Artigos

O BAZAR DOS SONHOS RUINS

Livros/Lançamentos

autorGilberto Schoereder
publicado porGilberto Schoereder
data8/9/2017
fonte
Publicado no Brasil novo livro de contos de Stephen King.

O Bazar dos Sonhos Ruins (The Bazaar of Bad Dreams, 2015) é mais um livro reunindo contos de Stephen King, publicado no Brasil pela Suma de Letras. Na verdade, entre as 20 histórias, nem todas são contos; também têm poesias.
Para os leitores já acostumados com a obra do autor, os contos são sempre algo um tanto diferente. Normalmente, King elabora livros imensos. Na “Introdução” de Bazar ele diz que tem um gosto particular por histórias longas “que criam uma experiência de imersão tanto para o autor quanto para o leitor”, compondo um mundo quase real.
Stephen King também explica que “Se eu dissesse que sempre gostei da disciplina rigorosa que as obras mais curtas de ficção impõem, estaria mentindo. Os contos exigem uma espécie de habilidade acrobática que precisa de muito treino exaustivo”.
Ele diz que nunca sente tanto as limitações de seu talento como quando está escrevendo obras curtas de ficção, mas isso não significa, absolutamente, que o talento não está presente, como é possível verificar em vários dos contos desse livro, e como já verificamos em coletâneas anteriores, em particular em Sombras da Noite e Tripulação de Esqueletos.
As histórias são antecedidas por pequenos textos do autor, às vezes contando como o conto se desenvolveu, às vezes narrando eventos relacionados que o levaram a criar a história, no estilo que já caracterizou Stephen King, como se conversasse informalmente com o leitor.
E nem todos os contos são histórias de terror. Existem contos de ficção científica, de fantasia, ou histórias que não se relacionam a esses gêneros, às vezes inspiradas pelo estilo de um autor que King admira. Ele examina a natureza humana, seus anjos e demônios interiores, e é tão bom escrevendo essas histórias de pessoas comuns (ou nem tanto) quanto é quando elabora seus pesadelos aterrorizantes.
Um dos melhores do livro é o último conto, “Trovão de Verão”, uma ficção científica sobre o final do mundo, com a narrativa centrada em apenas dois personagens; três, se contarmos com o cachorro (e, sim, ele precisa ser contado).
Ou “Obituários”, a história de um sujeito que descobre que os obituários de pessoas vivas que ele escreve são capazes de matá-las. O conto foi baseado no filme I Bury the Living (1958), produção “B” dirigida por Albert Band, que Stephen King disse ter visto na televisão e que o assustou, ainda que o final tenha sido decepcionante.
Ou o sensacional “Ur”, que inicialmente King nem queria escrever, uma vez que tinha sido encomendado pela Amazon para o lançamento do Kindle de segunda geração, mas que ele acabou escrevendo, porque a ideia surgiu em sua mente e “Era legal demais para ficar sem ser escrita”. E, ainda por cima, tem relação com as histórias da série A Torre Negra, o que só se percebe mais para o final do conto.
Enfim, tem histórias para todos os gostos. E sempre envolventes.