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CUIDADO! TERRÁQUEOS BRAVOS.

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autorGilberto Schoereder
publicado porGilberto Schoereder
data20/05/2026
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Apesar de serem menos comuns que as invasões alienígenas, as histórias apresentando os humanos invasores ou como vilões são importantes na ficção científica.

O Dia em que a Terra Parou (20th Century Fox).

Um dos temas mais comuns na ficção científica é o das invasões e guerras contra seres alienígenas – tema abordado no especial Alienígenas na Terra. E em especial no cinema, onde as histórias de invasões chegaram a assumir características políticas, como ocorreu na época da Guerra Fria, entre os anos 1950 e 1960. Nessas histórias, geralmente os extraterrestres são vistos como monstros, com ideias de dominação, controle ou mesmo de extermínio dos humanos, seja por quais razões.

Mal desceu de sua nave, Klaatu já foi atingido pelos terráqueos, em O Dia em que a Terra Parou (20th Century Fox).

Menos comum, no entanto, é o tema do contato entre humanos e extraterrestres nos quais, de uma forma ou de outra, os humanos são os vilões. E é estranho que essas histórias não sejam mais comuns, considerando a própria história da humanidade, repleta de ações violentas, guerras, invasões, massacres, torturas e extermínios, desde que se tem notícia.
Na ficção científica, às vezes a ação nefasta dos malditos terrestres é sutil, como no filme clássico O Dia em que a Terra Parou (The Day the Earth Stood Still, 1951) (Mais sobre o filme em Os Discos Voadores), baseado na história Farewell to the Master (1940), de Harry Bates. A sutileza está no fato de que as civilizações extraterrestres veem os terrestres como uma raça perigosa, violenta, uma ameaça em potencial para os demais habitantes da galáxia, de forma que resolvem nos visitar para nos dar um aviso. E o emissário, Klaatu, é recebido a bala já no primeiro contato.
Outras vezes, a ação dos humanos é explícita, descarada, como no mais recente Avatar (Avatar, 2009), no qual os malditos ameaçam exterminar a raça inteligente do planeta Pandora para extrair os minerais de que necessitam.

Capa de Richard Powers (Berkley Books, 1985).

E, apesar de não ser tão comum, são histórias que vêm sendo contadas pelo menos desde 1901, quando H.G. Wells publicou seu Os Primeiros Homens na Lua (The First Men in the Moon. Ed. Francisco Alves, 1985). É verdade que não se trata de uma invasão terrestre à Lua, mas os viajantes em questão chegam ao satélite e encontram uma civilização local, sendo aprisionados. Posteriormente, um deles mata vários selenitas, e descobrem que na Lua existem minerais que podem ser utilizados na Terra. Os selenitas semelhantes a insetos, que não são bestas, capturaram os terrestres porque sabiam que o retorno deles à Terra poderia dar início a uma invasão da Lua.
A história foi adaptada para o cinema em 1919, com direção de Bruce Gordon e J.L.V. Leigh, e novamente em 1964, com direção de Nathan Juran. A primeira versão foi perdida, e na segunda versão, os selenitas acabam sendo dizimados pelo vírus da gripe que os humanos levam ao planeta. Uma produção para a TV foi apresentada em 2010.
Apesar do precedente imaginado por H.G. Wells, essa visão dos terrestres como potencialmente perigosos para raças alienígenas só começou a se tornar mais comum na ficção científica a partir dos anos 1950.

                                                                    Margaret Field e Pat Goldin, como o alienígena do planeta X (Mid Century Film Productions).

No mesmo ano de O Dia em que a Terra Parou, outro filme também apresentou um extraterrestre com boas intenções, em O Homem do Planeta X (The Man From Planet X) (Mais sobre o filme em Naves Alienígenas Entre Nós), dirigido por Edgar G. Ulmer. Segundo se diz, antecipou ao apresentar um alienígena benevolente, que chega à Terra apenas procurando ajuda ao seu planeta que enfrenta problemas. Mas ele não conhecia muito bem os humanos e é capturado por um cientista que quer obter seus segredos.
Ainda em 1951, o escritor Clifford D. Simak cutucou a ambição sem medidas dos humanos em Guerra no Tempo (Time and Again) (ver mais em As Máquinas do Tempo e Quase Humanos), espalhando-se pela galáxia em conquistas violentas para as quais utilizam basicamente seus robôs, que não gostam nem um pouco da situação.

