade o trabalho conjunto do casal Catherine L. Moore e Henry Kuttner, ainda que algumas fontes indiquem que o livro foi inteiramente escrito por Moore.
O enredo se desenvolve numa pequena cidade dos EUA, onde o proprietário de uma antiga mansão aluga a casa para três pessoas, um homem e duas mulheres, e logo essas pessoas começam a fascinar o proprietário, não apenas por sua aparência, mas também por atitudes diferentes do que seria de se esperar de alguém que vivesse em meados do século 20. Além disso, eles parecem ter conhecimentos superiores sobre quase todos os assuntos e mantêm segredo sobre sua origem.
Com o passar dos dias, o proprietário percebe que eles têm aparelhos com uma tecnologia avançada, fora da época, e chega à conclusão de que eles são viajantes do tempo. Posteriormente, mais viajantes do tempo chegam à mansão, e ficamos sabendo que eles vieram do futuro para presenciar o momento em que um meteorito iria cair nas proximidades, para assistir a um espetáculo histórico. Eles já sabiam que a casa não iria ser atingida e, assim, estariam a salvo.
O pior de tudo é que o meteorito trouxe consigo uma praga que matou, ou mataria, milhões de pessoas, antes que fosse encontrada uma cura. Um dos viajantes diz ao proprietário que eles até poderiam tentar evitar a catástrofe, mas isso iria causar alterações no futuro.
Em 1989, Robert Silverberg escreveu uma sequência à história, In Another Country, que foi publicada no Isaac Asimov’s Science Fiction Magazine.

(Channel Communications/ Drury Lane Holdings/ Wild Street Pictures).

 Em 1992, a história foi adaptada para o filme
Fugindo do Futuro (Timescape, 1992. Também conhecido pelo título Grand Tour: Disaster in Time), dirigido por David N. Twohy, com Jeff Daniels como o proprietário da casa que abriga os viajantes do tempo. O filme é bem acima da média das produções da época, mas apesar disso a história foi bastante modificada e o final mais sombrio da história original foi transformado em um final mais agradável.

Em Caçadores de Emoção (Thrill Seekers, 1999. Também conhecido pelo título The Time Shifters. E, em português, À Procura de Emoção), produção para a TV dirigida por Mario Azzopardi, Casper Van Dien é um jornalista que se envolve com uma organização do futuro que organiza viagens para o passado. Os viajantes do futuro têm à sua disposição um catálogo de catástrofes que eles podem presenciar em primeira mão, sendo levados de volta para seu tempo antes que sofram algum problema.


Casper Van Dien, perdendo a paciência (Abandon Pictures/ Avenue Pictures/ Carlton America/ Hamdon Entertainment).

Eles não alteram o passado, apenas observam, de uma forma um tanto mórbida, mas o repórter acaba descobrindo do que se trata e sua ação acaba impedindo que ocorra uma das catástrofes – a queda de um avião no qual ele era passageiro – e isso provoca alterações no futuro. Assim, a agência de viagens no tempo resolve enviar pessoas ao passado para liquidar o repórter.
O filme não teve exatamente uma recepção calorosa, mas é bem interessante, com a história bem trabalhada.

Uma das histórias mais conhecidas e citadas a respeito de viagens ao passado e as possíveis alterações que elas possam causar no futuro é Um Som de Trovão (A Sound of Thunder, 1952), de Ray Bradbury, inicialmente publicada na revista Collier’s, depois surgindo nas coletâneas Os Frutos Dourados do Sol (The Golden Apples of the Sun, 1953) e F de Foguete (R Is for Rocket, 1962).
Algumas vezes o conto recebeu o crédito indevido pelo surgimento da expressão “efeito borboleta”, conceito desenvolvido pelo meteorologista Edward Norton Lorenz nos anos 1960, e está relacionada à teoria do caos, da qual Lorenz foi um dos pioneiros.
No conto de Bradbury, as viagens no tempo tornam-se possíveis em 2055, e a empresa Time Safari Inc. começa a realizar viagens ao passado longínquo do planeta, na verdade expedições de caça a animais que foram extintos. Para evitar que quaisquer alterações no passado provoquem alterações no presente, a companhia instala uma passarela que levita, de modo que os caçadores sequer encostam no chão, evitando qualquer contato com o meio ambiente. Os guias do safári viajam antes dos caçadores, para localizar os animais que irão morrer em breve, de modo que sua morte pelas armas do futuro não irão provocar alterações visíveis.
O problema ocorre quando um dos caçadores entra em pânico ao se deparar com um tiranossauro. Quando eles retornam a 2055, eles percebem que mudanças ocorreram em sua realidade anterior, e só então percebem que na sola da bota do homem que saiu da passarela está uma borboleta amassada. A ideia geral é a de que qualquer alteração no passado, por menor que seja, pode provocar um efeito devastador e crescente nas épocas posteriores.
A história foi levada para a TV em 1989, na terceira temporada da série Ray Bradbury Theater.
Também chegou ao cinema em 2005 com
O Som do Trovão (A Sound of Thunder), com direção de Peter Hyams. O filme foi bastante aguardado, talvez mais pelos fãs de ficção científica do que pela crítica, exatamente por ser um dos contos mais conhecidos do gênero, mas o resultado foi catastrófico, com fracasso de bilheteria e de crítica.


Os viajantes do tempo, tentando proteger o passado e o presente andando por uma passarela, em O Som do Trovão (Franchise Pictures/ Crusader Entertainment/ Baldwin Entertainment Group/ Etic Films/ Forge/ QI Quality International).

