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AS HISTÓRIAS DO SÉCULO 19

FILMES/VE UTOPIAS E DISTOPIAS

autorGilberto Schoereder
publicado porGilberto Schoereder
data17/12/2018
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Adam Roberts diz que, “embora as novelas utópicas continuassem a ser publicadas durante todo o século, foi só nas décadas de 1880 e 1890 que desfrutaram de novo de ampla popularidade – um fato que se explica pela mudança na amplitude de gostos, ou pelas utopias ruins publicadas, ou, é bem possível, por ambos os motivos”.
Em The Visual Encyclopedia of Science Fiction, no item dedicado às “utopias e pesadelos”, é citado o trabalho do professor, editor e historiador da ficção científica, o inglês I.F. Clarke (Ignatius Frederick “Ian” Clarke, 1918-2009), The Tales of the Future (1961), no qual ele sugere que, apesar de alguma incerteza antes dos anos 1870, os autores posteriores não demonstraram falta de confiança em descrever o futuro da humanidade. Para ele, o conceito dominante na época era o do avanço da humanidade, de modo que os escritores olhavam em direção a um futuro completamente mudado devido aos avanços da ciência.

(CreateSpace Independent Publishing Platform).

Brian Stableford também destaca que, apesar da popularidade internacional do livro de Louis-Sébastien Mercier, L’an 2440, rêve s'il en fut jamais (1771), comentado na matéria anterior, o século 19 já ia avançado antes que o potencial utópico do progresso científico fosse amplamente celebrado na literatura inglesa. De fato, existem poucos exemplos na primeira metade do século; o próprio Stableford cita o livro The Mummy! A Tale of the Twenty-Second Century (1827) de Jane Loudon, que normalmente é descrito como uma novela gótica, mas que pode ser considerado como o primeiro romance científico, com toques utópicos. Adam Roberts também cita a novela dizendo que traz especulações interessantes sobre a sociedade futura, apesar de ser “(...) dominada por uma trama gótica extravagante e um tanto disparatada”. Nesse futuro século 22 a Inglaterra voltou a ser um país católico, um túnel liga a Inglaterra à Irlanda e houve grandes avanços tecnológicos com transportes por dirigíveis e advogados operados por meio eletrônico. Para Roberts, “De maneira ainda mais explícita que o texto mais antigo de Mary Shelley, a novela de Loudon dramatiza a dialética entre tecnologia e religião, que continua a determinar o desenvolvimento do gênero”.

                                                                                                                                                                                                                     (Forgotten Books).

Outro livro do início do século citado é The Empire of the Nairs; or the Rights of Women, A Utopian Romance (1811), de James Henry Lawrence, composto por quatro volumes. A obra começou a tomar forma em 1793, quando Lawrence publicou um ensaio sobre a casta Nair, de Malabar, na Índia. Adam Roberts diz que os quatro grossos volumes do livro “deixam o que podia ter sido uma premissa interessante – uma sociedade com direitos concedidos às mulheres – morrer devagar em uma pastosa degeneração da imaginação. Quanto mais o livro se estende, mais enfadonho se torna”.

(CreateSpace Independent Publishing Platform).

Em 1836, a escritora e cientista norte-americana Mary Griffith publicou Three Hundred Years Hence, tido como o primeiro romance utópico americano escrito por uma mulher, e apresentava um futuro otimista. Como na obra de Mercier, o personagem de Griffith também dorme e acorda num futuro com muitas mudanças na sociedade, com o fim da escravidão e a emancipação das mulheres, além de avanços científicos como veículos que utilizam uma nova forma de energia e “balões navegáveis”.

 

                                                                                                                                                                                               (Capa: Giovanni Bellini).