Rudolph Anders, Ted Cooper, Harry Landers, Noreen Nash e Dick Sands, em Fantasma do Espaço (Planet Filmplays).

Nos anos seguintes, alguns filmes mostraram como os terrestres costumam se enganar facilmente com as aparências, desejando eliminar ou combater tudo o que lhes parece diferente dos humanos. O pior deles é Fantasma do Espaço (Phantom From Space, 1953), dirigido por W. Lee Wilder, irmão do famoso cineasta Billy Wilder. Aqui, o coitado do alienígena tem um problema com sua nave e cai justamente na Terra, um dos piores planetas para ser um alienígena. Ele acaba sendo perseguido pela polícia e pelos cientistas que desejam investigá-lo, entenda-se “fazer experiências”, mas o alien acaba fugindo e morrendo quando o gás que respira acaba.
Em The Encyclopedia of Science Fiction, Gary Westfahl diz que, em alguns aspectos, o filme lembra O Homem do Planeta X, ainda que, apesar de alguns momentos interessantes, seja um filme mal construído e com explicações “científicas” ilógicas. As semelhanças estão nos fatos de que se trata de um visitante alienígena que não deseja fazer qualquer mal, e também que ele precisa usar um traje espacial para sobreviver à nossa atmosfera. “No entanto”, diz Westfahl, “seu alienígena parece ainda mais vulnerável e ainda mais benigno, já que pousou na Terra inadvertidamente e mata duas pessoas somente depois de ser atacado por elas. Em uma cena notável, o cientista Dr. Wyatt (Rudolph Anders) insiste que os humanos devem se esforçar para ver as coisas ‘do ponto de vista dele’, já que ‘Ele está em um mundo alienígena. Sem dúvida, somos tão assustadores para ele quanto ele é para nós’. Portanto, há uma aura de tragédia na cena final, quando o alienígena, repentinamente com aparência humana, jáz morto no chão de um observatório”.

                                                                                                                         Stranger From Venus (Rich & Rich Ltd./ Princess Pictures).

Melhorzinho foi Stranger From Venus (1954), produção inglesa dirigida por Burt Balaban, também conhecido pelos títulos The Venusian e Immediate Disaster, e que traz no elenco Patricia Neal, que já teve um encontro com um extraterrestre em O Dia em que a Terra Parou. O venusiano interpretado por Helmut Dantine também vem à Terra com uma mensagem para o povo e seus governantes, contra o uso de armas nucleares. Assim como Klaatu, quer promover o encontro de representantes da Terra e de Vênus, mas é claro que alguns terráqueos querem obter mais do emissário, apesar dele prometer que, se a Terra desistir das armas nucleares, os venusianos irão repartir com os terrestres seus conhecimentos científicos avançados. As coisas não dão certo e quase avança para uma guerra desastrosa para nosso planeta.

Veio do Espaço (Universal International Pictures).

Bem melhor do que esses filmes foi Veio do Espaço (It Came From Outer Space, 1953), dirigido por Jack Arnold a partir do conto O Meteoro, de Ray Bradbury. Dessa vez trata-se de um engano por parte do personagem central, que imagina estar ocorrendo uma invasão alienígena, quando na verdade os extraterrestres apenas estão querendo ajuda.

                                                                                                                 Capa de Josh Kirby (Corgi Books, 1963).

