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RITUAIS DEMONÍACOS

FILMES/VE Demônios

autorGilberto Schoereder
publicado porGilberto Schoereder
data13/6/2017
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As histórias de pessoas ou de grupos tentando estabelecer contato com os mais variados demônios formam parte significativa da literatura e do cinema de terror.

As religiões não se estabelecem suavemente. Elas não passam a ser predominantes numa determinada região do planeta por meio do convencimento delicado e amoroso das pessoas. Elas se impõem pela força, ou pelo menos tem sido assim na história da Terra; com o Judaísmo, com o Cristianismo e com o Islamismo, as três grandes religiões monoteístas da humanidade.

Inferno, Canto 34: Lúcifer (William Blake, ilustração para A Divina Comédia).

O surgimento do demônio, a personificação do Mal, tem muito a ver com essa imposição. Quando a religião, geralmente com a ajuda do Estado e da força militar, começa a dominar uma região, as religiões que até então existiam no local são suprimidas. Mas como é muito difícil fazer com que as pessoas deixem de lado seus hábitos e suas crenças ancestrais, a nova religião passa a considerar tudo o que esteja relacionada aos antigos pensamentos como atividades ligadas ao Mal, qualquer que ele seja.
No caso do Cristianismo, quando ele se estabeleceu na Europa e passou a ser parte da política dos estados, criou-se a figura cada vez mais presente do demônio e, é claro, dos rituais demoníacos.
Assim, quase tudo o que surgiu posteriormente na literatura e, depois, no cinema de terror, relacionado a rituais demoníacos, veio dessa situação, levada a extremos de maldade e imaginação durante a época da Inquisição. É o mesmo com os cultos satanistas em geral e, em particular, com as chamadas “missas negras” que seriam, basicamente, uma inversão da missa tradicional da Igreja Católica, rituais que teriam sido idealizados e realizados a partir da Idade Média. No entanto, no geral os historiadores concordam em que não existe qualquer prova efetiva de que tais missas negras tenham sido realizadas.
Os rituais e grupos satanistas sempre foram um prato cheio para o cinema de terror. Se esses grupos existiram ou ainda existem é de menor importância. O conceito criou filmes extraordinários como As Bodas de Satã ou A Noite do Demônio.

Outro muito legal é A Filha de Satã (Night of the Eagle, 1961. No Brasil, em DVD da Versátil). Casualmente, o crítico Phil Hardy (The Aurum Film Encyclopedia: Horror) compara algumas cenas do filme a cenas dos dois filmes citados acima. Ele bate e assopra ao dizer que “o único filme assistível de Hayers (Sidney Hayers, o diretor) é uma história de ocultismo bem trabalhada na tradição de A Noite do Demônio, de Jacques Tourneur”. De fato, o diretor não teve uma carreira brilhante, concentrando-se em seriados da televisão, mas aqui conseguiu realizar um filme muito bom. Phil Hardy ainda faz referência a uma cena numa cripta que, segundo ele, “é digna de As Bodas de Satã, de Terence Fisher.

Margareth Johnston em A Filha de Satã (Independent Artists).

Peter Wyngarde interpreta um professor de psicologia cético que, por meio de sua esposa (Janet Blair), envolve-se numa série de eventos aterrorizantes. As forças do mal foram libertadas por um ritual realizado por uma mulher ciumenta (Margareth Johnston), e o Mal se materializa na forma de uma estátua imensa de uma águia existente na faculdade.
O filme foi baseado numa história do excelente escritor de ficção científica Fritz Leiber, Conjure Wife (1943), e teve como roteiristas nada menos do que Richard Matheson, Charles Beaumont e George Baxt, os dois primeiros roteiristas da série clássica Além da Imaginação.Entre as muitas cenas excelentes do filme, uma das mais notáveis ocorre numa sala de aula. No quadro negro ao fundo está escrita a frase “I do not believe” (eu não acredito); quando o professor recua em direção ao quadro negro, apavorado pelo que está vendo, suas costas apagam a palavra “not”, deixando a frase “I do believe” (eu acredito).