Stableford diz que muitos romances em língua inglesa do século 19 existe uma forte veia de romantismo anticientífico, como no livro Erewhon (Erewhon, 1872. Ed. Livros do Brasil), de Samuel Butler, visto como uma sátira à sociedade vitoriana. O aspecto anticientífico descrito por Stableford fica mais claro quando se sabe que, na utopia de Butler, o país de Erewhon – uma adaptação da palavra nowhere (lugar algum) – as máquinas foram banidas por serem vistas como ameaças à supremacia humana. Em The Visual Encyclopedia of Science Fiction o texto sobre a utopia de Butler diz que parte da sátira, o capítulo “The Book of the Machines”, quase pode ser considerado o prefácio de uma coletânea de histórias de robôs e, segundo alguns críticos, ele pode ter sido o primeiro autor a sugerir que os robôs possam alcançar a consciência por meio de um processo de crescimento segundo os padrões estipulados por Darwin. Butler ainda escreveu uma sequência à obra, Erewhon Revisited (1901), na qual o personagem central, que havia deixado a ilha original em um balão, retorna para encontrar o filho que teve com uma amante local e ver que sua saída em um balão, ascendendo aos céus, originou uma adoração religiosa em Erewhon.

(Dutton, 1916).

Também é citado o livro A Crystal Age (1887), do naturalista W.H. Hudson, nascido na Argentina, descendente de imigrantes da Irlanda e Inglaterra, posteriormente mudando-se para a Inglaterra. Sua história enquadra-se no que se chamou de “utopia pastoral”, mas também nas histórias de sonhos, com o personagem central acordando repentinamente em um local desconhecido. Em The Visual Encyclopedia of SF é dito que Hudson segue Butler no sentido de advogar um retorno a uma vida simples.

 

Uma obra importante nessa linha de “utopia pastoral” foi Notícias de Lugar Nenhum, ou Uma Época de Tranquilidade – Um Romance Utópico (News From Nowhere, or An Epoch of Rest, 1891. Fundação Perseu Abramo), de William Morris, que foi poeta, tradutor, designer e ativista socialista. Adam Roberts apresenta Morris como o mais famoso “antibellamista”, referindo-se a Edward Bellamy e seu livro Daqui a Cem Anos (Looking Backward: 2000-1887), citado na primeira matéria deste Especial (ver também no especial Viagens no Tempo, "Viagens na Fantasia"). Segundo Roberts, o livro de Morris “(...) fala de uma futura Inglaterra anti-industrial, rural e idílica, que lembra antes a Idade Média que qualquer extrapolação high-tech de progresso industrial. O belo livro de Morris foi deliberadamente o antípoda da visão coletivista de Bellamy da sociedade como uma gigantesca máquina. Sua apresentação da vida social perfeita é generosa e envolvente, com ênfase muito interessante na beleza”.

(CreateSpace Independent Publishing Platform).

Outro livro refutando a linha “bellamista” foi Caesar’s Column: A Story of the Twentieth Century (1890), de Ignatius Donnelly, que ficou mais conhecido por seu livro Atlantis: The Antediluvian World (1882), que propunha que as Américas tinham sido colonizadas pelos atlantes.
Segundo Brian Stableford, o livro de Donnelly opõe-se ao de Bellamy “(...). com o argumento de que a sociedade está se desenvolvendo em direção a uma desigualdade maior e uma guerra catastrófica mais do que em direção à paz e abundância”. O personagem central é apresentado à sociedade futura opressora e predatória dominada por uma oligarquia, mais uma distopia do que a utopia proposta por Bellamy.

 

                                                                                                    (Capa: Robert Cassell/ Magnum Easy Eye Books / Lancer Books).