No mesmo ano Arthur C. Clarke publicou o conto Campanha Publicitária (Publicity Campaign), em The Evening News, posteriormente publicado em O Outro Lado do Céu. A história apresenta extraterrestres que tentam um contato com os humanos, cheios de boas intenções. O problema é que pouco antes dos embaixadores alienígenas chegarem à Terra com suas naves, uma imensa campanha publicitária tinha sido montada para apresentar o “maior filme de ficção científica já realizado”, e que mostrava extraterrestres que invadiam e destruíam nosso planeta. Assim, logo que desembarcam, os embaixadores são destroçados pela população, e os militares tentam destruir as naves alienígenas em órbita. Como resultado, os aliens revidam e acabam com a Terra, indo embora sem entender o porquê de tanta hostilidade. Falta de comunicação e xenofobia como ingredientes centrais das atitudes terráqueas.

Capa de Ed Emshwiller (Ace Books, 1958).

Em 1958, Robert Silverberg publicou Invasores Terrestres (Invaders From Earth) (ver mais em E Mais Colonizações), com os terrestres descobrindo que existe vida inteligente em Ganimedes, a lua de Júpiter, o que não impede que levem adiante seu plano de explorar os minérios locais, sem levar em consideração os habitantes locais. É um dos bons livros do autor em seu início de carreira.

                                                                                                                            Capa de Richard Powers (Ballantine Books, 1958).

No mesmo ano, James Blish publicou Um Caso de Consciência (A Case of Conscience) (mais sobre o livro em O Caminho da Fé), obra expandida de um conto publicado originalmente em 1953, na revista If. Além de ser um dos primeiros livros a introduzir o tema da religião na ficção científica, também é uma das mais contundentes mostras de como os humanos não estão preparados para o contato com raças alienígenas, e o resultado é terrível para os habitantes do planeta Lithia.

Capa de Richard Powers (Doubleday, 1959).

Diz-se que a história Os Abutres Bondosos (The Gentle Vultures, 1957) foi escrita por Isaac Asimov porque ele estava extremamente descontente com o andamento da Guerra Fria e com o aumento das armas nucleares no planeta. Foi publicada originalmente na revista Super-Science Fiction e, posteriormente, na coletânea Nove Amanhãs (Nine Tomorrows, 1959). Ele imaginou uma raça extraterrestre que chamou de hurrianos, do planeta Húrria, incapazes de causar qualquer mal a quaisquer criaturas, mas que têm como missão ajudar as raças que se liquidaram após uma guerra nuclear. Claro que não fazem isso de graça, mas ajudam. Quando chegam ao sistema solar, estabelecem uma base na Lua e ficam surpresos com o fato de os terrestres não terem se destruído ainda. Chegam à conclusão de que a única forma de ocorrer uma guerra nuclear no planeta é fazer com que uma bomba nuclear atinja algum país, forçando a retaliação. Porém, isso é algo impossível deles fazerem, uma vez que não aceitam esse tipo de ação direta e destrutiva. Dessa forma, resolvem desativar sua base lunar e partir, sabendo que, algum dia, os primatas da Terra surgirão com suas naves na galáxia e será o fim de todas as ações pacificadoras que eles realizaram.

                                                                                                                                                                      Capa de Richard Powers (Ballantine Books, 1961).

Philip José Farmer abordou os temas da sexualidade, religião e genocídio em seu livro Os Amantes do Ano 3050 (The Lovers, 1961) (ver mais em Algumas Mudanças), uma extensão de uma história publicada em agosto de 1952 na revista Startling Stories. Os malditos extraterrestres vão ao planeta Ozagen e entram em contato com uma raça que evoluiu de insetos, e que os humanos planejam exterminar completamente. O personagem central é o linguista Hal Yarrow, observado de perto por um integrante do governo tirânico extremamente radical e religioso do século 31, que não permite quaisquer desvios da conduta oficial. Durante seu trabalho no planeta, ele visita as ruínas de uma civilização desaparecida de mamíferos, onde encontra Jeannette, uma sobrevivente da raça agora extinta e com aparência humana, e muito atraente. E, claro, o contato é proibido pela religião terrestre; e, é claro, o contato se aprofunda, por assim dizer.
Antes de ser publicado em Startling Stories, a história foi rejeitada por duas revistas conceituadas do gênero, mas assim que foi publicada fez com que o nome de Farmer fosse reconhecido, alguns críticos e escritores de FC afirmando que se tratava da mais espetacular estreia na ficção científica dos EUA.