Ao contrário do que ocorre no conto de Ray Bradbury, o personagem do conto Os Homens Que Mataram Maomé (The Men Who Murdered Mohammed), de Alfred Bester, tem suas tentativas de alterar a história frustradas. O conto foi publicado originalmente em 1958, em The Magazine of Fantasy and Science Fiction, e em português na coletânea Irrealidades Virtuais.
O personagem em questão é o cientista Henry Hassel, bem doidão, que descobre que sua esposa está prestes a cometer adultério e chega à conclusão de que o “simples” assassinato não será suficiente para satisfazê-lo. Assim, o doidaço constrói uma máquina do tempo, pensando em voltar ao passado e assassinar os avós de sua esposa quando ainda eram jovens, acabando com sua existência na linha do tempo. Ele faz isso, mas ao retornar ao seu presente, percebe que nada mudou. Como o cara é louco de pedra, ele resolve começar a assassinar personagens históricos importantes, pensando em alterar a história de forma definitiva. Mas nada parece funcionar.
Em The Science Fiction Encyclopedia, Malcolm J. Edwards diz que o conto é um excelente exemplo de um tipo de história sobre viagens no tempo que, apesar de reconhecer a possibilidade dos paradoxos, consegue resolver a questão; ele chama esse tipo de história de “prevenção dos paradoxos”. O conto de Alfred Bester, segundo ele explica, “sugere que cada pessoa tem seu próprio continuum, ‘como milhões de fios de espaguete’, de modo que um viajante do tempo pode praticar todo tipo de confusão em seu próprio passado sem afetar qualquer outra pessoa: tudo o que ele consegue é eliminar seu próprio continuum”.

Um dos filmes mais comentados dos anos 1960, no que diz respeito às viagens no tempo, foi La Jetée (1963), de Chris Marker, um curta-metragem premiado no Festival de Ficção Científica de Triste, em 1963, às vezes apresentado como um fotodrama, uma vez que o filme é composto por fotomontagens para contar a história do mundo após um apocalipse nuclear.


(Argos Films/ R.T.F.).

Em Paris, os sobreviventes se mantêm nos subterrâneos. Cientistas realizam experiências com viagens no tempo, tentando enviar pessoas ao passado e ao futuro para tentar encontrar soluções para a situação desesperadora em que o planeta se encontra. Eles procuram pessoas que possam lidar com as complexidades e o choque mental provocado pelos deslocamentos temporais.



Davos Hanich interpreta um prisioneiro nesse mundo após a guerra, é o homem escolhido para uma viagem, conseguindo chegar ao período anterior à guerra, onde tem um relacionamento com uma mulher. Posteriormente, ele vai ao futuro e encontra uma civilização avançada que pode ajudá-lo a reconstruir a sociedade do passado.
Chris Marker estava ligado à Nouvelle Vague – a linhagem de cineastas franceses que iniciou seus trabalhos entre os anos 1950 e 1960 – e o filme gerou inúmeras interpretações ao longo dos anos, assim como verdadeiros ensaios a respeito das técnicas empregadas e de seus significados. Phil Hardy (em The Encyclopedia of Science Fiction Movies) disse que o filme de Chris Marker é uma obra-prima que explora os limites do cinema e as relações entre memória, tempo e visão. Para Hardy, o filme parece existir na margem entre “o cinema que nós temos e o que nós podemos ter, ou entre o cinema e o não-cinema”.



O filme foi a inspiração e base para Os Doze Macacos (Twelve Monkeys, 1995), dirigido por Terry Gilliam, com excelente elenco que inclui Bruce Willis como o viajante do tempo, Madeline Stowe, Brad Pitt e Christopher Plummer.


Bruce Willis e Brad Pitt em Os Doze Macacos (Universal Pictures).

A produção foi um refresco em meio às mediocridades no cinema de ficção cientifica, apresentando o que já parecia ser uma marca registrada do diretor Gilliam que, mesmo longe do grupo Monty Python, continuou produzindo obras maravilhosas e criativas.
No futuro, com 99% da população do planeta eliminada por um vírus libertado por um louco, uma elite de cientistas controla absolutamente tudo, mantendo a maioria dos sobreviventes presos em jaulas no subterrâneo. Tendo desenvolvido a capacidade de se deslocar no tempo, resolvem enviar um dos presos (Willis) ao passado para tentar encontrar informações que permitam ao povo do futuro retornar à superfície e repovoar o planeta. Mas os cientistas não são assim tão competentes, errando o alvo e enviando-o para 1990, quando é preso, julgado como louco e internado num hospício.


Os cientistas do futuro, com sua parafernália.

Desaparece de lá, volta ao seu tempo e, novamente, é jogado para o passado, para a Primeira Guerra Mundial, onde é ferido. Até que conseguem acertar a data.
No tempo “presente” de 1996, ele reencontra a psicóloga responsável por sua internação em 1990 e, achando impossível acreditar em sua história, ela o convence de que ele tem um distúrbio mental que o faz criar fantasias. Quando retorna ao futuro, julga que os cientistas são produto de sua mente. E, de novo, é enviado a 1996, reencontrando a psicóloga que, agora, acredita em sua história, diante de uma série de evidências, enquanto ele julga estar doente.
Um dos melhores filmes já realizados sobre viagens no tempo, senão o melhor, entrando em detalhes das implicações psicológicas e sociais e, como sempre ocorre com Gilliam, jamais se prendendo a apenas um aspecto da questão ou abordando a eterna dualidade do que é bom ou ruim, mas explorando inúmeras possibilidades, fazendo com que a história percorra vários caminhos ao mesmo tempo. E sempre discutindo a relação dos seres humanos comuns com o poder. Não bastasse tudo isso, atuações sensacionais de Willis e Pitt, e cenários alucinados. Entre os melhores do gênero em todos os tempos.
Ainda rendeu um seriado, 12 Monkeys, iniciado em 2015 e que deve terminar em 2018. A história original foi bastante modificada e, apesar de o seriado ter sido razoavelmente bem recebido pelo público e pela crítica, foi duramente atacado por Terry Gilliam.