O livro de Bellamy, Daqui a Cem Anos, é o extremo oposto dessa linha pastoral que, às vezes, Stableford chega a chamar de “conservadorismo nostálgico”, e entende não ter sido por acaso que o livro tenha surgido nos Estados Unidos, na época, “a terra do progresso”. Em The Visual Encyclopedia of SF, o texto considera que o livro “(...) viu o uso inteligente das máquinas como indicação do caminho para um estado socialista no qual as pessoas teriam muito tempo de lazer e poderiam se aposentar aos 45 anos”. Adam Roberts ressalta que o personagem do livro de Bellamy, Julian West, é levado por transe hipnótico à América do então ano futuro de 2000, encontrando uma “(...) sociedade coletivizada com base nos princípios do ‘nacionalismo’ e da ‘religião da solidariedade’. A pobreza e a miséria associadas ao capitalismo individualista do passado foram extintas”. Os homens e mulheres entre 21 e 45 anos são recrutados para um “exército industrial” para executarem as tarefas para as quais são mais adequados. Portanto, o que separa os dois autores não é o conceito de uma sociedade socialista futura, mas a forma como a harmonia nessa sociedade poderia ser atingida. E, de fato, a proposta de Bellamy sugere a presença de um tipo de autoridade que Morris refuta.
De qualquer forma, o livro de Bellamy teve um impacto imenso, originando dezenas de livros a favor ou contra, para não falar das vendas absurdas para a época e de discussões políticas que resultaram até mesmo na formação de um partido político nacionalista nos Estados Unidos.

(Wildside Press).

Comentando sobre os dois livros, Adam Roberts escreveu: “Com algo que equivale à dissimulação, Bellamy retrata todos os benefícios de sua sociedade centralizada, mas nenhum de seus custos. Algo similar pode ser dito do modelo para mudança social de Morris, escrito com maior elegância, mas, infelizmente, ainda menos plausível como projeto de transformação social”.
Bellamy ainda escreveria uma sequência ao seu livro, Equality (1897), com o personagem West de volta ao ano 2.000 – afinal, o seu sonho era com o ano 1887 – e procura aprofundar os conceitos desenvolvidos no primeiro trabalho.

                                                                                                                                                                                                                             (HardPress).

Curiosamente, um livro com alguns componentes muito parecidos com os de Daqui a Cem Anos, porém publicado anteriormente, chegou a ser tido, às vezes, como um plágio, outras como mais um livro na onda de utopias que se sucederam ao livro de Bellamy. Trata-se de The Diothas: or, A Far Look Ahead (1883), de John Macnie, com o pseudônimo Ismar Thiusen. Uma das razões para isso é que, após o imenso sucesso de vendas do livro de Bellamy, os editores resolveram reeditar o livro com o título ligeiramente modificado de Looking Forward: or, The Diothas, em 1890. Mais do que isso, os dois escritores se conheciam e trocavam ideias.
Como no livro de Bellamy, em The Diothas o personagem central também chega ao futuro por meio de hipnotismo, ou mesmerismo, como era comum se falar na época, atingindo o distante século 96 e conhecendo os detalhes da sociedade futuro, a cidade de Nuiore (a Nova York futura). Além de apresentar uma série de desenvolvimentos futuros da tecnologia, ele imaginou uma sociedade igualitária, mas nem tanto: os sexos têm os mesmos direitos, mas ainda assim ele apresenta divisões bem claras; os homens aprendem as leis, as mulheres, Medicina; quase todos os cientistas são homens e os artistas mulheres, ainda que tenham sido cientistas mulheres que desenvolveram aparelhos que podem ser comparados às atuais televisões e o cinema. Por outro lado, são as mulheres que lavam e cozinham, ainda que façam isso em comunidade. E a sociedade continua apresentando características da moral do século 19, com a proibição do consumo de álcool e com leis contra a infidelidade no casamento.

(Forgotten Books).

No século 96, o personagem é tido como alguém com problemas psíquicos e que acredita ser um viajante do tempo do século 19, mas os demais personagens o conhecem como alguém chamado Ismar Thiusen. Ele também conhece e se interessa por uma mulher chamada Reva Diotha – daí o Diothas do título, o sobrenome da família de Reva.
A situação apresentada no livro é um tanto complicada, uma vez que todos conhecem Thiusen, e ele surge no século 96 sabendo falar o inglês bem diferente da época. Em determinado ponto, ele acha que sua situação pode ser explicada pela reencarnação, mas após uma queda acidental nas Cataratas de Niágara, ele retorna ao século 19.

