Artigos

PODERES NATURAIS

FILMES/VE FC E PODERES PSÍQUICOS

autorGilberto Schoereder
publicado porGilberto Schoereder
data26/2/2019
fonte

Os poderes psíquicos naturais são entendidos aqui como aqueles que não foram desenvolvidos por mutação ou por interferência de tecnologia, humana ou não, física ou biológica.
Como foi citado na primeira matéria, o “boom psi” promovido por John W. Campbell Jr. Abriu as portas para inúmeras histórias envolvendo os poderes mentais. Brian Stableford cita que a percepção extrassensorial (e outros poderes psíquicos) rapidamente tornou-se parte do repertório padrão das histórias do gênero publicadas nas revistas pulp, em particular aquelas histórias envolvendo super-homens, enconrajadas pela forma como a telepatia foi apresentada na história Slan (Slan, 1940), de A.E. Van Vogt., publicado em quatro partes na revista Astounding Science Fiction e, posteriormente, como livro, em 1946 (livro comentado na matéria Poderes Construídos).

(Capa: William Timmins).

Van Vogt é um autor que tem defensores e detratores igualmente entusiasmados, e muitas de suas histórias lidaram com poderes psíquicos elevados, muitas vezes tornando os protagonistas semelhantes a deuses. Entre as séries mais conhecidas está a que iniciou com O Mundo de Zero-A (The World of Null-A, 1948), originalmente publicado em 1945 como uma série em três partes, na revista Astounding Science Fiction.
A história gira em torno do personagem Gilbert Gosseyn, vivendo num mundo controlado pelas pessoas com as mentes mais poderosas, seguindo o que Vogt chamou de “pensamento não-aristotélico” que, supostamente, capacitaria as pessoas a resolver os mais intrincados problemas. Nesse futuro, são realizados jogos que determinam as pessoas mais capacitadas a assumirem cargos importantes no planeta, mas existe igualmente uma trama complexa de eventos que inclui uma tentativa de domínio da Terra e de Vênus, a descoberta por parte de Gosseyn que seu cérebro é capaz de mover objetos com sua mente e ele próprio pode se teleportar, e o fato de que ele possui outros corpos que podem ser ativados quando ele morre, tornando-o, portanto, praticamente imortal.

                                                                                                                                                                                    (Capa: Hubert Rogers).

Apesar da importância de Van Vogt na história da FC, o crítico John Clute foi um dos que pegou pesado com a série Null-A (em The Science Fiction Encyclopedia), entendendo que a história é pesada, em particular em sua tentativa de apresentar os argumentos em termos do pensamento “não-aristotélico”, o que parece ser, de maneira preocupante, uma tentativa de racionalizar a “lógica de sonho” das histórias anteriores. No entanto, o resultado, diz Clute, foi que a história tropeça num excesso de nós e complicações. E o protagonista Gosseyn mostra uma falta de humor, ainda maior do que seus predecessores super-homens, e “sua rápida, confusa e quase sem emoção transferência de um corpo de Gosseyn para outro – em um tipo de transferência de identidade entre clones, mas sem o conceito de clonagem para sustentá-la – torna sua eventual supremacia tão peculiarmente desorganizada que se torna quase sem efeito no leitor”.

(Capa: William Timmins).

Duas sequências foram escritas: Os Jogadores de Zero-A (The Players of Null-A, 1956), publicado originalmente em três partes na revista Amazing Science Fiction, em 1948-1949; e Null-A Três (Null-A Three, 1985).
Esses poderes superiores eram comuns nos personagens de Van Vogt – que também esteve envolvido com a Dianética, desenvolvida por L. Ron Hubbard antes de fundar a Cientologia. É o caso de Missão nas Estrelas (Mission to the Stars, 1952), em sua fase dos livros fix-up, ou seja, a união de contos anteriormente publicados e reescritos para compor uma história supostamente diferente. No caso, a origem do título é o conto The Mixed Men (1945), publicado originalmente na revista Astounding Science Fiction, mas outros contos foram publicados entre 1943 e 1945. E os poderes psíquicos e seres superiores também aparecem em A Batalha da Eternidade.

 

Outro autor importante relacionado com essas primeiras histórias envolvendo poderes psíquicos é James Blish, mais conhecido por seu excelente Um Caso de Consciência (A Case of Conscience, 1958). Em O Homem Que Via o Futuro (Jack of Eagles, 1952), ele lida não apenas com a precognição, mas com outros fenômenos como telecinese e teleportação. O personagem central, Danny Caiden, tem uma capacidade impressionante de ter acesso a acontecimentos futuros, com o que consegue ganhar dinheiro investindo na Bolsa e em corridas de cavalos. E envolve-se em muitas confusões ao tentar obter mais conhecimento e controle sobre os eventos psíquicos que demonstra. É investigado pelo FBI devido à compra de ações, e procurado por criminosos que imaginam que ele está tentando entrar no negócio de apostas. Entra em contato com parapsicólogos, é raptado pelos criminosos e consegue escapar descobrindo que também possui a capacidade de se teleportar. Encontra uma Sociedade Psíquica, mas apenas para descobrir que as pessoas que a compõem só querem utilizar os poderes paranormais em proveito próprio; eles até têm uma máquina que consegue impedir que Danny utilize seus poderes. E a história segue de forma alucinante, lembrando os enredos de A.E. Van Vogt, envolvendo ainda viagens no tempo e universos paralelos.

(Capa: John Richards/ Corgi).