Capa de Diane Dillon e Leo Dillon (Gold Medal Books, 1963).

Uma das mais belas e tristes abordagens da maldade dos humanos com alienígenas surgiu em 1963, com O Homem Que Caiu na Terra (The Man Who Fell to Earth), de Walter Tevis, contando a história do alienígena que vem à Terra do planeta Anthea, que é assolado com uma seca, com o objetivo de construir uma nave espacial que possa levar suprimentos. Assume uma identidade humana, apresentando-se como Thomas Jerome Newton, e ao registrar uma série de patentes de invenções , inicia o processo para tornar-se milionário e poder levar adiante seu projeto. E isso desperta a atenção dos poderosos do governo, e acaba sendo capturado e examinado, com testes que acabam deixando-o cego Ao final, ele mantém sua fortuna, mas está arrasado, seu projeto acabado e sem qualquer esperança de salvar seu planeta.
O livro foi brilhantemente adaptado para o cinema em 1976, com David Bowie como o extraterrestre.

                                                                                                                                                               Capa de Mark Salwowski (Granada, 1984).

Os Negros Anos-Luz (The Dark Light Years, 1964) (ver mais em Sem Más Intenções), de Brian W. Aldiss, geralmente é considerado entre os trabalhos menos significativos do autor, no mais um dos maiores escritores de ficção científica de todos os tempos. Ainda assim, com todos os problemas que a narrativa possa apresentar, é uma visão assustadora dos terrestres quando em contato com uma raça alienígena que eles não conseguem e nem querem entender.
Os extraterrestres em questão são chamados de utods, e eles e os humanos chegam ao mesmo tempo em um planeta que as duas raças planejavam explorar. O primeiro problema que surge deve-se à aparência dos utods; apesar de serem extremamente evoluídos e com linhas de pensamento muito distantes do pensamento humano, são seres disformes, pesados, que gostam de viver na lama, onde defecam.
Já no primeiro encontro, eles se dirigem aos humanos querendo uma comunicação, felizes com o encontro com uma raça diferente, mas são recebidos a bala. Seis utods são mortos e dois são levados à nave terrestre para serem estudados.
Aldiss inicia a narração do ponto de vista dos utods, mostrando como a vida na lama é o natural para eles e como é necessária, para em seguida mostrar o desprezo e ignorância dos humanos, que não podem suportar a imundície dos seres. É um contato duro entre uma raça sensível e a terrestre, preocupada apenas consigo mesma, com seus interesses mesquinhos.

(Signet/New American Library, 1964).

Os aliens são levados para a Terra e guardados em um zoológico, e os humanos, apesar de terem encontrado a nave espacial dos seres, ainda discutem se eles podem ou não ser inteligentes. O resultado do contato é desastroso para os utods, que acabam sendo dissecados. Posteriormente, uma expedição encontra o planeta natal dos aliens e, posteriormente, uma guerra que está sendo travada pelos terrestres chega ao planeta e os utods começam a ser extintos.
Assim, trata-se de uma história sobre os seres humanos e sua incrível capacidade destrutiva. Todos os personagens que realmente tomam decisões, os que têm o poder de decidir o rumo da história, são totalmente preconceituosos, vendo o universo como um quintal onde podem expandir seus egos e desejos mesquinhos.
O contraste entre o mundo dos aliens e dos humanos é marcante. Os utods vivem na lama que os terrestres tanto desprezam, mas possuem os pensamentos mais elevados. Vivem em paz com seu ambiente, consigo mesmos e uns com os outros. Os terrestres, que não podem entender e, portanto, suportar a visão dos aliens vivendo no meio dos excrementos, são tão limitados mentalmente que não percebem a lama em que se transformou as suas cidades. Em Londres, para sair às ruas, as pessoas precisam usar máscaras especiais e caminhar no meio do lixo espalhado. A contradição é flagrante, reduzindo os seres humanos à sua importância real, de meros destruidores. Um livro que, certamente, não é tão inferior como pretendeu parte da crítica.