O elenco da série 12 Monkeys (Atlas Entertainment).

A viagem no tempo também foi utilizada como forma de isolar inimigos do Estado, como em Hawksbill Station (1968. Também conhecido pelo título The Anvil of Time), de Robert Silverberg, versão estendida de um conto publicado na revista Galaxy Science Fiction, em 1967.
(Berkley).

A estação do título é uma colônia penal localizada no período Pré-Cambriano, para a qual são enviados os dissidentes políticos de um governo totalitário que se instalou nos Estados Unidos. A viagem é só de ida, de modo que os prisioneiros têm de desenvolver sua própria sociedade.
As coisas só mudam quando, na época futura de onde partiram, o governo é derrubado e o novo governo descobre uma forma de fazer com que a viagem no tempo funcione também do passado para o futuro, ainda que nem todos os prisioneiros desejem retornar.

O sensacional escritor inglês J.G. Ballard (1930-2009) imaginou, com muito humor, ironia e sarcasmo, uma alteração temporal inédita no conto O Maior Espetáculo de Televisão da Terra (The Greatest Television Show on Earth), publicado originalmente na revista Ambit (1972), e também encontrado na coletânea Aparelho Voador a Baixa Altitude.

(Jonathan Cape).

O conto tem um problema comum a várias histórias de ficção científica, que é o de datar alguns eventos futuros. Assim, Ballard data a invenção das viagens no tempo em 2001. Nessa época, então futura, as emissoras de televisão tinham índices de audiência fantásticos, de modo que eram as únicas empresas capazes de pagar os custos das viagens no tempo. Elas resolvem, então, passar a transmitir seus programas do passado, especialmente mostrando as guerras.

O problema é que quando começam a recuar mais e mais no tempo, percebem que alguns acontecimentos históricos não foram tão grandiosos como se imaginava, o que pode prejudicar a audiência. Passam a interferir e modificar a história, contratando mercenários para lutar dos dois lados, além de fornecerem armamentos.
As coisas só fogem ao controle quando resolvem filmar a Travessia do Mar Vermelho, que eles também tentam manipular, uma vez que os judeus em fuga não são tão numerosos, assim como os perseguidores egípcios. Só que, no momento da travessia, quando o mar deveria abrir-se, como narrado na Bíblia, as imagens desaparecem e o contato com a equipe de filmagem é cortado. Quando o contato retorna, os judeus já estão do outro lado, e uma “luz fantasmal” ilumina a imagem, como se estivesse presente um método extraordinário de energia.
A crítica à televisão é enérgica, mas sempre bem humorada. Um produtor da TV diz que, afinal de contas, a História é apenas um primeiro esboço de roteiro. Vale tudo pela audiência e pelo dinheiro.


VEJA A SEGUIR MAIS ALGUMAS OBRAS SOBRE O TEMA


CYBORG 2087 (Cyborg 2087, 1966)
Direção de Franklin Adreon.

(Harold Goldman Associates/ United Pictures).

Michael Rennie, que era o alienígena do clássico O Dia em que a Terra Parou, aqui é um ciborgue do futuro que recua no tempo com a missão de alterar o curso da história. Ocorre que, no ano de 2087, a humanidade está subjugada por um governo tirânico que utiliza uma máquina para controlar a mente das pessoas. Bem ruinzinho.



DIMENSÃO 5 (Dimension 5, 1966)
Direção de Franklin Adreon.
(Harold Goldman Associates/ United Pictures).

Outro filme bem fraquinho do diretor Adreon, que parece que teve um ano bem cheio em 1966. Jeffrey Hunter – que também interpretou o Capitão Christopher Pike, da série Jornada nas Estrelas – é um dos agentes secretos do governo americano que usam “cintos de viajar no tempo” para salvar a América da destruição, pois uma bomba de hidrogênio foi colocada em Los Angeles pelos chineses.


TODO O TEMPO DO MUNDO (All the Time in the World, 1952)
Arthur C. Clarke.
Conto publicado em O Outro Lado do Céu e em Sobre o Tempo e as Estrelas.
Viajantes do futuro surgem na Terra às vésperas de um teste com uma superbomba que irá desencadear a destruição total do planeta. O contato desses “viajantes” com o presente é apenas mental, e eles escolhem pessoas para “roubarem” os maiores tesouros culturais do planeta, levando-os para o futuro e, assim, preservando o que podem da cultura terrestre.

MOSCOU 2042

O UNIVERSO DE MORTON

A PORTA PARA O VERÃO

O GATO QUE ATRAVESSA AS PAREDES

O PALCO DO TEMPO

OS INTEMPORAIS

PROJETO TEMPO

THE YEAR OF THE QUIET SUN (1970)
Wilson Tucker.

Capa da primeira edição (Ace Books).

O livro ganhou o John W. Campbell Memorial Award, em 1976, premiação retrospectiva. Imagina que, em 1978, foi construído o TDV (time displacement vehicle), uma máquina do tempo. Um acadêmico junta-se a dois militares para realizar uma viagem no tempo, por ordem do presidente dos EUA, para saber se ele vencerá as eleições de 1980. Não só ficam sabendo que ele vencerá de forma esmagadora, mas também trazem o conhecimento de que vários distúrbios em Chicago resultaram na separação da cidade em duas, com a construção de um muro; além disso, o presidente do futuro consegue antecipar uma tentativa de golpe militar devido aos conhecimentos que os viajantes trazem do futuro.
Posteriormente, viajam ainda mais distante no futuro, descobrindo que uma “guerra racial” instalou-se no país.

DEGRAU PARA O PASSADO (The Time Travelers, 1976)
Direção de Alexander Singer.

(20th Century Fox Television/ Irwin Allen Productions).