Menos conhecido no universo da ficção científica, Frank M. Robinson escreveu The Power, em 1956, livro que foi levado às telas em 1968, como Os Poderosos (The Power). Robinson ficou mais conhecido como o responsável por escrever os discursos do político gay Harvey Milk, na Califónia, mas The Power, seu primeiro romance, é bem visto pela crítica e teve relativo sucesso de vendas. David Pringle vê o livro como um thriller de ficção científica muito efetivo, quase a mesma observação de John Clute, que ressalta a combinação de elementos de fc e thriller ao mostrar a tentativa do personagem central em encontrar uma espécie de super-homem com poderes psíquicos que incluem a capacidade de apresentar uma aparência diferente a cada pessoa que olha para ele. A tentativa de desmascarar o homem traz imensos problemas para o personagem e a morte para muitas pessoas próximas a ele.
Antes de chegar ao cinema, a história foi adaptada na famosa série da CBS, Studio One, em 1956, com direção de William H. Brown Jr., com Theodore Bikel, James Daly e Shepperd Strudwick.

       George Hamilton e Michael Rennie, em Os Poderosos (George Pal Productions).

O filme Os Poderosos foi dirigido por Byron Haskin, com produção de George Pal, dois nomes bem conhecidos no cinema de ficção científica. Os dois estiveram juntos (como diretor e produtor) em A Guerra dos Mundos (The War of the Worlds, 1953) e em A Conquista do Espaço (Conquest of Space, 1955). Haskin também dirigiu episódios da série clássica Quinta Dimensão (The Outer Limits, entre 1963 e 1964), e George Pal produziu os filmes Destino à Lua (Destination Moon, 1950), Colisão de Planetas (When Worlds Collide, 1951) e A Máquina do Tempo (The Time Machine, 1960).
Arthur O’Connell interpreta o professor Henry Hallson, o homem que descobre que existe alguém com imensos poderes psíquicos entre aqueles que trabalham com ele em um laboratório de pesquisas, e é assassinado. George Hamilton interpreta o professor Jim Tanner, que passa a ser suspeito da morte do colega, mas começa a investigar a existência de um homem capaz de entrar na mente das pessoas, chegando a um conflito final no qual descobre suas próprias capacidades psíquicas.


VEJA A SEGUIR MAIS OBRAS ABORDANDO PODERES PSÍQUICOS NATURAIS

 


O HOMEM DEMOLIDO (The Demolished Man, 1953)

Alfred Bester.

(Capa: Lima de Freitas).

O livro de Alfred Bester não apenas foi o vencedor do primeiro prêmio Hugo, em 1953, mas ainda hoje é considerado entre os maiores clássicos da ficção científica, e entre os mais criativos de todos os tempos. O crítico Peter Nicholls destacou que, de forma resumida, a história do livro é clara: o industrial Ben Reich comete um homicídio, é perseguido e preso pelo policial telepata Linc Powell e levado à lavagem cerebral, ou Demolição. “É o ritmo, o estilo, a paixão e a pirotecnia que tornam o romance extraordinário”, disse Nicholls. “A sociedade futura é evocada em detalhes maravilhosamente marcados; o herói é um homem motivado e engenhoso cujas obsessões são explicadas em termos freudianos”.
Adam Roberts diz que o impacto de Bester na ficção científica foi tão grande que, sozinho, inventou tanto a “New Wave” quanto o “cyberpunk”. Sobre O Homem Demolido, diz que é escrito “(...) de maneira vibrante, evocativa e lacônica; ‘vigoroso’ não faz justiça ao domínio que Bester tem de sua linguagem, que nunca é convencional ou derivativa”.
David Pringle (em Science Fiction: The 100 Best Novels) diz que “(...) uma das inovações da narrativa vertiginosa de Bester é que ela salta de cena para cena, às vezes de planeta a planeta, no espaço de um parágrafo; ele faz com que todo o sistema solar pareça os subúrbios de Nova York”.
Alfred Bester compôs sua história utilizando os ingredientes básicos de uma história policial, mas, enquanto narra as aventuras e mistérios envolvendo a questão central, vai compondo um quadro geral da sociedade do futuro de forma estupenda, utilizando-se de noções de psicologia e mostrando as reações dos diferentes estratos da sociedade ao estado de coisas na época. Ele consegue oferecer uma visão profunda de uma possível sociedade do futuro sem prender-se às descrições de aparelhos futurísticos ou dos conceitos que regem essa sociedade, deixando que eles surjam naturalmente, decorrentes das ações dos personagens. Não é por acaso que continua sendo um dos livros mais importantes do gênero.


TIGRE! TIGRE! (Tiger! Tiger! 1956)