 

Brian Stableford diz que o livro de Bellamy era inegavelmente ingênuo, mas ainda assim tornou-se o arquétipo de uma escola de “utopias mecanizadas”. E Adam Roberts diz que o sucesso do livro “deu vida nova ao modelo utópico” nas décadas de 1890 e 1900, com dezenas de livros sendo publicados. E, dentro desse movimento, também aumentou a quantidade de utopias femininas ou protofeministas. “De fato”, diz Roberts, “a utopia da condição da mulher na ficção precedeu o discurso cultural mais amplo (debatido com ansiedade na sociedade britânica nas décadas de 1890 e 1900) sobre a chamada ‘nova mulher’ – mulheres que, em uma ou outra medida, rejeitavam os tradicionais papéis subservientes oferecidos pela sociedade vitoriana”.

                                                                                                                                                           (CreateSpace Independent Publishing Platform).

Um desses livros foi Mizora: A Prophecy (1880-81), de Mary E. Bradley Lane, publicado originalmente no jornal Cincinnati Commercial. A sociedade formada apenas por mulheres imaginada pela autora existe dentro da Terra oca, e teve início após uma revolta contra uma ditadura masculina. Todos os homens foram exterminados e as mulheres, todas loiras, não suportam a existência de qualquer pessoa com a pele mais escura. Essa sociedade futura tem alguma tecnologia avançada, como videofones, e as mulheres se reproduzem por partenogênese.

(Wildside Press).

Em 1887, a nova-iorquina Anna Bowman Dodd publicou The Republic of the Future: or, Socialism a Reality, com história situada no ano 2050. Ela apresenta um aristocrata sueco que viaja a Nova York, transformada numa cidade socialista seguindo as inovações e avanços projetados por outras obras utópicas. No entanto, ela mostra a Suécia como um país que manteve uma economia capitalista, de modo a poder estabelecer padrões de comparação entre os dois, com desvantagem para a Nova York socialista, retratada como um local sombrio e conformista, com as pessoas vivendo vidas sem sentido e tediosas, sem criatividade. Como uma antiutopista, ela transformou o futuro supostamente utópico em uma distopia.

                                                                                                                                                                                                               (Aqueduct Press).

Em New Amazonia: A Foretaste of the Future (1889), a jornalista feminista britânica Elizabeth Burgoyne Corbett imagina uma utopia na Irlanda após um movimento sufragista ter sido vitorioso. Assim, as mulheres originam uma nova geração de amazonas e uma sociedade na qual os homens não têm direitos. As mulheres são fortes, guerreiras, e estabelecem uma lei violenta que elimina crianças nascidas com deformidades. A narradora da história, como ocorre em outros textos do gênero, dorme e acorda no ano 2472, quando fica conhecendo a realidade desse futuro.

(Amazon Digital Services LLC).

Em Unveiling a Parallel: A Romance (1893), das norte-americanas Alice Ingelfritz Jones e Ella Merchant, duas sociedades com características opostas são apresentadas, dessa vez em Marte, planeta para o qual se desloca um homem, em um aeroplano. Uma das sociedades é Paleveria, na qual as mulheres assumiram as características negativas dos homens, e quem tem características capitalistas e republicanas, com nítidas divisões de classes. A outra é Caskia, na qual ambos os sexos têm características semelhantes, positivas e de generosidade, e vivem em harmonia, além de ser um estado socialista com uma população interessada na arte e espiritualidade.