Filme produzido para a televisão, a partir de uma história de Rod Serling, mais conhecido como o criador da série Além da Imaginação. Dois médicos do futuro usam uma máquina do tempo para voltar para 1871, procurando a cura para um vírus que ameaça o futuro, e que era conhecido por um médico da época, mas tinha se perdido durante o grande incêndio que arrasou Chicago. Apesar de Serling e da produção de Irwin Allen, o filme é apenas mediano.

TIMESCAPE (1980)
Gregory Benford.

Capa da primeira edição (Simon & Schuster).

Uma tentativa de modificar o passado para ajudar no presente, mas sem uma viagem propriamente dita. Cientistas do ano 1998 enviam mensagens para o ano 1962 por meio de táquions, que ao se moverem mais rápido do que a luz, podem fazer o trajeto. Ocorre que, em 1998, a Terra enfrenta problemas ecológicos de tal gravidade que a própria vida no planeta está ameaçada. A ideia dos cientistas é que os cientistas do passado recebam informações, na forma de código Morse, que possibilitem criar condições para que o problema seja solucionado no futuro, mas não tantas informações a ponto de criar um paradoxo.
No entanto, os eventos no passado acabam alterando a história, de modo que um universo paralelo é criado, cortando a comunicação dos cientistas do futuro com a linha temporal do passado.
Em 1980, o livro ganhou o prêmio Nebula e o British Science Fiction Awards, e o John W. Campbell Memorial Award for Best Science Fiction Novel, em 1981.

MENSAGEM DO FUTURO

MILLENNIUM (1983)
John Varley.

(Berkley Books).

Livro baseado no conto Air Raid (1977). No futuro, a civilização humana está à beira da extinção devido a uma série de guerras nucleares que tornaram o ar irrespirável e alteraram os genes dos seres humanos de forma irreparável. No entanto, os cientistas elaboram um plano para salvar a humanidade, realizando viagens no tempo para o passado e pegando pessoas para levá-las para o futuro, para um planeta não contaminado, e reconstruindo a civilização.
Para não criar paradoxos, eles apenas capturam pessoas cuja existência está prestes a terminar, seja em acidentes, ou em eventos catastróficos. Essas pessoas não teriam qualquer efeito na história da humanidade dali em diante, de modo que sua remoção para o futuro não iria causar alterações na linha temporal. As equipes de remoção contam ainda com corpos cuidadosamente elaborados no futuro, para serem trocados pelos corpos das “vítimas”.
Um dos problemas que os viajantes do tempo têm de resolver é que, numa das remoções, uma de suas armas fica no passado e precisa ser resgatada para não criar qualquer alteração.
A história foi roteirizada para o cinema pelo próprio John Varley, no filme Millennium – Guardiões do Futuro (Millennium, 1989), com direção de Michael Anderson, e com Kris Kristofferson e Cheryl Ladd no elenco. O filme apresenta poucas diferenças da história original e é bem superior à média das produções de ficção científica da época.


O ambiente opressivo do futuro, em Millennium - Guardiões do Futuro (First Millenium Partnership/ Gladden Entertainment).

ALÉM DO CÉU AZUL (The Blue Yonder, 1985)
Direção de Mark Rosman.

(Walt Disney Television).

Produção da Walt Disney para a TV (Também conhecida com o título Time Flyers e, no Brasil, Máquina do Tempo). Um garoto viaja no tempo, para o passado, e encontra seu avô, que tinha o sonho de ser o primeiro homem a sobrevoar o Atlântico. O garoto precisa alertá-lo dos perigos que vai enfrentar e que podem mudar o curso da história. O filme foi bem recebido pela crítica.


DE VOLTA PARA O FUTURO (Back to the Future, 1985)
Direção de Robert Zemeckis.
Provavelmente, não é o melhor filme sobre viagens no tempo, mas certamente é o mais divertido. A história foi dividida em três filmes, com as sequências De Volta Para o Futuro – Parte II (1989) e Parte III (1990) sendo realizadas em grande parte devido ao sucesso gigantesco nas bilheterias. Michael J. Fox interpreta o jovem Marty McFly, que conhece o cientista alucinado Dr. Emmett Brown, que constrói uma máquina do tempo em seu carro, um DeLorean que entrou para a história do cinema.
Marty viaja para 1955 e encontra seus futuros pais, tentando modificar a personalidade tímida do pai (Crispin Glover) e fazer a mãe (Lea Thompson) se apaixonar por ele. Para complicar as coisas, a futura mãe se interessa por ele, o filho.


Lea Thompson, com uma quedinha por Michael J. Fox (Universal Pictures/ Amblin Entertainment).

O filme é repleto de cenas fantásticas, como o show de rock em que McFly, guitarrista em sua época futura, toca com uma banda que se surpreende com sua atuação sem precedentes, ou quando Marty aterroriza seu pai adolescente, fanático por histórias de ficção científica, aparecendo no meio da noite, colocando um walkman em seu ouvido e tocando Van Halen com som altíssimo.
Claro que a atuação de Marty no passado altera seu presente, o que ele percebe quando, finalmente, consegue retornar, com a ajuda do Dr. Brown do passado.


O doidaço dr. Brown, tentando ler a mente de Marty McFly.

Apesar de interpretar um adolescente, Michael J. Fox já tinha 24 anos na época do primeiro filme, mas sua aparência de menino ajudou. Na sequência, McFly vai para o futuro, mais uma vez tentando arrumar a situação, mas ele e o cientista mais uma vez alteram as linhas do tempo, criando universos paralelos em que as coisas não ocorrem exatamente da maneira como deveriam. Como parte da confusão, Marty tem de voltar a 1955, no exato instante em que ele já estivera lá. No terceiro filme, McFly e o dr. Brown retornam ao velho oeste americano para mais confusões e tentativas de consertar a linha do tempo.