Alfred Bester.
Não satisfeito em escrever um clássico da ficção científica, Alfred Bester escreveu o segundo, que também ficou conhecido pelo título Estrelas, O Meu Destino (The Stars My Destination). Aqui, a capacidade psíquica é a da teleportação, que no livro é chamada de “jauntar”, uma vez que é uma capacidade descoberta pelo cientista Charles Fort Jaunte. Um prólogo situa a história no século 24, com três planetas e oito satélites habitados e divididos em planetas Interiores (Vênus, Terra, Marte e Lua) e os Satélites Exteriores (em número de sete). A sociedade é abalada pela descoberta da capacidade de teleportação, ou seja, a capacidade das pessoas se transportarem de um local para outro pelo uso da mente. O cientista Jaunte foi quem primeiro conseguiu realizar a teleportação em circunstâncias passíveis de observação científica, quando, após um incêndio em seu laboratório, sua roupa pegou fogo e ele teleportou-se, com um grito, para perto do extintor de incêndio.
Os cientistas dizem ter descoberto como funciona a teleportação, mas na verdade não sabem muito, a não ser que essa capacidade depende da existência, no organismo humano, de uma substância chamada “tigróide”. E sabem que existem duas barreiras à teleportação: ninguém conseguiu jauntar mais de 1.600 km, e ninguém conseguiu fazê-lo no espaço.
Com a queda do sistema econômico do sistema solar e a completa transformação dos costumes na sociedade, uma guerra se inicia entre os Planetas Interiores e os Satélites Exteriores. E começa a história do personagem central, Gulliver Foyle. Ele é um homem comum, sem qualquer instrução, que se encontra na nave Nomad, destruída a meio caminho entre Marte e Júpiter, e ele fica à deriva nos destroços e sozinho por 170 dias. Os psicólogos diziam que Foyle precisava de um estímulo para abandonar sua letargia e inaptidão, mas não sabiam qual poderia ser. Esse estímulo ocorre quando, após seis meses no espaço, Foyle vê uma nave, a Vorga, e espera ser salvo, mas ela passa direto por ele, abandonando-o. Seu desejo de vingança, que é o centro da história, faz com que Foyle desperte e comece a fazer o que jamais fizera. Ele estuda os manuais da nave e aprende, mas não consegue o que deseja. Fica preso entre as ferragens e é encontrado pelo Povo Científico, os únicos selvagens do século 24, que vivem num asteroide que é um aglomerado de naves espaciais soldadas umas às outras. Quando recupera a consciência, está casado e resolve fugir utilizando a nave que lhe serve de quarto, posteriormente sendo encontrado além de Marte. No hospital, fica sabendo o que os selvagens fizeram com ele ao olhar-se num espelho e ver seu rosto inteiramente tatuado com a palavra “Nômade” na testa; todos os selvagens usavam essas tatuagens. Foyle aprende a jauntar e, em sua procura por vingança, torna-se selvagem e impiedoso. Desenvolve seus poderes, mas não se torna suave, e sim rude, como as grandes companhias que o envolvem com suas tramas.
David Pringle disse que a cultura exuberante que Bester retrata neste livro é ainda mais incomum do que a que ele descreveu em O Homem Demolido. “A narrativa tem uma energia tremenda”, disse Pringle, “com a ação mudando rapidamente da Terra para o espaço e de volta à Terra: de Canberra a Shangai, a Roma, e novamente a Nova York, enquanto Foyle persegue seus inimigos. O enredo se torna cada vez mais complexo e, finalmente, é resolvido num clímax espetacular e sinestésico no qual torres de tipografias bêbadas cambaleiam ao longo da página”.
De fato, em Tigre! Tigre! Bester desenvolveu e aprimorou as técnicas apresentadas no excepcional O Homem Demolido, descrevendo uma sociedade futura inquietante, manipulada por grandes corporações e homens frios e impiedosos, um século 24 “(...) distorcido de modos maravilhosos e malevolentes”, como é dito no texto do livro, no qual o ser humano encontra-se às portas da conquista final do universo, ainda que não o perceba.
Bester também não dispensa o bom humor, ainda que sarcástico. A alta roda da sociedade é formada por clãs que levam como título de nobreza os nomes de antigas marcas comerciais: os Kodaks, os Sears-Roebuck, os Essos, etc.
Uma das características das histórias de Bester é a utilização de alterações no corpo das letras para realçar e enfatizar passagens do texto. Em O Homem Demolido, servia para ilustrar os diálogos telepáticos cruzados; aqui, para demonstrar graficamente uma modificação nos sentidos de Foyle. Assim, Bester utiliza as técnicas da poesia concreta com excelentes resultados para a narração.

(Capa: Peter Andrew Jones/ Penguin Books).

Adam Roberts entende que se trata do melhor romance de Alfred Bester, que é apontado por alguns como o melhor romance de ficção científica do século 20. É o que se chama de Bildungsroman, um “romance de formação”, palavra alemã para se referir “à narrativa que expõe o processo de amadurecimento físico, moral, psicológico, estético, social ou político de um personagem, partindo em geral de sua infância ou adolescência”. Para Roberts, apesar da história ser eletrizante e absorvente, ela é “menos importante que o clima e a cabal exuberância da construção do mundo de Bester. (...) De várias maneiras, o livro tem como modelos dramas de vingança jacobianos (Da época de Jaime I da Inglaterra), mas Bester não está interessado de fato na limitada especulação teológica de causa e efeito dos vingadores (Deus tem um lugar reduzido com severidade em seu imaginado sistema solar, e a religião organizada foi posta na ilegalidade). Na realidade, é um livro sobre a vontade, imaginada com fervor positivamente nietzschiano”. A explicação de Roberts para essa colocação é que os dois conceitos centrais do livro elaboram esse tema-chave. Assim, a capacidade de se teletransportar depende do pensamento em fazer a ação, ou seja, desejando estar em algum lugar. Por outro lado, o material explosivo PyrE, presença constante na trama, só pode ser detonado pelo pensamento, por psicocinese, ou seja, “(...) é a externalização concreta da vontade de destruição da humanidade, o símbolo que liga desejo a destruição. Nesse sentido, a novela de Bester, que teve influência incalculável sobre a New Wave e a escrita cyberpunk, carrega dentro de si o germe do triunfo nietzschiano da vontade”.
Cultuado em todo o mundo como um dos momentos máximos da ficção científica, no Brasil o livro teve um estudo excepcional realizado por José Paulo Paes (na Revista de Cultura, em 1972, e no seu livro Gregos e Baianos, Brasiliense, 1985), no qual é comparado a O Conde de Monte Cristo, o clássico do romance de folhetim, de Alexandre Dumas, inspiração já relatada pelo próprio Bester.
Com um estilo que o escritor e crítico de FC Brian Aldiss classificou de “barroco em tela panorâmica”, o livro é empolgante na proposta do enredo e na forma como ela é posta em prática.


OS IMPOSTORES (The Deceivers, 1981)

Alfred Bester.


A GUERRA DOS FANTASMAS (The Angry Espers, 1959)

Lloyd Biggle Jr.


O HOMEM SINTÉTICO (The Synthetic Man, 1950)

Theodore Sturgeon.