Uma das cenas marcantes do filme, com o professor passando a acreditar no impossível.

A história foi filmada também em 1944, em Feitiço (Weird Woman), com direção de Reginald Le Borg, com Lon Chaney Jr. e Anne Gwynne. E ainda em 1960, como um episódio da série de TV Moment of Fear, com o titulo original The Conjure Wife. Mas nada que se compare ao filme de Hayers.


Provavelmente, a mais famosa história de um ritual demoníaco já apresentada nas telas foi O Bebê de Rosemary (Rosemary’s Baby, 1968), filme dirigido por Roman Polanski e baseado no livro de Ira Levin.
O livro de Ira Levin foi publicado em 1967 e tornou-se um best-seller, na verdade, um dos maiores da década, e o filme foi um sucesso de crítica e de público, e hoje é um dos clássicos do cinema de terror. No Brasil, inicialmente foi publicado com o título A Semente do Diabo (Editora Civilização Brasileira), e depois com o título O Bebê de Rosemary (Amarilys Editora). Ao comentar sobre o livro e o filme, Stephen King (em Dança Macabra, 1981) disse que a “(...) versão em filme de Polanski preserva uma marcante fidelidade ao romance de Levin, e ambos parecem compartilhar de uma irônica tendência ao humor”.
King diz que Ira Levin “(...) é o relojoeiro suíço do romance de suspense; em termos de enredo, ele faz com que o restante de nós pareçamos aqueles relógios de cinco dólares que você pode comprar em drogarias de desconto. (...) Os livros de Levin são construídos com a perfeição de uma elegante casa de cartas de baralho; retira-se um fio do enredo e tudo vem abaixo”.
Stephen King cita uma fala do próprio Ira Levin com relação à adaptação de Polanski, na qual ele entende que o filme O Bebê de Rosemary era a adaptação mais fiel de um romance que Hollywood já havia produzido, com o diretor incorporando trechos inteiros de diálogos do livro. “E, talvez mais importante”, diz Levin, “é o estilo de direção de Polanski – de não enquadrar a câmera direto ao horror, mas, em vez disso, deixar a audiência localizá-lo por si só no canto da tela, o que é uma feliz coincidência, na minha opinião, com o meu próprio estilo de escrever”.

Cartaz de O Bebê de Rosemary (William Castle Productions/ Paramount Pictures).

Segundo King, “poderíamos dizer que o tema principal de O Bebê de Rosemary lida com a paranoia urbana (...), mas um importante tema menor poderia ser expresso por essas linhas: o enfraquecimento da convicção religiosa é uma brecha aberta para o Demônio, tanto no macrocosmo (questões de fé mundial), como no microcosmo (o ciclo da fé de Rosemary, que vai da crença de Rosemary Reilly à descrença de Rosemary Woodhouse, para voltar a crer enquanto a mãe da criança infernal). Eu não estou sugerindo que Ira Levin acredite nessa tese puritana – mesmo que ele possa, até onde sei. Estou sugerindo, entretanto, que isso seja um esteio sobre o qual ele apoiou seu enredo, e que ele explora profundamente essa ideia e a maioria de suas implicações. Na progressão da peregrinação religiosa por que passa Rosemary, Levin nos fornece uma alegoria sério-cômica da fé”.
Quanto ao tema da paranoia, King entende que ele é a marca mais forte da história. “O conflito entre Rosemary Reilly e Rosemary Woodhouse enriquece a história, mas se o livro alcança o horror – e eu penso que ele o faça – é porque Levin é capaz de jogar de maneira tão habilidosa com esses sentimentos interiores. O horror vive à procura de pontos de pressão, e em que nós estamos mais vulneráveis do que em nossos sentimentos de paranoia?”

Ruth Gordon como Minnie Castevet, a vizinha que faz parte do grupo de "amigos do Diabo".