NA TRILHA DO TEMPO (Time Trackers, 1989)
Direção de Howard R. Cohen.

(Concorde Pictures).

Em 2033, inventa-se a máquina do tempo, mas um cientista malvado viaja para o passado a fim de alterar a história e se tornar poderoso. Um grupo do futuro persegue o mauzão, primeiro para o ano de 1991, depois para 1146. Viagem no tempo é um tema complicado que, se não for tratado adequadamente, vira bobagem, como esse filme. A produção de Roger Corman está longe daquelas que ele fez nos anos 1960.


CONTRATEMPOS (Quantum Leap, 1989/1993)
Criação de Donald P. Bellisario.

(Belisarius Productions/ Universal Television).
O seriado foi produzido pela Belisarius Productions e pela Universal Television, e teve como protagonistas Scott Bakula e Dean Stockwell. O criador Don Bellisario já tinha uma história de sucessos na TV, como roteirista das séries Kojak e Galáctica: Astronave de Combate, mas principalmente como um dos criadores da série Magnum.
Bakula é o físico dr. Sam Beckett, e Stockwell é o Almirante Al Calavicci. Sam fica preso no tempo, no passado, devido a um experimento de viagem temporal que teve alguns problemas, e Al surge para ele como um holograma que o ajuda com algumas informações. No início de suas viagens no tempo, Sam não se recordava de seu próprio passado, e cada deslocamento temporal melhorava sua memória, até ele saber que é o criador da máquina do tempo e que precisa se lembrar do que fazer para retornar à sua própria época.
Um dos grandes méritos do seriado foi o de evitar os momentos históricos importantes, como acontecia em O Túnel do Tempo, ainda que muitos momentos significativos da história estejam indiretamente relacionados com as ações de Sam no passado. As histórias são excelentes, com o viajante Sam assumindo a identidade de uma pessoa da época em que ele se encontra, e apenas o holograma Al sabe quem ele realmente é. Ele sempre tem uma missão a cumprir, o que possibilitará um novo “pulo” no tempo.


Scott Bakula e Dean Stockwell.

O humor foi muito bem desenvolvido e os diálogos são interessantes, num dos melhores seriados de sua época.
O piloto da série foi lançado em vídeo no Brasil com o título A Máquina do Destino, e outro episódio foi lançado com o título Contratempos – A Máquina do Destino 2. Na televisão, o seriado não foi apresentado completo ou na sequência exata, o que é uma pena. Pelo menos a primeira temporada chegou a ser lançada em DVD.

FREEJACK – OS IMORTAIS (Freejack, 1992)
Direção de Geoff Murphy.

(Morgan Creek Productions).

Como em Millennium, aqui também são levadas para o futuro pessoas que estão prestes a morrer.
O filme foi baseado, ainda que vagamente, na história Imortalidade e Cia. (Immortality, Inc., 1959. Em Portugal, pela coleção Argonauta número 424). A história também foi publicada em série, na revista Galaxy Science Fiction. No livro, cientistas desenvolvem uma forma de transferir a consciência humana para um corpo morto, levando a mente da pessoa morta no passado para um novo corpo no futuro.
No filme, o conceito é utilizado para contar a história de um futuro distópico no qual a humanidade é assolada por epidemias e está dividida em duas classes bem distintas de ricos e pobres. Anthony Hopkins é um bilionário, líder de uma empresa poderosa, que mantém uma tropa de mercenários liderados por Vacendak, interpretado por ninguém menos do que Mick Jagger. Eles sequestram corpos jovens do passado e levam-nos para o futuro, onde serão utilizados como recipientes da consciência dos ricaços.
Emilio Estevez interpreta um piloto de corridas que é sequestrado no tempo, segundos antes de sua “morte” num acidente.
Sheckley situou a história nas datas de 1958 e 2110, mas no filme as datas são 1991 e 2009, e é um dos problemas com a produção: as mudanças na sociedade apresentadas em apenas 18 anos são profundas demais para que tenham credibilidade.
O diretor neozelandês Geoff Murphy foi muito melhor com o sensacional Terra Tranquila.

GUERREIROS DO TEMPO (1995/1996)

(Castel Film Romania/ Full Moon Entertainment/ The Kushner-Locke Company/ Moonbeam Entertainment/ Paramount Pictures).