IT’S A GOOD LIFE (1953)

Jerome Bixby.
O escritor não é muito conhecido na ficção científica, mas tem alguns trabalhos bem interessantes, como esse conto, publicado originalmente em Star Science Fiction Stories No. 2, em 1953. A história ficou mais conhecido após ser adaptada para um episódio da famosa série de TV, Além da Imaginação (The Twilight Zone), em 1961. Também foi um dos episódios do filme No Limite da Realidade (Twilight Zone: The Movie, 1983), produção de Steven Spielberg adaptando histórias do seriado para o cinema. A sequência foi dirigida por Joe Dante. Bixby também escreveu alguns episódios de Jornada nas Estrelas (Star Trek) e a história de Viagem Fantástica (Fantastic Voyage, 1966), filme dirigido por Richard Fleischer, posteriormente transformado em livro por Isaac Asimov. Seu último conto, The Man From Earth, escrito praticamente em seu leito de morte, foi produzido para o cinema em um filme excelente com o mesmo título, em 2007.
O conto narra a incrível capacidade mental de um jovem que consegue transformar e criar o que desejar, ler as mentes das pessoas, teletransportar a si mesmo ou outras pessoas e objetos, e até mesmo reviver os mortos. Seuis poderes psíquicos já nascem com ele, de tal modo que o obstetra que faz seu parto é morto imediatamente, e a cidade em que ele nasce é imediatamente separada do resto do mundo, como se fosse uma proteção instintiva da criança, sem que se saiba exatamente se a cidade inteira foi para “outro lugar”, ou se o resto do mundo ou mesmo o universo deixou de existir.

John Larch, Bill Mumy, Max Showalter e Tom Hatcher, no episódios de Além da Imaginação (Cayuga Productions/ CBS Television Network).

Os humanos que convivem com ele têm de aprender a satisfazer seus desejos, pois, quando ele é contrariado, seus poderes entram em ação, e isso geralmente significa a morte de quem o contrariou.
A adaptação para o seriado Além da Imaginação seguiu quase literalmente o conto, com um final nada feliz. O jovem Anthony Fremont foi interpretado por Billy Mumy, que ficaria famoso com o personagem Will Robinson, da série Perdidos no Espaço (Lost in Space).

Kathleen Quinlan, Kevin McCarthy, Patricia Barry e William Schallert em No Limite da Realidade  (Amblin Entertainment/ Warner Bros.).

A adaptação para o cinema mudou um pouco as coisas, com um final feliz clássico sendo apresentado, quando o jovem entra em contato com uma professora (Kathleen Quinlan) que surge na cidade, e que consegue mudar o comportamento do jovem Anthony (Jeremy Licht).
Uma sequência foi apresentada na nova versão de Além da Imaginação (The Twilight Zone, 2002-2003), no episódio It’s Still a Good Life, com Bill Mumy repetindo seu papel como Anthony Fremont. Liliana Mumy, filha de Bill Mumy, interpreta sua filha Audrey, que herdou seus poderes e, mais do que isso, é capaz de trazer de volta ao mundo algumas coisas – e pessoas – que seu pai baniu da existência.


PASSAGEIROS PARA VÊNUS (The World Jones Made, 1956)

Philip K. Dick.


BATALHA AMARGA (Drunkard’s Walk, 1960)

Frederik Pohl.


DEPOIS DA BOMBA (Dr. Bloodmoney, or How We Got Along After the Bomb, 1965)

Philip K. Dick.
(ver também O Que Fazer Depois do Fim do Mundo).


ENGENHEIROS CÓSMICOS (Cosmic Engineers, 1950)

Clifford D. Simak.


O ERRO DO TEMPO (The Wrong End of Time, 1971)

John Brunner.


OS HERDEIROS DA TERRA (Inheritors of Earth, 1974)

Poul Anderson e Gordon Eklund.


OS HERDEIROS DAS ESTRELAS (A Heritage of Stars, 1977)

Clifford D. Simak.
(Ver também Os Mundos de Clifford D. Simak).


NAVE ESCRAVA (Slave Ship, 1957)

Frederik Pohl.


A HORA DA INTELIGÊNCIA (Brain Wave, 1954)

Poul Anderson.


OS INVASORES ANDAM ENTRE NÓS (A Scourge of Screamers, 1966)

Daniel F. Galouye.


VIAJANTES DO TEMPO (Time is the Simplest Thing, 1961)

Clifford D. Simak.
(ver também em Por Conta Própria).


THE WHOLE MAN (1964)

John Brunner.

(Capa: Brian Lewis).

O livro foi composto a partir de histórias publicadas originalmente em 1958 e 1959, na revista Science Fantasy, e também conhecido pelo título Telepathist.
O crítico John Clute disse que esse é um dos livros de Brunner publicados por volta de 1965 que tornou evidente que ele não queria continuar indefinidamente escrevendo histórias de ficção científica apenas para entretenimento, nas quais ele tinha se tornado um mestre, mas que estava determinado a expandir sua área de atuação. “The Whole Man”, escreveu Clute, “que compreende fundamentalmente histórias das revistas reescritas e muito material novo, geralmente é considerado um dos romances mais bem sucedidos de John Brunner. É uma tentativa de traçar um retrato psicológico de um homem deformado que possui poderes telepáticos, e que, gradualmente, aprende a utilizar esses poderes em modos de cura psiquiátricos”.


O TEMPO DAS ESTRELAS (Time for the Stars, 1956)

Robert A. Heinlein.


UM ESTRANHO NUMA TERRA ESTRANHA (Stranger in a Strange Land, 1961)

Robert A. Heinlein.
(Ver também Novas Religiões).