                                                                                                                                                                                                                                       (The MIT Press, 2020).

O grande escritor polonês de ficção científica, Stanislaw Lem, publicou em 1971 a coletânea de histórias Viagens de Ijon Tichy (Ze Wospomniem Ijona Tichego), com narrações do personagem Ijon Tichy, que viaja por um universo que já está totalmente colonizado pelos humanos. Na primeira parte do livro, “Salvemos o Universo (Carta Aberta de Ijon Tichy)”, o narrador apresenta um protesto contra as atrocidades cometidas pelos seres humanos em diversos planetas do universo. Sem deixar o humor de lado, Lem apresenta descrições de seres e animais extraterrestres, acompanhadas de ilustrações,com formas que, de certa maneira, refletem o que de pior existe nos turistas da Terra. Assim, Lem dedica-se a arrasar a falta de inteligência e a insensibilidade dos seres humanos.

Capa de Josh Kirby (The Elmfield Press, 1974).

O escritor Lloyd Biglle Jr. Não foi tão bem sucedido em seu Luz de Outra Dimensão (The Light That Never Was, 1972), ainda que tenha apresentado uma versão igualmente terrível da presença humana na galáxia, colonizando inúmeros planetas nos quais encontram seres vivos, muitos deles nitidamente inteligentes, mas que são tratados como animais. Os seres encontrados são colocados em campos ou são mortos, sem quem tenham quaisquer direitos. A história ainda apresenta um mistério envolvendo o planeta Donov, para o qual acabam se dirigindo inúmeros extraterrestres que vêm sendo massacrados em outros locais.
A história é completamente diferente com Floresta é o Nome do Mundo (The Word for World Is Forest), da excepcional escritora Ursula K. Le Guin, obra premiada com o prêmio Hugo em 1973. Essa é uma das visões mais aterradoras do que os terrestres são capazes de fazer com uma raça extraterrestre, no caso os pequenos habitantes do planeta Athshe, que os humanos dominam para extrair a madeira das árvores que cobrem o mundo inteiro.
As ações violentíssimas empregadas pelos militares que comandam as ações no planeta acabam fazendo com que os nativos, inicialmente totalmente pacíficos, mudem sua postura e iniciem uma revolta contra os dominadores (mais sobre o livro em E Mais Colonizações).

Capa de Dominic Harman (Gollancz/Orion, 2014).

Para alguns críticos, JEM: A Construção de Uma Utopia (JEM: The Making of a Utopia, 1979) é o melhor trabalho do escritor americano Frederik Pohl (1919-2013). Certamente é um dos bons, e com um tema que se enquadra no que estamos abordando, apresentando uma Terra futura dividida em três grandes blocos, constantemente em atrito, e a descoberta de um novo planeta, igualmente habitado por três raças inteligentes, aparentemente antagônicas.
Claro que os terrestres imediatamente fazem aliança, cada um com uma das raças, e procuram instigá-las a uma guerra na qual nenhuma delas está interessada, inclusive fornecendo a tecnologia para eliminar as demais.

                                                                                                                                                                          Capa de Lonny Buinis (1978).

Algumas críticas ressaltaram o ponto negativo de que a sociedade do planeta Jem merecia uma análise e desenvolvimento mais amplo por parte do autor, mas ainda assim é um excelente exemplo na ficção científica de como os terrestres levam seus problemas para onde quer que vão, e tentam utilizar seus métodos violentos e mesquinhos para conseguir o que desejam, ainda que nem sempre tenham êxito nisso.
Ainda que tenha sido publicado como livro em 1979, começou a ser publicado em capítulos na edição de novembro/dezembro da revista Galaxy, em 1978, estendendo-se até a edição de julho de 1980.