Ele diz que os leitores ficam paranoicos antes da personagem e que, “antes de chegarmos ao ponto central da história de Levin, suspeitamos de todos, sem exceção – e, em nove entre dez casos, estamos certos. (...) Se os romances de horror servem de catarse para os temores mais mundanos, então O Bebê de Rosemary, de Levin, parece refletir e efetivamente utilizar o sentimento muito real da paranoia urbana dos contendores urbanos. Nesse livro, realmente não há ninguém gentil no apartamento ao lado, e todas as piores coisas que você já imaginou sobre a velha caduca do apartamento de baixo vêm a ser verdade. A verdadeira história do livro é que ele nos permite sermos loucos por um tempinho”.
Em Films of Science Fiction and Fantasy (1988), Baird Searles lembra que o sucesso do livro de Ira Levin era algo inédito na época. “Um sinal dos tempos”, ele escreveu, “é que um livro de história sobrenatural realmente chegou às listas de best-sellers em 1967. Bastante comum hoje em dia, isso não tinha precedentes na época”.

Rosemary (Mia Farrow), logo após sua noite de alucinação com o demônio.

Ele também destaca a adaptação para o cinema, seguindo literalmente o livro, o que é algo quase impossível de acontecer quando Hollywood resolve adaptar um romance. Stephen King já havia dito que “alguém pode pensar que as grandes companhias cinematográficas pagam somas incalculáveis pelos livros, apenas para que possam dizer a seus autores todas as partes que não funcionam – certamente algumas das adulações ao ego mais caras da história das artes e das letras americanas”. O próprio Ira Levin comentou sobre a adaptação de Roman Polanski, com humor e ironia, dizendo: “Eu penso que ele não sabia que era permitido – quer dizer, quase obrigatório – fazerem-se modificações”.
Para sorte do público, o filme saiu do jeito que Polanski queria. Em Creature Features (2000), John Stanley diz que parabenizava William Castle, famoso diretor e produtor de cinema, por ter comprado os direitos do romance de Ira Levin quando ainda estava nas provas para impressão, e por perceber que a direção e roteiro do filme deveriam ser entregues a Roman Polanski e não a ele mesmo. Sem dúvida, com Castle dirigindo e/ou escrevendo o roteiro, teríamos um filme completamente diferente, e dificilmente um dos bons. “O resultado”, diz Stanley, “se tornou o ponto alto da carreira de Castle”, num exercício tranquilo com o sobrenatural, construído gradualmente, muitas vezes fornecendo apenas uma suspeita de algo malévolo, e outras vezes a dúvida de que Mia Farrow possa ser vítima de uma conspiração na moderna Manhattan.

Rosemary, percebendo exatamente quem é seu filho.

Baird Searles diz que o filme de Polanski “foi uma impressionante nova direção para os filmes de horror sobrenatural, que nunca mais seriam exatamente os mesmos”.
Os autores Tom Hutchinson e Roy Pickard vão pelo mesmo caminho ao comentarem o filme em Horrors: A History of Horror Movies (1983), afirmando que O Bebê de Rosemary iniciou todo um novo ciclo de filmes de terror sobre Lúcifer, e fez isso devido à sua inventividade, sua inteligência e, eventualmente, por seu terror absoluto. Eles entendem que o filme se tornou muito mais aterrorizante devido à realidade concreta do contexto no qual as ações ocorrem. “Se a descrença precisa ser suspensa, a credibilidade é tudo”. Eles também se referem à paranoia, que Stephen King apresentou como um dos ingredientes centrais da história, dizendo que “a fascinação de Polanski com a paranoia é tão evidente aqui quanto em qualquer de seus filmes”. E, na final e cruel ironia, “a própria Rosemary olha para o bebê que segura em seus braços, e é evidente que sua maternidade a está levando a amar a criança. É um final tão aterrorizante quanto o de 1984, no qual a última linha era ‘Ele amava o Grande Irmão’. Nesse caso: Ela ama o Pequeno Monstro”.

Rosemary, antes de se conformar a amar seu filho.