UMA PEQUENA MORTE (Dying Inside, 1972)

Robert Silverberg.
Adam Roberts (em A Verdadeira História da Ficção Científica) diz que Uma Pequena Morte é um dos livros mais plenamente elaborados de Robert Silverberg, o que não é dizer pouco de um dos escritores mais importantes do gênero. O livro “(...) diz respeito a um telepata apenas receptor chamado David Selig que vive de trapaças na Nova York da década de 1970. O arco da história acompanha o enfraquecimento gradual das aptidões de Selig, mas o maravilhoso do livro é a nitidez com que Silverberg expõe seus saltos promíscuos de uma mente para outra, alguns ocorrendo em um fluxo de consciência, outros de forma mais imagística (...). Em outras palavras, Selig é uma espécie de autor que pratica por telepatia essa entrada empática nas memórias de todo tipo de consciência que um bom escritor deve fazer”.
David Pringle também entende que o livro é muito bom, mas não é o tipo de obra que se torna popular. “Uma narrativa muito poderosa na primeira pessoa e, sem dúvida, um tipo de autobiografia disfarçada do autor”.


STARBORNE (1996)

Robert Silverberg.

(Capa: Gilbert Stone/ Macmillan).

O livro é uma expansão de seu conto Nave-Irmã, Estrela-Irmã (Ship-Sister, Star-Sister), publicado originalmente em 1973, em Frontiers 1: Tomorrow’s Alternatives, e depois em Os Jogos do Capricórnio (Capricorn Games, 1976). O conto é excelente, narrando um contato de uma nave terrestre com uma inteligência extraterrestre.
Em Starborne, uma tripulação de 50 pessoas parte ao espaço para encontrar mundos habitáveis, mantendo-se conectados à Terra por meio da telepatia entre um membro da equipe e sua irmã. Quando a conexão é rompida, a nave fica à deriva e encontra uma presença alienígena que vai mudar a concepção que os terrestres fazem à respeito do universo.


O ILUMINADO (The Shining, 1977)

Stephen King.
Um dos livros mais cultuados de Stephen King, e, quase certamente, o que estabeleceu definitivamente sua reputação como um dos mais importantes escritores de terror, fantasia e ficção científica da atualidade.
Quase todos já devem conhecer a história de Jack Torrance, que tenta ser escritor, sem sucesso, e que é alcoólatra, e resolve aceitar um trabalho como zelador do Hotel Overlook, no Colorado, fora da temporada; em outras palavras, está um frio de rachar, tudo está congelado, o hotel está fechado para a temporada, e apenas ele, sua esposa e seu filho ficam no lugar.
O centro de interesse no caso dessa matéria é o garoto, Danny Torrance, que tem imensa capacidade psíquica, a “iluminação” do título. Para ele, isso representa mais problemas do que soluções, uma vez que ele é capaz de ver os “habitantes” invisíveis do hotel, seus fantasmas, e conhecer os eventos terríveis que ocorreram ali.
Em sua chegada ao hotel, Danny conhece Dick Hallorann, o chef do hotel, que também possui as mesmas capacidades psíquicas e com quem estabelece uma conexão mental.
Os personagens Danny Torrance e Dick Hallorann retornaram ao centro das ações em Doutor Sono, sequência tardia a O Iluminado.
A história foi adaptada para o cinema e para a televisão (Veja em 3 Histórias de Pessoas Enlouquecendo com os Fantasmas).


A DANÇA DA MORTE (The Stand, 1978)

Stephen King.
Um dos livros mais impressionantes de Stephen King, apresentando uma praga, uma supergripe, que arrasa o planeta, deixando apenas uns poucos sobreviventes que, então, devem fazer o possível para se reorganizar no ambiente modificado em que se encontram. Poderia ser apenas mais um livro sobre um possível final para a civilização, mas quando de trata de Stephen King, o fim do mundo não parece ser suficiente. Depois do fim do mundo, vem... o fim do mundo. E, é bom que se diga, também uma possibilidade de redenção e de reinício.
Ele conseguiu unir várias características das literaturas de ficção científica, terror e fantasia, introduzindo elementos que conectam a história ao universo de A Torre Negra, provavelmente sua maior criação. E, como no universo de A Torre Negra, existem duas forças antagônicas lutando pelas almas sobreviventes no mundo.
Os poderes psíquicos parecem despertar em alguns dos personagens, que têm sonhos nos quais precisam optar por um lado ou pelo outro, além de receberem mensagens telepáticas orientando-os a seguirem em determinada direção para cumprirem suas tarefas, sejam para o bem ou para o mal.
(Ver também em O Mundo Dominado Pelas Pragas).


O APANHADOR DE SONHOS (Dream Catcher, 2001)

Stephen King.


UBIK (Ubik, 1969)

Philip K. Dick.

(Capa: Peter Rauch/ Doubleday).

Um dos principais livros de Philip K. Dick e da ficção científica. Entre outros ingredientes, a história imagina um futuro em que um dos grandes negócios são as “organizações de prudência”, voltadas para impedir a ação de telepatas e precogs que se infiltram nas indústrias para obter informações privilegiadas. Determinados aparelhos conseguem detectar e medir atividades psíquicas em um determinado local, de modo que um antitelepata possa entrar em ação e neutralizar a tentativa de infiltração. Da mesma forma, antiprecogs conseguem neutralizar os precogs, as pessoas com capacidade de prever o futuro.
Um dos precogs, Joe Chip, é chamado para avaliar Pat Conley, uma jovem com capacidades psíquicas que pode ser contratada pela empresa Runciter Associates, na qual ele trabalha, uma das “organizações de prudência”. Segundo Joe Chip, o precog consegue ver uma série de futuros lado a lado e, para ele, um desses futuros tem uma luminosidade maior do que os outros, e é esse que ele escolhe. O antiprecog tem de estar presente para agir no momento em que o precog está fazendo sua escolha, porque ele faz com que todos os futuros apresentados se pareçam iguais.
O que Joe Chip descobre é que Pat Conley tem uma capacidade ainda maior, e aterrorizante, que é a de controlar o futuro. Ela é capaz de ir ao passado e modificar o presente, inclusive a atuação do precog.