Série de seis filmes produzidos por Charles Band, especialista em filmes “B”. Os filmes que compõem a série são: Guerreiros do Tempo: Planeta dos Dinossauros (Josh Kirby – Time Warrior: Chapter 1, Planet of Dino-Knights, 1995. Também com o título Josh Kirby... Guerreiro do Tempo! O Planeta dos Dinossauros Perdidos), dirigido por Ernest Farino; Guerreiros do Tempo: Animais de Estimação (Josh Kirby – Time Warrior: Chapter 2, The Human Pets, 1995. Também com o título Josh Kirby... Guerreiro do Tempo! Humanos de Estimação), dirigido por Frank Arnold; Guerreiros do Tempo: O Mundo dos Brinquedos (Josh Kirby – Time Warrior: Chapter 3, Trapped on Toyworld, 1995. Também com o título Josh Kirby... Guerreiro do Tempo! Mundo dos Brinquedos), dirigido por Ernest Farino; Guerreiros do Tempo: Os Alienígenas (Josh Kirby – Time Warrior: Chapter 4, Eggs From 70 Million B.C., 1995. Também com o título Josh Kirby... Guerreiro do Tempo! 70 Milhões A.C.), dirigido por Mark Manos; Guerreiros do Tempo: Jornada à Caverna Mágica (Josh Kirby – Time Warrior: Chapter 5, Journey to the Magic Cavern, 1996. Também com o título Josh Kirby... Guerreiro do Tempo! Caverna Mágica), dirigido por Ernest Farino; Guerreiros do Tempo: Na Terra do Gigante (Josh Kirby – Time Warrior: Chapter 6, Last Battle for the Universe, 1996. Também com o título Josh Kirby... Guerreiro do Tempo! A Última Batalha do Universo), dirigido por Frank Arnold. Todos foram lançados em vídeo no Brasil, pela Lloyds.
O diretor Ernest Farino também é conhecido por seu trabalho com efeitos visuais (em O Exterminador do Futuro, O Segredo do Abismo, na minissérie Da Terra à Lua, na minissérie Duna).
O Josh Kirby do título original é um jovem (Corbin Allred) que se envolve com inúmeras viagens no tempo e uma disputa que pode determinar o futuro do universo.
Sem querer, ele se envolve numa batalha entre dois cientistas pelo poder do nullifier, um objeto extraterrestre do futuro que tem o poder de acabar com o tempo, destruindo o universo. Um cientista recebe a missão de destruí-lo, mas como ele é indestrutível, resolve dividi-lo em várias partes e espalhá-lo pelo tempo. Outro cientista quer juntá-lo novamente e destruir o universo, uma vez que é louco. Uma parte do objeto vai parar na casa do jovem, e os dois cientistas surgem no local para pegá-lo. Kirby acaba entrando na máquina do tempo do cientista bom.
Na primeira aventura, eles vão parar num mundo medieval onde surgiram um tiranossauro e um tricerátops, devido às alterações no tempo. Ao jovem e ao cientista bom une-se outra viajante do tempo. Um projeto ambicioso da Full Moon, voltado principalmente para o público mais jovem, com bons efeitos especiais e bastante ação, ainda que tenha diálogos mal trabalhados.
No segundo filme, vão 70 mil anos no futuro, quando são feitos prisioneiros por seres gigantescos, juntamente com outras pessoas que ficaram perdidas no tempo. São tratados como animais de estimação ou brinquedos pelo garoto gigante do futuro, mas conseguem unir suas forças para escapar, partindo para nova aventura.
Na terceira aventura os viajantes do tempo surgem num mundo composto por brinquedos vivos. No quarto filme eles encontram ovos com milhões de anos de idade a partir dos quais nascem seres que comem sua nave do tempo. Eles caem no mundo alternativo onde vive sua companheira de viagem. No quinto filme, surgem num mundo onde existem seres semelhantes a cogumelos inteligentes, e ajudam-nos a lutar contra um homem que os está dominando hipnoticamente e prendendo-os em jaulas para exibi-los como atração num circo espacial. Na sexta e última parte da série, Josh Kirby e sua companheira guerreira são surpreendidos por uma virada nos acontecimentos envolvendo os dois cientistas. Depois de surgirem no passado, na época em que Josh ainda era um bebê, conseguem reorganizar o curso do tempo.

PASTWATCH: THE REDEMPTION OF CHRISTOPHER COLUMBUS (1996)
Orson Scott Card.

(Tor Books).

O livro deveria ser o primeiro de uma série, mas os outros ainda não foram escritos por Scott Card. O Pastwatch do título é uma organização que utiliza uma máquina para ver o passado, e uma das investigadoras tem um interesse especial pela vida de Cristóvão Colombo. Ela descobre, acidentalmente, que o aparelho também é capaz de enviar informações ao passado. A partir daí, um grupo de cientistas passa a estudar a época do descobrimento da América, percebendo que Colombo teve uma visão antes de se dirigir a oeste, uma vez que sua ideia original era lutar contra os muçulmanos no leste.
Entre outras coisas, eles ficam sabendo que a visão que Colombo teve foi um holograma enviado do futuro, mas de outra linha temporal. E percebem também o que poderia ter ocorrido ao mundo caso Colombo não tivesse chegado à América. Eles tentam, então, realizar uma alteração temporal que leve as sociedades mundiais em outro rumo, um que não envolva a destruição das tribos nativas do Novo Mundo, e também não envolva a dominação mundial por um império desenvolvido no Novo Mundo e com características extremamente violentas. Posteriormente, a máquina consegue transportar pessoas ao passado, e os cientistas que chegam à América Central conseguem direcionar a civilização em outra direção, tentando manter um contato amistoso entre América e Europa.

JORNADA NAS ESTRELAS: PRIMEIRO CONTATO (Star Trek: First Contact, 1996)
Direção de Jonathan Frakes.

(Paramount Pictures/Digital Image Associates).

O oitavo filme da série Jornada nas Estrelas, e o segundo com o elenco da Nova Geração. Os terríveis Borg ameaçam novamente a Federação e, numa tentativa de derrotar definitivamente os humanos, conseguem abrir um vórtice temporal e dirigir-se à Terra do ano 2063, quando a tecnologia da viagem em dobra espacial está para ser posta em prática, e o primeiro contato dos terrestres com seres alienígenas irá acontecer. A ideia dos Borg é impedir que isso ocorra. A Enterprise, comandada pelo Capitão Jean-Luc Picard (Patrick Stewart) vai atrás dos inimigos, passando pelo mesmo vórtice, para impedir que a história seja alterada. O filme é bem legal e, muitas vezes, tido pelos críticos como o melhor da série, ainda que os mais recentes, dirigidos por J.J. Abrams, tenham recebido boas críticas.

THE LIGHT OF OTHER DAYS (2000)
Arthur C. Clarke/ Stephen Baxter.

(Tor Books).