O crítico Phil Hardy, apesar de concordar que o livro de Ira Levin é engenhoso, entende que Polanski foi além, “transformando-o num estudo impressionante e tenso de uma mulher isolada e assustada, lutando para manter sua sanidade enquanto a natureza aterrorizante de sua situação é revelada”. Para Hardy, a jornada de descoberta de Rosemary é uma experiência compartilhada entre a vítima e o espectador. Segundo ele, uma cena ilustra brilhantemente a forma pela qual Polanski consegue captar a atenção e obter o envolvimento do público espectador. Mia Farrow/ Rosemary já está firmemente convencida da existência da feitiçaria sendo feita com ela, e visita um psiquiatra, que não só não acredita nela, mas ainda questiona sua sanidade. O público, que estava tão certo quanto ela a respeito dos eventos, de repente se vê em dúvida, devido à forma histérica pela qual ela descreve os acontecimentos e pela explicação racional e persuasiva do psiquiatra. Então, “ao invés de abandonar a crença nela”, diz Hardy, “o público se vê querendo que as explicações dela sejam as corretas, porque se as percepções de Farrow têm um que de loucura, então eles também terão julgado mal suas experiências”.

Papai chegou!

Phil Hardy também destaca que o estilo do filme é deliberadamente naturalista, utilizando locações familiares do dia a dia, como cabines telefônicas ou cozinhas, como suas ferramentas do terror. “Menos importante, mas ainda assim essencial para assegurar a implícita suspensão da descrença numa série de circunstâncias normalmente absurdas, O Bebê de Rosemary é um dos poucos filmes (outro deles é A Noite do Demônio, 1957) em que os artefatos e rituais de feitiçaria ganham credibilidade e em que seus praticantes são praticamente isentos de caricatura: o irreal, por algum tempo, se torna realidade”, escreveu Phil Hardy.
Ira Levin ainda escreveria uma sequência à história, O Filho de Rosemary (Son of Rosemary, 1997. Editora Record), comentado na matéria "O Anticristo".
Em 1976, surgiu um filme feito para televisão, Look What’s Happened to Rosemary’s Baby, com direção de Sam O’Steen, com o filho de Rosemary, Andy, agora com oito anos de idade. Patty Duke interpreta Rosemary, Ruth Gordon repete seu papel como Minnie Castevet, e Ray Milland é Roman Castevet. Além de ter sido muito mal recebido pela crítica, a história aqui não tem relação com a sequência, escrita por Ira Levin anos depois, e traz um enredo confuso.
Em 2014, foi a vez de uma minissérie em duas partes, com o título original, apresentada inicialmente na rede NBC, com direção de Agnieszka Holland, e Zoe Saldana no papel de Rosemary. A produção teve uma recepção pálida, com a história situada em Paris.


Em 1999, Roman Polanski retornaria ao tema do contato demoníaco em O Último Portal (The Ninth Gate), baseado no livro O Clube Dumas (The Club Dumas, 1993. Martins Fontes), de Arturo Pérez-Reverte. Johnny Depp interpreta Dean Corso, um negociante de livros raros contratado por Boris Balkan (Frank Langella) para encontrar duas cópias do livro "The Nine Gates of the Kingdom of Shadows"; ele mesmo tem uma cópia recentemente adquirida, mas acredita que apenas uma das três cópias existentes é autêntica. Corso deve procurar as diferenças entre os livros e decidir qual é a cópia original e autêntica, que se acredita ter sido elaborada pelo próprio Lúcifer, e que conteria a chave para o contato definitivo com o Diabo.
Viajando pela Europa à procura dos livros, Corso se vê enredado numa série de coincidências desagradáveis, inclusive com a morte repentina dos outros dois proprietários dos livros e o roubo das figuras desenhadas em suas páginas. Ele também é acompanhado por uma mulher misteriosa (Emmanuelle Seigner), que o protege sempre que sua vida está em perigo, e que também está ligada à invocação de Lúcifer.

Johnny Depp, em O Último Portal (Canal +/ Artisan Entertainment).