                                                                                                                                                                                  (Capa: Heidi North/ Vintage Books).

O resultado das ações de tantas pessoas com poderes psíquicos e transforma Ubik em um dos livros mais alucinantes e paranoicos de Philip K. Dick, e também devido ao outro elemento que ele introduz na história, a semivida, ou meia-vida; algumas pessoas mortas são mantidas congeladas, mas suas ondas cerebrais continuam funcionando, de modo que os familiares e amigos podem se comunicar com elas. Essa situação não dura para sempre, uma vez que suas vidas vão decaindo.
Na história, Runciter, o dono da empresa, é assassinado e colocado nesse estado de meia-vida, enquanto seus funcionários tentam se comunicar com ele. Só que o mundo parece estar se modificando completamente, como se estivesse se despedaçando ou perdendo a força, com tecnologias retrocedendo muitos anos e produtos estragando rapidamente. Os funcionários acham que Runciter está tentando se comunicar com eles do seu estado de semivida, mas o que de fato ocorreu é que os funcionários é que estavam mortos, e Runciter tentava chegar até eles.
O Ubik do título surge em diversos momentos, em pequenos anúncios, de lâminas de barbear a remédios para o estômago, café, cerveja, aparelhos elétricos, todos com o nome Ubik. Mas, principalmente, na forma de um spray que, se utilizado no corpo da pessoa, parece que lhe dá mais energia e prolonga a existência.

(Capa: Gene Szafran/ Bantam Books).

Para Adam Roberts, Ubik é um livro sobre a morte. “Quase todos os protagonistas”, ele escreve, “estão mortos na maior parte da novela e, em sua existência post-mortem, ainda decair para uma forma mais completa de morte. É também, no estilo das quantidades temáticas de Dick, estranha, mas poderosamente agrupadas, uma novela sobre a cultura da mercadoria; como se morrer e consumir fossem de alguma forma relacionados com naturalidade”.
Ubik segue um dos temas recorrentes e mais importantes para Philip K. Dick; que nosso mundo pode não ser exatamente o que imaginamos, e que nossa realidade pode estar sendo constantemente alterada por forças além de nosso controle e, frequentemente, além do nosso conhecimento.
Em A Vida de Philip K. Dick – O Homem Que Lembrava o Futuro (A Life of Philip K. Dick: the man who remembered the future, 2013. Seoman), de Anthony Peake, ele diz que, em Ubik, PKD “(...) desenvolve um de seus temas favoritos, abrumando a natureza da realidade e da irrealidade. Os leitores nunca sabem, do início ao fim, quais personagens estão vivos e quais estão mortos. Mas, embora o livro seja uma comédia, ele tem uma mensagem espiritual”.


GUERRA NAS ESTRELAS (Star Wars, 1977)

Direção de George Lucas.

Alec Guiness (Lucasfilm/ Twentieth Century Fox).

Os poderes naturais aqui derivam, como certamente todo mundo já sabe, da Força, uma espécie de repositório cósmico de energia que pode ser captada ou, melhor ainda, ser percebida e de certa forma, assimilada, pelas pessoas. E, é claro, ao entrar em contato com essa energia, a pessoa se torna capaz de feitos incríveis que vão desde a telepatia à telecinese, além de, em certos casos, estimular as capacidades guerreiras e conferir aos Jedi poderes imensos.
Não se trata de um conceito inovador, mas foi utilizado com propriedade por Lucas. E o bom dessa energia, em termos de elaboração de uma história, é que ela não tem uma consciência, de modo que tanto pode ser utilizada para o bem quanto para o mal, mais uma vez, como certamente todo já sabe. Adam Roberts (em A Verdadeira História da Ficção Científica) disse que a Força “(...) tem muito a ver com a Fonte, da série Novos Deuses (New Gods), de Jack Kirby”. E vários críticos apresentaram uma relação de semelhanças com conceitos de religiões existentes na Terra, e algumas dessas semelhanças certamente existem, porque o conceito da Força parece ser universal.


ESPY, O PODER DA MENTE (Esupai, 1974)

Direção de Jun Fukuda.

                                                                                                                                  (Toho Eizo Co.).

Segundo Thomas Weisser e Yuko Mihara Weisser, em Japanese Cinema Encyclopedia – Horror, Fantasy, Science Fiction, Jun Fukuda era tido como uma espécie de versão menor de Ishiro Honda, uma vez que ele dirigiu cinco filmes da “segunda onda” de produções com Godzila (e Honda dirigiu o original), “(...) começando com o realmente horroroso” Gojira Ebira Mosura: Nankai No Daiketto (1966. Também com os títulos: Godzilla Vs The Sea Monster; Ebirah, Terror From the Deep; Big Duel in the North Sea).
O Espy do título nacional surge no filme como “uma japanização encantadora combinando ESP e SPY”, segundo Thomas e Yuko Weisser, e é uma organização internacional que reúne pessoas com poderes paranormais, que entra em combate com uma organização semelhante, porém voltada para ações malévolas. “Como é típico na maioria dos filmes de Fukuda”, escrevem os Weisser, “este parece estar apenas meio concluído, com um enredo desorientado que faz pouco mais do que embaraçar um elenco competente”. Um dos atores é Hiroshi Fujioka, que foi o herói da primeira etapa da série de TV, Kaimen Rider (1971), e que “faz tudo o que pode para salvar o filme, mas não é suficiente. O ator veterano Tomisaburo Wakayama dá a impressão de que preferia estar numa consulta com o dentista".
O final não poderia ser mais meloso, com todos os personagens, inclusive os vilões, afirmando que os poderes da mente derivam do amor. Eca.
No Brasil, foi lançado em VHS da WR.