O livro foi escrito por Baxter a partir de uma sinopse desenvolvida por Clarke, e lida com uma descoberta que modifica completamente a sociedade terrestre. Inicialmente, uma empresa descobre que é possível transmitir informação digital e ondas de luz através de “buracos de minhoca”. O efeito imediato é que isso permite que, a custos muito baixos, qualquer pessoa possa saber absolutamente tudo sobre a vida de qualquer outra pessoa no planeta, acabando com a privacidade. Com a possibilidade de detectar ondas de luz do passado, a nova tecnologia também permite que as pessoas vejam eventos do passado, de modo que a vida no planeta muda de forma ainda mais profunda, com efeitos nas religiões e no conhecimento geral de nossa história, que não é o que se imaginava.
Em particular, quando conseguem observar o início da vida no planeta, descobrem que toda a vida da Terra descende de uma amostra biológica deixada aqui por seres inteligentes que moraram no planeta há três bilhões de anos. Nesse ponto, lembra o conceito explorado brilhantemente por Clarke em seu conto A Sentinela, que originou o filme 2001: Uma Odisseia no Espaço.

ALTA FREQUÊNCIA (Frequency, 2000)
Direção de Gregory Hoblit.


Dennis Quaid, conversando com o filho no futuro pelo rádio amador (New Line Cinema).

Uma premissa interessante. Uma emissão de partículas solares cria uma estranha condição no tempo, permitindo que pai e filho estabeleçam comunicação por rádio amador entre duas épocas distintas. As informações fornecidas pelo filho ao seu pai, no passado, fazem com que a história seja alterada. Boas interpretações de Dennis Quaid e Jim Caviezel.

DE VOLTA AO PASSADO (Race Through Time, 2000)
Direção de Jeff Woolnough.

(Saban Entertainment/ Shavick Entertainment).

Também conhecido pelos títulos: Viagem no Tempo; The Man Who Used to be Me. William Devane interpreta um ex-policial trabalhando como segurança num laboratório no qual foi construída uma máquina do tempo. Ele obriga os cientistas a enviá-lo ao passado para tentar impedir a morte do pai. Meia boca.



ODYSSEY 5 (2002/2003)

(Columbia TriStar Domestic Television/ Columbia TriStar International Television/ Manny Coto Productions).

Seriado canadense que durou 19 episódios. Seis pessoas à bordo da nave Odyssey – quatro astronautas, um cientista e uma repórter de televisão – veem a Terra ser destruída, mas tem a chance de resolver a situação quando são enviados ao passado por seres alienígenas.
Um dos membros da Odyssey morre, e os cinco restantes têm um encontro com um alien que lhes diz que outros 50 mundos foram destruídos da mesma forma; pela primeira vez, ele consegue encontrar sobreviventes. Ele consegue enviá-los ao passado, mas apenas suas consciências, uma vez que não é possível realizar a viagem no tempo com o corpo material.


DÉJÀ VU (Déjà Vu, 2006)
Direção de Tony Scott.
Filme bem legal com Denzel Washington como o agente especial Douglas Carlin, que investiga a explosão de uma balsa no rio Mississippi que matou mais de 500 passageiros, descobrindo que a causa foi uma bomba. O agente do FBI Paul Pryzwarra (Val Kilmer) convida-o para fazer parte de um novo grupo de investigação do governo que utiliza um programa que chamam de Branca de Neve e que permite observar o passado até quatro dias.


Denzel Washington, levando a experiência um pouco adiante (Touchstone Pictures/ Jerry Bruckheimer Films/ Scott Free Productions).

Inicialmente, dizem a ele que se trata da utilização de vários satélites que formam uma imagem dos eventos, mas ele logo percebe que se trata de uma máquina para observar o passado e, mais do que isso, que também consegue enviar objetos ao passado.
A utilização das possibilidades de visualização e contato com o passado inicia uma série de eventos que culminam com o próprio agente Carlin sendo enviado no tempo para tentar salvar a mulher por quem se apaixonou e tentar impedir o terrorista que plantou a bomba. Muito legal.

LUTANDO CONTRA O TEMPO (Ticking Clock, 2011)
Direção de Ernie Barbarash.

(Motion Picture Corporation of America/ Ticking Clock Productions/ Upload Films).

Cuba Gooding Jr. é um jornalista especialista em investigar crimes, mas acaba se envolvendo diretamente com um assassino que consegue se deslocar no tempo tentando arrumar sua própria história.



CONTINUUM (2012/2015)
Série canadense criada por Simon Barry, com história que se inicia em 2077, numa sociedade controlada pela polícia, e se estende para 2012 após um grupo de terroristas conseguir viajar no tempo. A policial Kiera Cameron (Rachel Nichols) também é transportada para o passado, acidentalmente, e tenta impedir as ações do grupo, que pretende alterar o rumo da história.


(Reunion Pictures/ Shaw Media).

Os terroristas querem impedir que as grandes corporações se desenvolvam a ponto de tomarem o lugar dos governos, como ocorreu no futuro. Kiera faz o que pode para lutar contra eles, mas ao longo do seriado ela começa a ter cada vez mais dúvidas a respeito de como agir, percebendo que muito do que acontecia no seu presente era errado, e que os terroristas não deixam de ter razão.
No passado, ela consegue se passar por uma agente de uma agência do governo, não especificada, e juntar-se aos policiais que começam a investigar as ações dos terroristas. E tudo isso mantendo segredo sobre sua origem. Ela ainda tem alguns poucos objetos que estavam com ela e que a ajudam no combate, e também entra em contato com aquele que será o maior cientista de sua época, e que passa a ajudá-la.
É um dos bons seriados de ficção científica dos últimos tempos, com personagens bem estruturados, sem diálogos banais ou excessos nos efeitos especiais, com uma trama que vai se adensando conforme as temporadas avançam.

MIB³: HOMENS DE PRETO 3 (Men in Black 3, 2012)
Direção de Barry Sonnenfeld.

(Columbia Pictures/ Hemisphere Media Capital/ Amblin Entertainment).