Nem sempre os eventos são muito claros ou muito explicados, mas o clima de terror e suspense é mantido com imensa capacidade, com um final inesperado.

 

 

 

 

 

 

 

OUTROS RITUAIS

 


UMA FILHA PARA O DIABO (To the Devil a Daughter, 1976)

 

BALADA PARA SATÃ (The Mephisto Waltz, 1971)
Direção de Paul Wendkos.
Com Alan Alda, Jacqueline Bisset, Curt Jürgens, Barbara Parkins, Bradford Dillman.

Balada para Satã (QM Productions/ 20th Century-Fox).

O filme foi baseado no livro The Mephisto Waltz (1969), de Fred Mustard Stewart, com roteiro de Ben Maddow, e contou com a música de Jerry Goldsmith. O diretor Paul Wendkos já tinha uma carreira conhecida na televisão, dirigindo episódios da famosa série paranoica Os Invasores (The Invaders, 1967-68), de Dr. Kildare (idem, 1962-64), Os Intocáveis (The Untouchables, 1961-63), entre muitos outros, e depois deste filme deu continuidade à carreira na televisão.
A história lida com o tema do pacto com o diabo, mas também com um culto satânico e, apesar de ter recebido algumas críticas não muito favoráveis, é muito interessante, com algumas imagens surpreendentes e surrealistas. Alda é um pianista fracassado que está trabalhando como crítico de música. Ele entra em contato com Jürgens, considerado o maior pianista do mundo, que faz com que Alda volte a ensaiar e a tocar. E, é claro, o introduz num culto satânico uma vez que Jürgens, que está morrendo, quer transferir sua alma para o corpo de Alda.

 

MANSÃO DO INFERNO (Inferno, 1980)
Direção de Dario Argento.

Mansão do Inferno (Produzioni Intersound).

Um filme do famoso cineasta italiano Dario Argento, um dos mestres do terror moderno, porém com um enredo complicado – segundo o critico Phil Hary, com história aparentemente derivada de O Ano Passado em Marienbad, de Alain Resnais. A ação concentra-se num prédio em Nova York, onde uma jovem é morta após descobrir que no local existe um culto de satanistas. Seu irmão vai ao local investigar e enfrenta os mesmos perigos, até chegar a um final apoteótico.
Os destaques são a presença do igualmente famoso cineasta Mario Bava nos efeitos especiais, ainda que não tenha recebido os créditos, e de Keith Emerson, do grupo Emerson, Lake & Palmer, na trilha sonora. E, em alguns poucos momentos, cenas impressionantes, com fotografia impecável.

 

A IRMANDADE DE SATÃ (The Brotherhood of Satan, 1971)
Direção de Bernard McEveety.

Strother Martin, em A Irmandade de Satã (Columbia Pictures).

Uma história bastante comum, porém tratada com qualidade, sobre um homem que, viajando com sua filha e namorada, encontra um carro acidentado à beira da estrada e tenta obter socorro na cidadezinha próxima. Para seu azar, um culto de satanistas está agindo no local, raptando as crianças utilizando métodos não explicados, mas que envolvem alguma força superior das trevas. Os adeptos de Satã querem utilizar os corpos para reiniciar suas vidas como crianças. O filme é melhor do que a história aparenta, com bom roteiro e filmagens efetivas que conseguem prender a atenção. O crítico John Stanley (em Creature Features), destaca a fotografia muito boa e as atuações, em particular Strother Martin, o líder do culto; e também uma sequência de sonho realmente assustadora.

 

A FILHA DO DIABO (The Devil's Daughter, 1973)
Direção de Jeannot Szwarc.

Shelley Winters e Abe Vigoda, em A Filha do Diabo (Paramount Television/ Miller-Milkis Productions).

Feito para a TV, com um elenco que traz nada menos do que Shelley Winters, Joseph Cotton e Jonathan Frid (o vampiro Barnabas Collins, de Nas Sombras da Noite/ Dark Shadows). No funeral de sua mãe, uma jovem (Belinda Montgomery) conhece Winters, que diz ter sido amiga da falecida e deseja se aproximar dela agora. Na verdade, ela é a chefona de uma daquelas seitas demoníacas e pretende utilizar Montgomery para realizar um pacto com o diabão.