ENERGIA PURA (Powder, 1995)

Direção de Victor Salva.

Sean Patrick Flanery em Energia Pura (Caravan Pictures/ Daniel Grodnik Productions/ Hollywood Pictures/ Itasca Pictures).

Excelente elenco que inclui Mary Steenburgen, Sean Patrick Flanery, Lance Henriksen e Jeff Goldblum. O filme é muito bom, mas acabou sendo marcado pelo fato de ter sido dirigido por Victor Salva que, em 1988, foi condenado por abuso sexual e pornografia infantil.
Uma mulher grávida é atingida por um raio e morre no hospital. Seu filho, Jeremy Reed (Sean Patrick Flanery), é salvo e descobre-se que ele tem a pele completamente sem pigmentação. Anos depois, ele é descoberto vivendo no porão da casa dos avós, que também morreram. Ele é levado a um abrigo para jovens e logo desperta a atenção, não apenas pela pele totalmente branca, mas pelos poderes paranormais que possui, numa escala até então inimaginável, sendo capaz não só de realizar ações magnéticas, mas de entrar em contato mental com as pessoas e com a própria natureza, como se estivesse constantemente conectado a todos os seres vivos.
Um professor (Jeff Goldblum) se interessa por ele e acredita que o jovem pode ser uma amostra do homem do futuro, alguém além da tecnologia e da ciência, em contato direto com o universo.
Um dos aspectos mais relevantes do filme está em mostrar até que ponto a sociedade moderna rejeita o estranho e o diferente, o temor irracional que apresenta diante de situações ou seres que não consegue compreender à primeira vista, originando um ódio racista incompreensível. Em uma cena, o xerife (Lance Henriksen) diz a seu ajudante violento, quando este desconfia do jovem Jeremy, que ninguém é branco o bastante para ele.
Em um mundo em que Jeremy é único, o que sobressai é apenas sua solidão e sua dor, marcada desde o nascimento, quando foi rejeitado pelo pai. O final é inesperado, com um ambiente quase místico, mantendo em suspense o destino de Jeremy. Um filme excelente, pouco reprisado no Brasil. Lançado em VHS pela Abril e em DVD pela Buena Vista.


FENÔMENO (Phenomenon, 1996)

Direção de Jon Turteltaub.

Robert Duvall e John Travolta (Touchstone Pictures).

Outro filme com excelente elenco que inclui John Travolta, Forest Whitaker, Kyra Sedgwick e Robert Duvall.
Travolta interpreta o mecânico George Malley, um mecânico de uma pequena cidade da Califórnia que vê sua vida mudar radicalmente depois que uma luz, supostamente vinda do céu, atinge sua cabeça. A partir desse momento, sua inteligência aumenta de maneira prodigiosa, inclusive desenvolvendo poderes mentais como a da telecinese. Por um lado, suas novas e impressionantes habilidades mentais fazem com que as pessoas da cidade passem a considerá-lo um estranho. Apesar de ele procurar ajudar seus amigos e conhecidos, a reação das pessoas não é exatamente a que ele esperava; como em Energia Pura, as pessoas têm medo do que não conhecem e não podem explicar. Ele acaba chamando a atenção de cientistas e do FBI após conseguir prever corretamente um terremoto. Passa por uma série de testes e exames que mostram que ele tem um tumor no cérebro e vai morrer.
O filme é muito bom, mas originou uma refilmagem tenebrosa com o título Phenomenon II (Phenomenon II, 2003), apresentado como um episódio da série de TV O Maravilhoso Mundo de Disney. No Brasil, foi apresentado na TV paga (com o título em português igual ao título em inglês que, por sua vez, sabe-se lá por que foi apresentado como número dois, já que a história é exatamente a mesma).


ATITUDES EXTREMAS (On the Edge, 2001)

Direção de Anne Heche/ Mary Stuart Masterson/ Jana Sue Memel/ Helen Mirren.

Paul Rudd e Andie McDowell, no episódio Reaching Normal (Chanticleer Films/ Paramount Network Television Productions).

Produção para a TV, dividida em três episódios, ao estilo do antigo Além da Imaginação. No caso desse especial, nos interessa o terceiro episódio, Reaching Normal, dirigido por Anne Heche a partir do conto Command Performance, de Walter M. Miller Jr., publicado originalmente na revista Galaxy Science Fiction, em 1952. A história apresenta uma dona de casa com uma vida comum, entediante, que começa a ouvir vozes em sua cabeça que quase a enlouquecem, até que conhece um homem que se conecta telepaticamente a ela; e as coisas se complicam de vez.

                                                                                                                               (Capa: Jack Coggins).

Os demais episódios também são muito bons. O primeiro, Happy Birthday, dirigido por Helen Mirren, a partir do conto The Placement Test, de Keith Laumer, apresenta um futuro em que o planeta está superpovoado e um computador central controla tudo. Uma jovem é mandada embora da escola antes de se formar porque, segundo informam, ela é esperta demais e precisa de um ajuste craniano de modo que fique “alegre”. Ela decide que precisa encontrar o computador central e fazer alguns ajustes nele. A segunda história, The Other Side, foi dirigida por Mary Stuart Masterson, a partir do conto Lifeboat on a Burning Sea, de Bruce Holland Rogers, e apresenta um pioneiro no campo da inteligência artificial. Ele está morrendo e, secretamente, cria um clone de si mesmo; quando uma mulher que ele conheceu no passado vai trabalhar com ele, o clone decide que o seu “original” está entre ele e sua amada.
Jana Sue Memel dirigiu as sequências que unem os episódios, o ponto mais fraco do filme que, no mais, é excelente. Foi lançado no Brasil em vídeo e chegou a ser apresentado na TV, nos primórdios da TV a cabo, e depois disso parece que foi esquecido, o que é uma pena. O elenco traz Ellen DeGeneres, John Goodman, Andie McDowell, Helen Mirren, Paul Rudd, Beverly D’Angelo, Christopher Lloyd, Anthony LaPaglia e muito mais.