Will Smith e Tommy Lee Jones retornam como os agentes encarregados do tráfego de extraterrestres pela Terra, em mais uma edição da comédia deliciosa iniciada em 1997 e que teve sequência em 2002, sempre com a direção de Sonnenfeld.
Esse envolve viagens no tempo e alteração do passado, quando Boris, o Animal, um ex-inimigo do agente K (Lee Jones), consegue fugir da prisão e voltar ao passado com a intenção de matar o jovem agente K e permitir que sua raça consiga invadir a Terra. Assim, o agente J (Smith) também precisa viajar ao passado e unir-se ao jovem agente K para impedir a alteração na história do planeta.


LOOPER: ASSASSINO DO FUTURO (Looper, 2012)
Direção de Rian Johnson.

(Endgame Entertainment/ DMG Entertainment/ FilmDistrict/ Ram Bergman Productions).

Os “loopers” do título são assassinos contratados por organizações criminosas para eliminar seus inimigos, e para se livrar dos corpos utilizam viagens no tempo, enviando as pessoas do futuro para serem mortas no passado. Os próprios viajantes, ou suas versões futuras, devem ser eliminados após o término do contrato. Evitando conexões com as organizações. Bruce Willis interpreta a versão mais velha de Joe, um desses contratados, e Joseph Gordon-Levitt, uma versão mais jovem.

MUDANDO O FUTURO (Rewind, 2013)
Direção de Jack Bender.

(BermanBraun/ Universal Cable Productions).

Feito para a TV como piloto de uma série que não chegou a ser produzida. Um cientista realiza um ataque terrorista explodindo uma bomba nuclear em Nova York. Sabendo que estão sendo feitas experiências com viagens no tempo, ele resolve realizar o ataque para obrigar o governo a enviar pessoas ao passado e impedir o ataque. No seu plano, para impedir a explosão, os agentes deverão necessariamente impedir a morte de sua esposa.

X-MEN: DIAS DE UM FUTURO ESQUECIDO (X-Men: Days of Future Past, 2014)
Direção de Bryan Singer.


(Twentieth Century Fox/ Marvel Entertainment).

No sétimo filme da série com os X-Men, os super-heróis dos quadrinhos da Marvel, Wolverine precisa realizar uma viagem no tempo, para 1973, para tentar alterar a história e impedir a destruição de humanos e mutantes; ele é o único que conseguiria resistir às dificuldades de uma viagem no tempo.

NO LIMITE DO AMANHÃ (Edge of Tomorrow, 2014)
Direção de Doug Liman.


(Warner Bros. Pictures/ Village Roadshow Pictures).

Interessante ficção científica com Tom Cruise e Emily Blunt. Ele interpreta Cage, um oficial de relações públicas com péssimo comportamento, sem experiência de combate, que recebe ordens de se juntar a uma operação militar de ataque aos alienígenas que chegaram à Terra e estão devastando o planeta.
Ele é morto durante o ataque, mas desperta no dia anterior ao ataque e percebe que está preso num círculo de eventos, e só ele percebe o que está acontecendo. Ele tenta avisar aos demais sobre o insucesso de seu ataque, mas é claro que ninguém acredita nele.
Depois de muitas repetições no tempo, ele consegue contatar a principal combatente, Rita Vrataski (Blunt), que o coloca em contato com um cientista especialista na biologia dos aliens. Ele explica que eles têm a capacidade de alterar o tempo e repetir um dia quando um deles é morto, de modo que se torna impossível vencê-los. Como Cage entrou em contato com o sangue de um dos aliens, ele também ganhou a mesma possibilidade, e com isso tenta reverter a situação da guerra.

TIME LAPSE (2014)
Direção de Bradley King.

(Royal Pictures/ Uncooperative Pictures/ Veritas Productions).

Três amigos descobrem, na casa de um senhor vizinho, uma estranha máquina que tira fotografias Polaroid, voltada para a janela de seu apartamento; as fotografias são de 24 horas no futuro. O vizinho está morto, e eles escondem isso de todos, aproveitando a máquina para obter informações do futuro, especialmente de resultados de jogos. Eventualmente, as ações deles acabam criando inúmeros problemas e eventos violentos.

PROJETO ALMANAQUE (Project Almanac, 2015)
Direção de Dean Israelite.

(Insurge Pictures/ Platinum Dunes/ MTV Films/ Paramount Pictures).

Quatro adolescentes encontram um projeto do pai falecido de dois deles, chamado “Projeto Almanaque”, para construir uma máquina do tempo. Os jovens conseguem construir a máquina e começam a realizar viagens no tempo para melhorar suas vidas, e resolvem que deverão fazer isso sempre em grupo. Claro que, com o tempo, um deles resolve retornar no tempo sozinho para conseguir o afeto de uma das meninas, mas o que ocorre é uma sucessão de alterações trágicas na linha do tempo.


TIMELESS (2016/2017)

(MiddKid Productions/ Kripke Enterprises/ Davis Entertainment/ Universal Television/ Sony Pictures Television).

Série criada por Eric Kripke e Shawn Ryan. Teve 16 episódios na primeira temporada e foi renovada para 2018, com mais 10 episódios. Uma professora, um cientista e um soldado viajam pelo tempo para tentar impedir que um homem mude a história.


LENDAS DO AMANHÃ (Legends of Tomorrow, 2016/2017)

(Berlanti Productions/ Bonanza Productions/ DC Entertainment/ Warner Bros. Television).

Série criada por Greg Berlanti, Marc Guggenheim, Andrew Kreisberg e Phil Klemmer, baseada nos super-heróis da DC Comics. A série inicia no ano 2166, quando o vilão Vandal Savage conquistou o planeta, e o Mestre do tempo, Rip Hunter, retorna a 2016 para reunir um grupo de super-heróis para tentar reverter a situação.