 

 

ESCOLA DE MENINAS (Satan's School for Girls, 1973)
Direção de David Lowell Rich.

Pamela Franklin e Kate Jackson, em Escola de Meninas (Spelling-Goldberg Productions).

Produção para a TV, com Pamela Franklin em outro filme de terror, no mesmo ano em que atuou no clássico A Casa da Noite Eterna. Mas esse filme é fraquinho. Ela tenta entender o aparente suicídio de sua irmã numa escola para meninas, e acaba descobrindo um culto satânico liderado por um professor, interpretado por Roy Thinnes, o perseguido do seriado Os Invasores.

 

 

 

CORRIDA COM O DIABO (Race With the Devil, 1975)
Direção de Jack Starrett.

Corrida Com o Diabo (Saber-Maslansky Production).

Excelente elenco, com Peter Fonda, Warren Oates, Loretta Swit e Lara Parker como dois casais viajando em seu trailer pelas estradas do Texas. Eles tem o azar de testemunhar um ritual satânico no qual uma jovem é sacrificada numa árvore em chamas. Eles são vistos enquanto observam a cena e passam a ser perseguidos. Tentam obter ajuda, mas existem mais pessoas envolvidas com o culto do que eles poderiam imaginar. Mas o filme não é grande coisa.

 

O BEM CONTRA O MAL (Good Against Evil, 1977)
Direção de Paul Wendkos.

O Bem Contra o Mal (20th Century-Fox Television).

Outro filme de Wendkos envolvendo culto demoníaco (ver Balada Para Satã), feito para a TV como piloto de série que não foi adiante. Nada funciona, apesar de ter como roteirista Jimmy Sangster, que teve seus melhores momentos nos filmes de terror da Hammer inglesa.
Um escritor apaixona-se por uma jovem estilista de modas, só que ela é protegida por uma organização demoníaca, que a prepara para ser a noiva de Astaroth, o demônio, e ser a mãe de seu filho. Tentam de tudo para matá-lo ou afastá-lo dela, sem êxito, e então resolvem hipnotizá-la e mandá-la para outro estado. Mas o sujeito parte em sua busca. O filme termina com o escritor partindo numa viagem sem rumo em sua procura, o que deveria ser o restante da série, eu suponho.



MENSAGEIRO DE SATANÁS (Evilspeak, 1981)
Direção de Eric Weston.

Clint Howard, cavalgando os monstros do inferno em Mensageiro de Satanás (Leisure Investment Company/ Coronet Film Corporation).

Um filme na linha que os americanos costumam chamar de “worm-that-turns”; a expressão indica que até mesmo a pessoa mais dócil pode chegar a extremos de violência se for maltratada durante muito tempo. No caso, a pessoa é o jovem órfão Stanley (Clint Howard), servindo numa academia militar e perseguido pelos colegas. Ele procura refúgio nos computadores e, mais tarde, descobre uma passagem secreta que leva às dependências do padre que fundou o local e que fora expulso. Lá, ele encontra livros de magia negra e, com eles e seu computador, consegue trazer à vida uma série de monstros do inferno, parecidos com porcos, que causam uma onda de mortes violentíssimas na academia.
O filme foi bem recebido pela crítica, a ponto de o crítico Phil Hardy chegar a considerar uma estreia impressionante de Eric Weston e, na linha de horror “worm-turns”, um dos melhores desde Carrie, a Estranha (1976), o que me parece um exagero. O filme chegou a ser banido no Reino Unido, devido à violência de algumas cenas e à presença de satanismo.



DEMÔNIO, O REI DAS TREVAS (Prime Evil, 1988)
Direção de Roberta Findlay.
Terror da péssima diretora Roberta Findlay, mais conhecida por realizar, junto com seu marido Michael Findlay, os chamados filmes de “sexploitation”, misturando sexo e violência. Aqui, monges cultuam Lúcifer e sacrificam pessoas a cada 13 anos para obterem a imortalidade. Péssimo.