CRIMES PREMEDITADOS (Thoughtcrimes, 2003)

Direção de Breck Eisner.

Joe Flanigan e Navi Rawat (USA Network).

Uma estudante começa a ouvir vozes em sua cabeça e é diagnosticada como sendo esquizofrênica, e passa nove anos numa instituição. Mas um médico do governo percebe que o diagnóstico está errado, e ela na verdade é telepata. Assim, ele não apenas a retira da instituição como faz com que ela seja treinada para trabalhar para o governo. Juntamente com um agente de segurança dos EUA, ela vai atrás de um assassino, sem poder revelar seus poderes ao parceiro. Nada demais.


ALUCINAÇÕES DO MAL (The Sender, 1982)

Direção de Roger Christian.

                                                     (Paramount Pictures/ Kingsmere Productions Ltd.).

O filme se coloca no campo do terror, apresentando um jovem (Zeljko Ivanek) que tenta se suicidar colocando pedras em seus bolsos e simplesmente caminhando para dentro de um lago. Ele é salvo e levado a um centro psiquiátrico, onde é chamado de John Doe, uma vez que não sabe o seu nome ou tem qualquer memória do passado. Lá, é tratado por uma médica que começa a ver coisas, imaginando estar tendo alucinações, até perceber que o jovem é telepata e faz com que as pessoas tenham sonhos e visões.  Ele não consegue controlar seu poder e, quando é submetido a um tratamento de choque por outro médico, envia imagens mentais a todos no hospital, que sentem a mesma dor que ele está sentindo.
Aos poucos, a médica desvenda as imagens simbólicas nos sonhos do jovem, descobrindo que sua mãe tentou matá-lo com gás. Ao final, aparentemente recuperado, ele é liberado do hospital e, ao sair com seu carro, vê a imagem da mãe ao seu lado; ela não pode ser destruída, porque vive em sua mente, como uma existência real.
Esse foi o primeiro longa-metragem de Roger Christian, e certamente seu melhor trabalho. A carreira do diretor jamais chegou a decolar e ele ainda foi o irresponsável pelo tenebroso A Reconquista (Battlefield Earth, 2000).


O TOQUE DE MEDUSA (The Medusa Touch, 1978)

Direção de Jack Gold.

Richard Burton e Lee Remick (Coatesgold/ ITC Entertainment/ Bulldog/ Citeca Productions).

O filme despertou opiniões bem diversas, alguns gostando, outros odiando. Foi baseado no livro The Medusa Touch (1973), de Peter Van Greenaway, que faz parte de uma série de livros com o personagem Inspetor Cherry da Scotland Yard.
Richard Burton interpreta o escritor John Morlar, que tem fantásticos poderes paranormais, sendo capaz de matar pessoas apenas desejando isso. Para complicar, ele tem uma personalidade bastante abalada, e se torna obcecado com a ideia de que ele é o causador de todo tipo de acidente, ainda que alguns, evidentemente, ele realmente possa causar. No início do filme ele é atacado em sua residência, quando assistia ao desastre de uma expedição à Lua que, segundo acredita, foi causado por ele. Seu cérebro é amassado com sucessivas pancadas, e entra em cena o policial que vai investigar o caso (Lino Ventura), que aqui é chamado Brunel.
Inexplicavelmente, o escritor continua vivo no hospital, com suas ondas cerebrais sendo registradas em ritmo intenso. Lee Remick, que interpreta a psicanalista pessoal de Morlar, confessa ao inspetor que foi ela quem o atacou, finalmente convencida de que ele realmente tinha o poder que afirmava ter; e mais, que ele pretendia utilizá-lo para ações destrutivas.
As ações seguintes levam à destruição de uma catedral em Londres, pela ação mental do escritor, com toda a nobreza e clero presentes, a tentativa do inspetor de matar Morlar, desconectando os aparelhos que o sustentavam. Mas nada disso adiante; ele continua vivo, e seus planos de destruição incluem a destruição de uma usina nuclear.
No Brasil, foi lançado em vídeo da Top Tape.


CARRIE, A ESTRANHA (Carrie, 1974)

Stephen King.
O primeiro romance de Stephen King, lançando-o para o sucesso imediato. Narra a triste história da jovem Carrie White, tímida e atormentada pela mãe, fundamentalista cristã, que tudo proíbe e a exclui da vida normal de uma adolescente na sociedade. Carrie é perseguida e ridicularizada pelos colegas da escola, até que descobre que possui poderes psíquicos gigantescos, que utiliza nas cenas finais em que praticamente destrói a escola e mata vários de seus colegas.

(Red Bank Films).

Hoje, a história é bastante conhecida, e nos anos seguintes originou uma série de livros e filmes na mesma linha, em particular a excelente adaptação de Brian De Palma, em Carrie, A Estranha (Carrie, 1976), com Sissy Spacek no papel central. A história de King ainda foi adaptada em uma sequência horrorosa e totalmente dispensável, A Maldição de Carrie (The Rage: Carrie 2, 1999); também em uma produção para a TV com o mesmo título, em 2002; e em uma refilmagem com o mesmo título em 2013. Nenhuma dessas produções chega aos pés do filme de Brian De Palma.
Outros filmes seguiram na cola da história original. É o caso de A Maldição Fatal (The Spell, 1977), feito para TV e dirigido por Lee Philips. Ou A Iniciação de Sarah (The Initiation of Sarah, 1978), que transfere a ação para o ambiente das fraternidades estudantis.


HISTÓRIAS INSÓLITAS (Beyond Reality, 1991-1993)