 

Esse movimento feminista de romances utópicos estendeu-se até o início do século 20, especialmente com a obra da norte-americana Charlotte Perkins Gilman, com três livros importantes no gênero: Moving the Mountain (1911); Herland – A Terra das Mulheres (Herland, 1915. Francisco Alves Editora. Também pela Via Leitura; pela Rosa dos Tempos); e With Her in Ourland: Sequel to Herland (1916). As três obras foram publicadas originalmente na revista mensal The Forerunner, da própria autora.
O primeiro livro conta a história de uma América bastante modifica, por volta dos anos 1940. O contraste é fornecido pelo personagem John Robertson que, durante 25 anos viveu no Tibete, sem memória de sua vida anterior, a qual recobra quando é encontrado por sua irmã Ellen, que o leva de volta para um país completamente diferente daquele em que Robertson viveu.
A América desenvolveu um sistema econômico que não é nem capitalista nem socialista, uma religião vagamente descrita, e com os direitos das mulheres igualando-se aos dos homens, de modo que elas já assumem posições e carreiras importantes na sociedade. Não existe mais pobreza, prostituição, racismo ou doenças.
Mas foi Herland que se tornou o que Adam Roberts chamou de “a mais famosa fantasia feminista do período”. O livro é narrado do ponto de vista de Vandyck Jennings, um dos três personagens masculinos que resolvem explorar uma região não mapeada do planeta, sobre a qual existem apenas rumores de ser habitada apenas por mulheres. Eles conseguem chegar ao local, inicialmente sendo aprisionados pelas mulheres, mas depois deixados em liberdade para aprender seu idioma e costumes.
Ficam sabendo que a sociedade existe há cerca de dois mil anos, após um vulcão ter matado quase toda a população masculina e isolado a área. As mulheres, sem homens para procriar, começaram a gerar filhas repentinamente por meio de partenogênese, como as mulheres de Mizora, de Mary E. Bradley Lane.
Dois homens conseguem abandonar parcialmente seu comportamento sexista e conviver com as mulheres, mas um deles não consegue e tenta estuprar a mulher com quem ele se “casou” – as mulheres não entendem o que é o casamento, e ele esperava que sua “esposa” cumprisse o que, em sua sociedade, seria considerado sua obrigação. Ele é julgado por seus atos e obrigado a deixar Herland – o nome que Vandyck dá à sociedade em sua narrativa. Ele e Vandyck deixam Herland, juntamente com a esposa de Vandyck, prometendo não revelar ao mundo a localização de sua civilização.

                                                                                                                                                                                         (Wilder Publications).

A sequência With Her in Ourland inicia com os três chegando inicialmente à Europa, durante a Primeira Guerra Mundial, para desespero de Ellador, a esposa de Vandyck. Antes de chegarem à América, eles viajam por vários locais da Terra e Ellador pode estudar profundamente a história e cultura de diferentes civilizações, sempre apresentando a Vandyck suas observações sobre as contradições e problemas das sociedades humanas que fica conhecendo. Ao final, eles retornam a Herland para se estabelecerem ali para sempre.
Apesar do imenso sucesso da história na época, análises posteriores revelaram alguns problemas e originaram discussões. Adams Roberts diz que o livro de Gilman “(...) se mostrou um instrumento heurístico tão eficaz para as questões de gênero e foi, durante algum tempo, tão discutido e ensinado que a tardia redescoberta de opiniões muito discutíveis de Gilman foi um verdadeiro choque para muitas feministas”. Sua história reflete opiniões dominantes na época com relação aos negros, uma suspeita com relação aos judeus e um orgulho pela sua “condição de anglo-saxã”.

Muitas utopias ainda foram escritas e publicadas nos anos 1890, assim como histórias de ficção científica em geral, apesar de o termo ainda não ser utilizado. Não só o sucesso do livro de Bellamy como o de seus opositores ajudaram na popularização do gênero. Mas é claro que os nomes que se destacaram nesse período foram os de Jules Verne e H.G. Wells, que também escreveram suas próprias versões de sociedades melhores ou piores, o que vamos ver na matéria seguinte.