No início dos anos 1980, alguns filmes abordaram a incapacidade dos terrestres em lidar com possíveis primeiros contatos com extraterrestres chegando ao nosso planeta, a começar com o mais famoso deles, E.T. – O Extraterrestre (E.T. the Extraterrestrial, 1982), dirigido por Steven Spielberg, sobre o qual podem encontrar mais informações nas matérias Sem Más Intenções e Naves Alienígenas Entre Nós. Aqui, a incapacidade dos terrestres está no fato de que sempre existem aqueles cientistas e militares que querem estudar os alienígenas, no caso, o alienígena, custe o que custar.

(Rosenfield Company/ Wavelength Film Company).

Não tão bem sucedido foi Terror no Espaço (Wavelenght, 1983), dirigido por Mike Gray, uma produção com pequeno orçamento que conta a história de seres extraterrestres que chegaram à Terra e foram mantidos prisioneiros pelo governo americano, em instalações subterrâneas secretas em Los Angeles. Um casal que mora perto do local descobre o que está acontecendo e resolve tentar ajudá-los a escapar e retornar à nave-mãe.
A trama é parecida com a de E.T. em muitos aspectos, mas o roteiro foi escrito em 1977, e o filme era para ter sido lançado antes do filme de Spielberg, mas atrasou devido a problemas com os efeitos especiais. O diretor Mike Gray foi um dos roteiristas de Síndrome da China (The China Syndrome, 1979), e o filme ainda teve a trilha sonora de Tangerine Dream.

Karen Allen e Jeff Bridges, em Starman (Columbia Pictures/ Industrial Light & Magic/ Delphi II Productions).

Outro alienígena que foi perseguido ao chegar à Terra foi o do filme Starman – O Homem das Estrelas (Starman, 1984), dirigido por John Carpenter, com Jeff Bridges como o alien. Karen Allen é uma viúva, e o alien assume a aparência do marido falecido, vindo ao nosso planeta atendendo ao convite recebido pela nave Voyager, encontrada por seu povo. O filme chegou a ser acusado de plágio, por usar no final a mesma nave utilizada em Terror no Espaço.

(The Wolper Organization/ Mountain View Productions/ Warner Bros. Television).

Outra chegada de extraterrestres muito mal interpretada pelos humanos ocorreu em 1994, no filme Alerta Mortal (Without Warning), produção para a TV dirigida por Robert Iscove. O filme foi apresentado originalmente na rede CBS dos EUA, e o formato escolhido foi uma homenagem à famosa transmissão radiofônica de A Guerra dos Mundos, produzida por Orson Welles em 1938, ou seja, os eventos foram apresentados como se fossem reais e estivessem sendo acompanhados por equipes de reportagem ao vivo. Chegaram a escolher o jornalista Sander Vanocur como o apresentador das notícias, além de recrutarem a jornalista Bree Walker e uma entrevista falsa com o escritor Arthur C. Clarke. A emissora tomou cuidado para não causar um pânico semelhante ao causado em 1938, com mensagens nos intervalos comerciais avisando que se tratava de uma obra de ficção, mas segundo se diz muita gente continuou acreditando que se tratava de eventos reais.
O filme começa com a apresentação de um filme de mistério chamado Without Warning, que é interrompido para noticiar a ocorrência de três terremotos; o filme volta a ser exibido, mas é novamente interrompido. Dessa vez, fala-se de três impactos ocorridos no planeta, ao longo do paralelo 45 norte, e a NASA diz que foram originários da fragmentação de um asteroide.
Quando outro asteroide é detectado aproximando-se do Polo Norte, os líderes mundiais concordam em eliminá-lo com armas nucleares. Mas um cientista entende que os objetos não colidiram com a Terra, e sim pousaram aqui, como uma tentativa de um primeiro contato, e a destruição realizada pelos terrestres pode ser vista como um ato de guerra.
Quando conseguem descobrir o que estava sendo transmitido em um sinal de rádio emitido pelos aliens, percebem que se tratava de um discurso existente no disco enviado ao espaço na nave Voyager 2, em 1977. Tarde demais. Os aliens já estão revidando, enviando centenas de naves, ou asteroides, contra o planeta. O filme termina passando a nítida sensação de que o planeta será aniquilado, principalmente pela falta de sensibilidade e dedo rápido no gatilho.