 

 




A VINGANÇA DO DIABO (Pumpkinhead, 1988)
Direção de Stan Winston.

O "cabeça de abóbora", em A Vingança do Diabo (De Laurentiis Entertainment Group/ Lion Films).

Um filme que teve imensos problemas de produção e seu nome trocado de Pumpkinhead para Vengeance: The Demon, e de novo para Pumpkinhead, várias vezes ao longo de, pelo menos, dois anos, até que finalmente surgiu com uma exibição bem limitada nos cinemas, e depois lançado em VHS. Trata-se de um bom trabalho de Stan Winston – mais conhecido por seus efeitos especiais – em que a estrela principal é realmente o monstro Pumpkinhead. Um homem vive no interior dos EUA com seu filho, cuidando da fazenda e de uma venda que atende os pobres moradores locais. Na infância, lembra-se de ter visto um ser monstruoso, o do título, o cabeça de abóbora que, segundo as tradições locais, é um demônio chamado por alguém que deseja vingança. Ninguém se arrisca a sair de casa na noite em que Pumpkinhead foi chamado a agir. Um dia, motoqueiros acidentalmente atropelam e matam o filho do homem (Lance Henriksen), que realiza o ritual para chamar o demônio e executar sua vingança.
O interessante é que, a cada morte que o demônio realiza, o pai se sente mais estranho; o ritual envolvia o sangue do filho e o seu próprio, de modo que o demônio é uma parte de si mesmo. O clima criado é muito parecido com o das histórias em quadrinhos da Kripta, com um EUA alternativo em que as bruxas, pântanos e seres estranhos são comuns. Belos cenários e excepcional construção do monstro, a especialidade de Winston.
O filme iniciou uma franquia que inclui Pumpkinhead – O Retorno (Pumpkinhead II: The Blood Wings, 1993), Pumpkinhead de Volta das Cinzas (Pumpkinhead: Ashes to Ashes, 2006. Feito para TV) e Pumpkinhead 4 – Maldição Sangrenta (Pumpkinhead: Blood Feud, 2007. Feito para TV). Também originou quadrinhos produzidos pela Dark Horse Comics e um vídeo game. As informações ainda dão conta de que um novo filme está sendo desenvolvido.

 

IMPÉRIO DAS TREVAS (Empire of the Dark, 1981)
Direção de Steve Barkett.
Filme horroroso, com história capenga e interpretações simplesmente ridículas. Policial testemunha um ritual satânico em que sua amante está para ser assassinada juntamente com o filho pequeno. Salva a criança, mas não a mãe. Anos mais tarde, a seita volta a agir na mesma cidade e o policial, que nesse meio tempo aprendeu a lutar espada, mais uma vez coloca-se contra os satânicos. Eles reúnem-se numa espécie de caverna subterrânea onde mora um demônio muito mal feito. Uma sucessão de cenas ridículas. Nada se aproveita.

 


 

ALONE IN THE DARK: O DESPERTAR DO MAL (Alone in the Dark, 2005)
Direção de Uwe Boll.

Alone in the Dark (AITD Productions/ Boll KG Productions/ Herold Productions/ Brightlight Pictures/ Infogrames Entertainment).

Christian Slater é o detective Edward Carnby, personagem que surgiu numa série de jogos, inicialmente desenvolvidos em 1992, para PC. Carnby é especializado em assuntos sobrenaturais ou paranormais, e aqui ele investiga a morte de um amigo. As pistas levam-no a uma ilha onde fica sabendo que adoradores do demônio de uma antiga cultura estão pretendendo trazer o diabo à Terra, para que domine o planeta. O filme entrou quase imediatamente para a lista dos piores filmes de todos os tempos. O incrível é que ainda fizeram uma sequência, Alone in the Dark 2: O Retorno do Mal (Alone in the Dark II, 2008).